20 de junho de 2013

Biodiversidade e Monitoramento Ambiental Integrado: o sistema RAPELD na Amazônia

PPBio/CENBAM lançam livro com base na experiência de mais de uma década na implementação do sistema RAPELD na Amazônia brasileira. Ricamente ilustrado e escrito em linguagem simples, o livro aborda as questões que levaram ao desenvolvimento do sistema, a inclusão da pesquisa no sistema social, a organização espacial e representações da diversidade biológica, o monitoramento ambiental, os importantes parceiros do RAPELD e o gerenciamento de dados. Baixe o PDF.


O monitoramento da biodiversidade não é meramente uma empreitada acadêmica. Ainda que a representação da biodiversidade, a estrutura espacial e a integração com informações sobre o ambiente sejam temas essenciais, é imprescindível pensar no contexto político em que serão tomadas as decisões e em como incorporar parceiros, já que os pesquisadores têm uma capacidade limitada de ação. Por fim, é fundamental planejar o gerenciamento dos dados para potencializar o uso e garantir sua longevidade.

O RAPELD aborda a padronização espacial que é crucial para responder à maior parte das questões levantadas pelos tomadores de decisão, permitindo a flexibilidade e a inovação. O primeiro grande desafio deve ser o de integrar os diferentes tipos de monitoramento! Um sistema efetivo necessita integrar todos os aspectos simultaneamente através de muitas escalas diferentes e que os avanços na tecnologia da informação não são suficientes para realizar isso por si só. A ciência tornou-se extremamente linear e a pesquisa tornou-se focada em estudos normativos com entradas e saídas restritas, de forma que temos de reaprender a pensar lateralmente.

Com prefácio de Stuart Pimm, o livro está disponível em português e inglês e pode ser livremente baixado no portal PPBio. Uma versão impressa será lançada em breve. O livro foi financiado pela FAPEAM, FAPESP e EU BON e diversos outros parceiros e pessoas listados no livro foram importantíssimos durante todo o processo.


Para baixar o PDF, acesse: http://ppbio.inpa.gov.br/livros. Boa leitura!

Referência completa:
William Magnusson, Ricardo Braga-Neto, Flávia Pezzini, Fabrício Baccaro, Helena Bergallo, Jerry Penha, Domingos Rodrigues, Luciano M. Verdade, Albertina Lima, Ana Luísa Albernaz, Jean-Marc Hero, Ben Lawson, Carolina Castilh, Débora Drucker, Elisabeth Franklin, Fernando Mendonça, Flávia Costa, Graciliano Galdino, Guy Castley, Jansen Zuanon, Julio do Vale, José Laurindo Campos dos Santos, Regina Luizão, Renato Cintra, Reinaldo I. Barbosa, Antônio Lisboa, Rodrigo V. Koblitz, Cátia Nunes da Cunha, Antonio R. Mendes Ponte. Biodiversidade e Monitoramento Ambiental Integrado.  1. ed. Manaus: Áttema Editorial :: Assessoria e Design, 2013. 352p.




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31 de outubro de 2012

PhD Comics: O que é o acesso livre?

Quem está na pós-graduação certamente já deve ter tido contato com os quadrinhos do Jorge Cham do PhD Comics. As historinhas retratam a essência do cotidiano dos estudantes, mas além da brincadeira trazem também uma crítica a alguns entraves do sistema acadêmico, como a restrição de acesso aos artigos científicos publicados pelas grandes editoras. O processo é bizarro, pois as editoras vendem caro o acesso a informações que elas não geraram, nem qualificaram, muito menos financiaram. A animação abaixo explica o que significa o termo 'Open Access' e sugere uma reflexão sobre o tema. E você, o que acha?


CRÉDITOS
Animação por Jorge Cham
Narração por Nick Shockey e Jonathan Eisen
Transcrição por Noel Dilworth

Saiba mais sobre PhD Comics em: http://phdcomics.com.

Texto no Blog da ULE: Ricardo Braga Neto, com informações de Flávia Pezzini.

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30 de maio de 2012

Novo Portal PPBio está no ar!


Visando oferecer acesso a toda informação sobre o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) na Amazônia Ocidental, construímos um novo portal mais interativo. Veja no link: http://ppbio.inpa.gov.br/


Desde 2004, o PPBio vem instalando infraestrutura em diversos Sítios de coleta (http://ppbio.inpa.gov.br/sitios) na Amazônia, facilitando o acesso e integrando diferentes pesquisas. Todos os dados estão disponíveis noRepositório de dados (http://ppbio.inpa.gov.br/repositorio/dados), reformulado para melhor armazenar e disponibilizar os metadados e dados de pesquisadores PPBio e parceiros. Assim como o sistema utilizado pelo PELD-CNPq (http://peld.inpa.gov.br/repositorio), passamos a utilizar softwares especificamente desenvolvidos para esse fim, integrando à comunidade internacional. 

Todas as Publicações (http://ppbio.inpa.gov.br/public) derivadas do PPBio, como artigos, livros e guias de identificação, também estão disponíveis no site. Na aba Extensão (http://ppbio.inpa.gov.br/extensao) todos os treinamentos e capacitações realizados, bem como intercâmbios, podem ser visualizados. Para obter informações detalhadas sobre instalação de infraestrutura, identificação e gestão dos dados, explore a aba dos Métodos (http://ppbio.inpa.gov.br/metodos).

O site foi desenvolvido pela equipe de Gestão de Dados PPBio: Flávia Pezzini, Anne Oliveira, Rainer Amorim, Dayane Oliveira, Juliana Menger, Pablo Hendrigo, Clóvis Azambuja, com contribuições de Ricardo Braga Neto e Bill Magnusson.

Para acessar o conteúdo sobre o programa e a diversidade na Amazônia, navegue pelas abas superiores, pelas imagens ou pelos atalhos na página.






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29 de março de 2012

PPBio e CENBAM lançam Sapoteca virtual

A SAPOTECA visa uma representação integrada de diferentes tipos de mídia (notas bibliográficas, gravações sonoras, fotografias, vídeos) de um determinado conjunto de dados, os sapos da Amazônia.


No website você encontrará uma amostra da biblioteca, sendo que cada espécie estará representada pelo fragmento de uma gravação de aúdio e/ou vídeo.
Este projeto é parte do Centro para Estudos Integrados da Amazônia "CENBAM" cujo principal objetivo é integrar a pesquisa sobre a biodiversidade amazônica em cadeias de produção científicas e tecnológicas eficientes.
Esta coleção on-line visa não somente o interesse de pesquisadores, mas também prover uma ferramenta para professores, satisfazer a curiosidade de amantes da herpetologia e do público em geral sobre a comunicação acústica dos anuros amazônicos.

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7 de março de 2012

Vídeos sobre monitoramento de grupos-alvo PPBio já estão disponíveis

(Fonte: http://ppbio.inpa.gov.br/Port/videosppbio)

A equipe PPBio produziu vídeos com a intenção de auxiliar pesquisadores e gestores ambientais nas técnicas de amostragem e monitoramento de grupos-alvo. Estes alvos foram selecionados tendo como base as metas a serem monitoradas pelas agências ambientais dentro de programas de pesquisas em UCs, acompanhamento de atividades de concessão madeireira, acompanhamento das atividades de implementação e funcionamento de obras de infra-estrutura e outras que prevêem o monitoramento da biodiversidade.

Inicialmente foram selecionados 5 grupos alvo para levantamento e monitoramento em módulos e grades RAPELD: samambaias, árvores comerciais, sapos, peixes e primatas. Espera-se que a longo prazo, sejam feitos levantamentos de todos os grupos em todos os sítios RAPELD, no entanto isto não é um objetivo viável a curto prazo.

Já estão disponíveis os vídeos: Árvores Comerciais, Samambaias, Sapos, Primatas.

Os vídeos foram narrados por Fernanda Coelho (Árvores Comerciais), Flávia Costa (Samambaias), Pedro Ivo Simões (Sapos), Fabio Rohe e Adriane Morais (Primatas), todos produzidos por William Magnusson.

Os vídeos podem ser vistos através do nosso canal no You Tube http://www.youtube.com/user/PPBioINPA e também podem ser baixados no site PPBio (links abaixo). Os arquivos disponíveis podem ser utilizados para qualquer fim, desde que sejam citados os créditos originais.





Assista no YouTube: Sapos diurnos - Parte 1




Assista no YouTube: Sapos diurnos - Parte 2




Assista no YouTube: Sapos diurnos - Parte 3






Assista no YouTube: Primatas - Parte 1




Assista no YouTube: Primatas - Parte 2







Assista no YouTube: Árvores Comerciais - Parte 1




Assista no YouTube: Árvores Comerciais - Parte 2






Assista no YouTube: Samambaias - Parte 1




Assista no YouTube: Samambaias - Parte 2



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4 de julho de 2011

Reserva Biológica na Amazônia central tem ferramenta online para identificação de espécies


Uma das maiores limitações para o desenvolvimento de estudos básicos ou aplicados na Amazônia é o acesso a material de referência para identificação de espécies. Quem se aprofunda no conhecimento sobre a biodiversidade da região logo se depara com desafiadoras chaves de identificação muitas vezes incompletas e desatualizadas, além de pouco ilustradas e com de linguagem técnica.

A Chave de identificação de Samambaias do Uatumã – Amazônia Central (de Gabriela Zuquim, Hanna Tuomisto, Jefferson Prado e Flávia Costa) é uma ferramenta online para fácil identificação deste grupo de plantas. Com base no Guia de Samambaias e Licófitas da REBIO Uatumã – Amazônia Central, publicado pelos mesmo autores em 2008, a chave é um exemplo de como se beneficiar das novas tecnologias para modernizar a ciência e facilitar o acesso ao conhecimento. Ricamente ilustrada, os termos científicos podem ser facilmente compreendidos através de descrições, ilustrações e fotos.

A elaboração da chave contou com o apoio fundamental das Universidades de Helsinki (UH) e Turku (UTU), ambas na Finlândia e do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio). Publicada somente em inglês, a chave trata de 120 espécies encontradas na grade do PPBio instalada na Rebio Uatumã e arredores. A coleta e registro fotgráfico das espécies foi realizada entre 2006 e 2008 e contou com o apoio do CNPq e do ICMBio.

Comentários, dúvidas etc podem ser feitos através do e-mail fernguide@gmail.com.


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29 de abril de 2011

PELD Sítio 1 – Manaus lança novo site

Acesse no endereço http://peld.inpa.gov.br


O Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD) representa uma iniciativa pioneira no que diz respeito à obtenção de informações sobre aspectos fundamentais para a Conservação da Biodiversidade e Uso Sustentável dos Recursos Naturais dos ecossistemas brasileiros. Foi criado em 1996, no âmbito do Programa Integrado de Ecologia (IPE), e tem como foco o estabelecimento de sítios de pesquisa permanentes em diversos biomas e ecossistemas brasileiros, integrados em uma rede para o desenvolvimento e o acompanhamento de pesquisas ecológicas de longa duração.

O PELD é de extrema relevância para formação de recursos humanos e consolidação da pesquisa em Ecologia do Brasil, pois é um dos poucos programas que financia pesquisa de longo prazo. Ele proporciona a investigação de temas como composição, funcionamento e dinâmica de ecossistemas, e efeitos de mudanças provocadas por perturbações naturais e/ou antrópicas, que tratam de processos ecológicos chaves para o entendimento dos mecanismos e padrões que moldam a biodiversidade do planeta e seus serviços ambientais.

Em 2009 uma nova fase do PELD Brasil teve início com a aprovação pelo CNPq de 26 sítios de pesquisa, sendo 18 sítios novos e 9 sítios que já participavam da fase 1. Além disso, um único projeto foi aprovado para criação de um banco de dados para os dados gerados pelo programa.


No PELD Sítio 1: Floresta Amazônica – Manaus pesquisadores e projetos vinculados ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) atuam em parceria na investigação dos ecossistemas aquáticos e terrestres da floresta tropical úmida. A primeira fase desse projeto correspondeu ao período de 1998 - 2008 e grande parte dos resultados já está disponível no site. Desde 2009, o PELD Sítio 1 encontra-se em sua segunda fase de execução e é coordenado pela pesquisadora do INPA Flávia Costa.

O PELD Sítio 1 é um dos únicos projetos no Brasil que possui um curador de dados responsável pela sua gestão e disponibilização. Esse sítio foi escolhido pela equipe do projeto PELD Banco de Dados como piloto para implantação do sistema por ser um dos únicos que já possui dados disponíveis online.

O site do PELD sítio 1: Floresta Amazônica - Manaus foi criado com a intenção de disseminar as informações sobre o Programa, principalmente seus resultados, de modo que fiquem disponíveis para consultas online.

Esperamos sua visita: http://peld.inpa.gov.br

Qualquer dúvida ou maiores informações entre em contato com nossa equipe através do e-mail: peld.inpa@gmail.com


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25 de abril de 2011

Guia de Zingiberales dos sítios PPBio na Amazônia Ocidental brasileira

Novo guia de identificação do PPBio traz informações sobre biologia, ecologia e evolução de 67 espécies nativas da ordem Zingiberales, que inclui o arumã e várias espécies de helicônias


As florestas amazônicas abrigam grande parte dos ecossistemas florestais remanescentes no planeta, representando uma oportunidade única que a humanidade tem para conciliar conservação biológica com desenvolvimento sócio-econômico. Contudo, ao andar na mata, poucas pessoas realmente conseguem enxergar a diversidade de plantas existente, pois estas possuem diferenças menos nítidas que animais. As árvores chamam atenção por sua imponência, mas abaixo de suas frondosas copas, no sub-bosque, encontra-se uma diversidade de espécies, formas e estratégias evolutivas nem sempre óbvias para os visitantes.

Com o intuito de ampliar a percepção sobre a biodiversidade Amazônica e de incentivar estudos sobre plantas do sub-bosque, está sendo lançado o Guia de Zingiberales dos sítios PPBio na Amazônia Ocidental brasileira, produzido por Flávia R. C. Costa, Fábio Penna Espinelli e Fernando O. G. Figueiredo, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Segundo os autores, "nossa intenção com este livro é tirar as espécies do 'tapete verde' e trazê-las para os olhos de quem quiser vê-las". O guia pode ser considerado uma versão expandida do Guia de Marantáceas da Reserva Ducke e da REBIO Uatumã – Amazônia Central (lançado em 2009 em formato digital), pois inclui as outras quatro famílias nativas de Zingiberales (Heliconiaceae, Costaceae, Strelitziaceae e Zingiberaceae) e ainda inclui novos sítios de amostragem, que se estendem de Rondônia até Roraima, passando pela Amazônia Central.

Para dar uma olhada no Guia de Zingiberales, folheie as páginas abaixo ou clique neste link.

Para baixar o Guia de Zingiberales em PDF, clique aqui [12,2 MB].


Saiba mais sobre as Zingiberales
Zingiberales é um grupo de plantas que faz parte da linhagem das monocotiledôneas (milho, arroz, cana-de açúcar, capins, bromélias, palmeiras e orquídeas, por exemplo). As Zingiberales são amplamente cultivadas nas regiões tropicais de todo mundo, tanto para fins ornamentais, como as helicônias, quanto para fins alimentícios, como a banana e o gengibre (ou mangarataia, como é chamada na região amazônica). Na Amazônia destaca-se o arumã, uma espécie com grande importância econômica para muitas comunidades indígenas e ribeirinhas, pois é a principal fonte de fibras utilizadas na confecção de tapetes e cestos artesanais por grupos indígenas.


Veja algumas fotos e ilustrações que compõe o Guia de Zingiberales

A dificuldade que muitos estudantes têm em estudar ciências biológicas geralmente está relacionada ao vocabulário, que além de extenso é muitas vezes mal explicado. No Brasil, existe pouco material de consulta que sirva como uma introdução sucinta aos diferentes grupos biológicos e, ao mesmo tempo, trate de espécies que podem ser encontradas em ambientes próximos. Assim, muitos estudantes não apreciam a diversidade de vários grupos simplesmente por falta de acesso à informação. Segundo Flávia Costa, muitos de seus alunos não podiam imaginar que existissem tantas espécies de ervas na floresta, mas no momento em que as espécies ganharam nomes e suas características únicas foram destacadas, a floresta passou a ser mais povoada do que nunca.

Um grande diferencial do guia é o esforço dos autores em apresentar as informações em linguagem simplificada, evitando jargões científicos sem, contudo, perder precisão. Como é a reprodução, qual seu papel ecológico, como ocorreu a evolução do grupo, qual sua utilidade para o homem e aspectos relacionados à conservação, são alguns dos temas abordados na primeira parte do guia, permitindo que seja usado como referência em cursos básicos de botânica. A segunda parte é composta por pranchas ilustrativas de cada umas das 67 espécies nativas encontradas nas áreas de estudo, fotografadas tal como as encontramos na natureza. As pranchas são acompanhadas de descrições das principais características morfológicas, notas sobre o ambiente em que ocorrem, história natural, distribuição geográfica e dicas de campo. Ao final, o leitor terá a oportunidade de usar um glossário ilustrado que facilita a compreensão de alguns termos técnicos das estruturas das plantas e uma chave dicotômica de identificação das famílias e espécies tratadas no guia, construída preferencialmente sobre as características vegetativas das plantas.

Por que produzir guias de campo?
Existem inúmeras razões para justificar a urgente necessidade de se investir na criação de guias de campo, desde a importância econômica dos organismos até a possibilidade de levar ao público o encanto de grupos biológicos fascinantes, estimulando a curiosidade que as pessoas têm sobre a natureza. Contudo, além de atingir um público amplo, guias são importantíssimos para facilitar a identificação das espécies que ocorrem na Amazônia, contribuindo para aumentar a qualidade de trabalhos técnicos (p.ex., Estudos de Impacto Ambiental), de dissertações e teses de pós-graduação e auxiliar no manejo e extração de recursos florestais. "Reconhecer os organismos é a primeira etapa de qualquer estudo biológico", afirmam os autores.

Os ecossistemas florestais na Amazônia são compostos de milhares de espécies desconhecidas pela ciência: estima-se que existam ainda cerca de 50.000 espécies de plantas para serem descritas na região. Além dessa enorme carência no conhecimento sobre a diversidade botânica, as informações acumuladas não estão disponíveis para a maioria das pessoas, pois estão contidas em trabalhos técnicos distribuídos de forma fragmentada em bibliotecas e herbários. A identificação das espécies do guia contou com um intenso levantamento bibliográfico, pesquisa nos principais herbários da região Norte e a colaboração de especialistas no grupo. Mesmo assim, segundo José Eduardo Ribeiro, pesquisador da Universidade de Londrina (UEL), "a presença de vários táxons determinados somente até o nível genérico, por exemplo, em nada diminui a qualidade do trabalho, apenas confirma, como os próprios autores apontam, nossa grande ignorância quanto à diversidade de plantas amazônicas, além da urgente necessidade de estudos taxonômicos e amostragens mais intensas que permitam que essas espécies sejam adequadamente levantadas, delimitadas e descritas". José Eduardo assina o prefácio do livro e tem uma vasta experiência em guias de campo, pois ajudou a coordenar o guia mais importante já feito na Amazônia brasileira, a Flora da Reserva Ducke - Guia da identificação das plantas vasculares de uma floresta de terra-firme na Amazônia Central, que se tornou referência no mundo todo.

O Guia de Zingiberales é o quinto de uma série de guias de campo bilíngües (Português e Inglês) produzidos com o incentivo do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio/MCT), sob os cuidados gráficos da Áttema Design Editorial. A série foi inaugurada pelo "Guia de Sapos da Reserva Ducke" e teve continuidade com o "Guia de Lagartos da Reserva Ducke", "Guia de Samambaias e Licófitas da REBIO Uatumã" e o "Guia de Marantáceas da Reserva Ducke e da REBIO Uatumã – Amazônia Central".

Espera-se que os guias sirvam de incentivo para trabalhos de pós-graduação, de iniciação científica e de cursos de campo, assim como estimulem a percepção da biodiversidade amazônica em turistas e alunos de escolas do ensino médio. Além de disponíveis para download no Portal PPBio (http://ppbio.inpa.gov.br/Port/guias/), versões impressas desses guias foram ou serão distribuídas gratuitamente para escolas, universidades e bibliotecas em todo Brasil.

Os autores do Guia de Zingiberales aguardam a publicação da versão impressa e por enquanto a obra estará disponível em formato eletrônico (PDF).

Não deixe de conferir!


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10 de fevereiro de 2011

Clima, biodiversidade e uma perspectiva mais ampla

O clima tornou-se tão dominante no discurso sobre a política ambiental que pode parecer que é a única questão que importa. Contudo, o papel positivo da conservação da biodiversidade pode ajudar a dinamizar as ações públicas.

Por Tim Hirsch (RSA Comment, 9 fevereiro 2011)*


Pergunte a um cidadão mediano, bem informado para nomear a ameaça ambiental mais importante vigente para as sociedades humanas e é bem provável que ele diga que é a alteração climática. De fato, é comum que as pessoas usem o termo mudança climática e meio ambiente de forma intercambiável.

Já em 2005, o Millennium Ecosystem Assessment concluiu que as mudanças climáticas eram apenas um dos cinco principais fatores responsáveis pelas ameaças aos benefícios que derivam dos serviços ecossistêmicos ao planeta. Estes serviços incluem solos férteis, a purificação do ar e da água e proteção contra catástrofes como inundações e tempestades.

Enquanto o clima tende a se tornar um assunto cada vez mais dominante, a degradação que os ecossistemas testemunharam até agora resultou em grande parte de outros processos: perda e fragmentação de habitat, superexploração (especialmente o excesso de pesca), poluição e introdução de espécies exóticas invasoras.

O Terceiro Panorama da Biodiversidade Global (GBO3), publicado no ano passado, concluiu que todos esses processos eram constantes ou iam aumentar de intensidade, resultando na incapacidade de cumprir a meta de 2010 de obter significativa desaceleração da perda de biodiversidade. As consequências para o bem-estar foram enunciadas nitidamente nessa publicação, especialmente o aumento do risco de ultrapassar vários pontos de ruptura que, catastroficamente, podem reduzir a capacidade dos ecossistemas para atender às necessidades humanas.

Estas incluem a secagem rápida da floresta Amazônica, afetando lavouras de chuvas em toda a América do Sul e agravando o aquecimento global; o colapso dos recifes de corais, afetando a vida de cerca de meio bilhão de pessoas; e a "morte" de lagos devido ao acúmulo de nutrientes como fósforo e nitrogênio.

Enquanto isso possa soar como ainda mais desgraçada e triste, uma mensagem positiva se esconde dentro do GBO3 e outros relatórios recentes que enxergaram "além da mudança climática": alguns dos piores impactos das mudanças climáticas não parecem tão inevitáveis assim se nós reconhecermos toda a gama de pressões sobre os ecossistemas e coordenar uma ação agressiva para lidar com todos eles.

Proteger os ecossistemas irá tanto retirar mais carbono da atmosfera (atenuando a escala das mudanças climáticas), quanto prezar que ecossistemas mais diversificados e resilientes sejam mais capazes de se adaptar e lidar com as mudanças climáticas, já que é tarde demais para se impedir.

O exemplo mais óbvio do primeiro benefício é o valor de se evitar o desmatamento tropical, que é estimado entre 15% e 20% das emissões globais de gases de efeito estufa. No entanto, muitos outros tipos de ecossistemas desempenham um papel essencial na manutenção da retirada de carbono da atmosfera. Por exemplo, um relatório do Programa Ambiental da ONU em 2009, estima que as formações costeiras como manguezais, restingas e equivalentes capturam "carbono azul" equivalente a quase metade das emissões anuais do setor de transporte global. Essas formações também são críticas como berçários para muitas espécies pesqueiras comercialmente importantes (todos estão a desaparecer rapidamente, devido a várias formas de desenvolvimento costeiro).

A necessidade de uma abordagem coordenada é ainda mais convincente quando a biodiversidade é vista como uma espécie de apólice de seguro contra as mudanças climáticas. Independentemente de quão agressivamente nós combatamos as emissões de combustíveis fósseis, estaremos quase que certamente comprometidos com décadas de aquecimento a partir do que já foi bombeado para a atmosfera. Então, precisamos ser fatalistas sobre os impactos?

Talvez não, se reconhecermos a importância dos ecossistemas resilientes em tempos difíceis. Pegue os recifes de coral: podemos estar atrasados demais para evitar o "branqueamento" significativo proveniente do aquecimento das águas do mar e dos danos decorrentes da acidificação do oceano, resultado de maiores concentrações de dióxido de carbono na atmosfera. Contudo, se pudermos facilitar outras pressões que atacam os recifes (a sobrepesca, a poluição, deposição de sedimentos vindos da erosão do solo e assim por diante), nós podemos dar-lhes uma possibilidade de luta de sobrevivência.

Na Amazônia, as alterações climáticas são apenas parte de uma tempestade perfeita que pode empurrar o sistema além dos limites. De acordo com um estudo recente do Banco Mundial, esforços realmente sérios para reduzir o desmatamento, recuperar áreas que foram perdidas ou degradadas, e reduzir drasticamente a utilização de fogo, podem impedir o colapso do maior sistema de floresta tropical do mundo.

Este padrão pode ser visto repetidamente em uma gama de sistemas em todo o planeta, da desertificação no Sahel na África até a destruição de ecossistemas costeiros causada pelo aumento no nível do mar e pelos danos das tempestades. Focando nas múltiplas ameaças que enfrentamos, poderia dar-nos tempo até que as soluções de baixo carbono comecem a fazer a diferença na velocidade das mudanças climáticas.

A biodiversidade pode também tornar as sociedades humanas mais resistentes às mudanças climáticas . A diversidade genética de plantas selvagens e domesticadas, e também de criações, nos fornece opções para lidar com coisas como a seca e as doenças emergentes, que estarão mais propensas a atacar se permitirmos que as paisagens e os sistemas agrícolas se tornem cada vez mais uniformes e homogeneizados.

Precisamos de uma abordagem às mudanças climáticas que veja o panorama mais amplo, ao invés de usar a visão estreita focada na energia, que tende a levar a distorções e resultados perversos. Um dos exemplos mais claros tem sido o alvo para impulsionar a utilização de biocombustíveis que estimulam o desmatamento de florestas tropicais asiáticas para crescer monoculturas de dendê. Isso é desastroso para a biodiversidade e é, em última análise, auto-destrutivo para o clima, pois as emissões da perda de florestas e turfeiras podem superar quaisquer benefícios de um menor uso de petróleo em veículos.

O mesmo pode ser verdade para algumas grandes barragens construídas para a energia hidrelétrica renovável. Além da biodiversidade de água doce sob maior ameaça (com declínio mais rápido do que qualquer outro tipo), as hidrelétricas podem acabar tão prejudiciais ao clima quanto os combustíveis fósseis, devido às emissões de metano e ao desmatamento associado.

Existe aqui uma mensagem clara para o público e tomadores de decisão que possa avançar o debate sem causar mais confusão e desamparo?

Tomar medidas para salvaguardar a biodiversidade pode levar a resultados em nível local que são muito mais tangíveis para as pessoas do que fazer a sua parte para reduzir as mudanças climáticas. A restauração da vida selvagem em um lago local, o retorno de flores selvagens e borboletas em um parque urbano, são tipos de eventos que podem levar a melhorias na qualidade de vida e que podem ser vistas aqui e agora, não através de uma promessa ou imaginação do futuro.

A mensagem é que a conservação, o uso sustentável e a restauração da biodiversidade não são apenas agradáveis para seu próprio bem, mas representam um investimento essencial para a infra-estrutura natural que irá ajudar a sustentar comunidades e meios de subsistência resilientes nas próximas décadas. Envolver o público nesta visão mais ampla pode ajudar a contrapor o fatalismo que tende a tornar a luta contra as mudanças climáticas difícil e sem esperança.

***

Tim Hirsch é jornalista e consultor. Ele foi consultor editorial e escritor da Millennium Ecosystem Assessment, da Convenção sobre Diversidade Biológica e do estudo The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB).


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3 de dezembro de 2010

Projeto Carbono Suruí e lançamento do Google Earth Engine

Vídeo sobre o lançamento do Google Earth Engine, uma nova ferramenta que possibilita o processamento de um grande volume de imagens de satélite em segundos.




Com ela é possível rodar programas de monitoramento da cobertura florestal de desmatamento ou distúrbio florestais, como o CLASlite (Carnegie Institution for Science) e o Sistema de Alerta do Desmatamento (IMAZON).

Gabriel Carrero, pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Idesam, apresentou em conjunto com Gregory Asner do Carnegie o exercício realizado na Terra Indígena Sete de Setembro utilizando o software CLASlite, e falou do potencial que essa nova ferramenta em plataforma online possibilitará no processamento rápido dos dados para projetos de REDD+.

Gabriel Carrero (foto) apresentou os resultados do exercício realizado com os Suruí em Rondônia


Além de apresentações explorando o potencial do Google Earth Engine foi realizado um workshop no uso do Open Data Kit para monitoramento florestal em campo. O Idesam realizou outra apresentação, dessa vez sobre do inventário piloto de carbono florestal utilizando o ODK na Terra Indígena Sete de Setembro, dos índios Suruí. Foram apresentados os métodos de campo, possíveis melhorias e as recomendações para o uso da tecnologia para esse fim. Como conclusão o uso do ODK demanda a metade do tempo para a produção de dados de biomassa e carbono florestal, não pelo tempo economizado na coleta de campo, mas salvo com o processamento dos dados após a coleta. O trabalho do Idesam, em parceria com a ACT-Brasil e a Associação Metareilá do Povo Suruí e com apoio a Fundação Moore, foi pioneiro no teste da tecnologia, além de contar com os próprios indígenas Suruí para a coleta de dados.

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12 de outubro de 2010

Os órfãos do Rio e a Sociedade Internacional para a Conservação de Fungos

Tradução livre do post Fungi: the orphans of Rio de David Minter*

4 de outubro de 2010

*Presidente da Associação Europeia de Micologia

É difícil exagerar na ênfase dada à importância dos fungos. Seu bem-estar é necessário para a vida sustentável neste planeta. Sem eles, estamos acabados. Para dar apenas um exemplo, os fungos são os recicladores da natureza. Como os coletores municipais de resíduos empregados para remover o lixo, nós não os notamos até que, por alguma razão, eles parem de trabalhar. Mas é assustador pensar que parar é algo que os fungos poderiam possivelmente fazer.

Os cientistas sabem há mais de 100 anos que, como animais e plantas, os fungos também são afetados pelas atividades destrutivas da humanidade. Já existem evidências de que as populações de muitas espécies estão em declínio: o impacto da poluição do ar sobre os fungos que formam líquenes é particularmente bem documentado. Embora ainda não haja informações suficientes sobre o estado de conservação de fungos, não há razão para supor que eles sejam menos vulneráveis do que outros grupos de organismos à perda de habitat e às mudanças climáticas.

Contudo, a consciência pública da importância dos fungos é muito baixa, até porque a biodiversidade - a diversidade plena e maravilhosa da vida - ainda é amplamente retratada como "flora e fauna" ou "animais e plantas". Estas descrições simplistas e enganosas podem ser encontradas até em sites de grandes instituições biológicas e sociedades científicas. A biodiversidade é muito mais do que os animais e as plantas. A classificação da vida em cinco reinos, que reconhece os fungos em um reino próprio, tem sido geralmente aceita pelos cientistas pelo menos desde 1970. Com uma estimativa de 1,5 milhão de espécies de fungos no planeta e uma presença em todos os principais ecossistemas de água doce, marinhos e terrestres, o reino dos fungos é megadiverso. Há muito mais
fungos do que todas as plantas e os vertebrados juntos. Ignorá-los não é uma opção sensata.

O movimento mais amplo de conservação, no entanto, permanece em grande parte sem conhecimento da necessidade de conservar os fungos. Habitats prioritários para conservação, tais como hotspots de biodiversidade, são quase sempre definidos com base em aves, mamíferos e na diversidade de plantas com flor. Os fungos não ganham nem uma lembrança. Isto significa que os habitats ricos em diversidade de fungos não são considerados e permanecem desprotegidos. A maioria dos planos de manejo de unidades de conservação não leva em conta os fungos. Os fungos são frequentemente tratados como parte do problema ao invés de serem reconhecidos como os que precisam de proteção. Em muitos países, não há proteção legal explícita para fungos.

Esta falta de consideração dos fungos foi evidente na Convenção do Rio sobre a Diversidade Biológica (CDB). Notavelmente, a CDB estabeleceu o direito à proteção a todas as formas de vida - e "todas as formas de vida" inclui fungos - mas seu texto classifica a biodiversidade como "animais, plantas e microrganismos", ou seja, dois reinos taxonômicos e uma terceira categoria definida pelo tamanho. Os fungos não pertencem ao reino animal nem ao vegetal, mas eles não incluíram nos cálculos alguns dos maiores indivíduos que vivem na Terra. Uma colônia geneticamente uniforme do cogumelo Armillaria
ostoyae na Floresta Nacional de Malheur no estado de Oregon cobre uma área de quase nove quilômetros quadrados, tornando-se muito maior do que a baleia azul ou qualquer uma das grandes sequóias. O termo microrganismo - a terceira categoria - portanto, não parece adequado.

Fungos simplesmente não se encaixam nessas definições inadequadas da CDB e por isso estão sofrendo as consequencias. O direito à proteção foi estabelecido, mas a Convenção não fornece estrutura para garantir que isso aconteça. Muitos planos de ação nacionais para a biodiversidade produzidos em resposta à Convenção deixaram de considerar os fungos
absolutamente. Os poucos que costumam considerá-los, os tratam como 'plantas inferiores' - um canto obscuro da Botânica. O ano de 2010 foi designado pela CDB como o Ano Internacional da Biodiversidade, mas nenhum fungo aparece no logotipo, nem os fungos são mencionados no vídeo promocional. Esta é uma evidência convincente e pública do fracasso completo pela CDB para proteger estes organismos extremamente importantes. Como David Hawksworth, um dos maiores especialistas mundiais em fungos, falou de forma tão eloquente, os fungos são de fato "os órfãos do Rio".

Agora, finalmente, algo está sendo feito para cobrir esta lacuna enorme no mundo da conservação. No dia 6 de agosto de 2010 no Royal Botanic Garden, em Edimburgo, uma reunião especial foi organizada para analisar o problema. Cientistas de 21 países participaram, contando com mensagens de apoio e interesse de muitos outros, totalizando mais de 40
países representados. Além disso, havia mensagens de apoio de uma série de sociedades científicas, ONGs e representantes nacionais do Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e Tecnológico da CDB (os cientistas que aconselham a Convenção do Rio). Depois de uma discussão animada, houve consenso generalizado de que tinha chegado o momento de criar a Sociedade Internacional para a Conservação de Fungos.

Esta nova sociedade já criou um site, mas até que a Constituição seja aprovada e um sistema de governo seja criado, não pode haver uma política formal.

As notas
seguintes são ideias meramente especulativas e experimentais sobre rumos gerais. Elas estão longe de estar completas, mas já está claro que a sociedade terá que trabalhar em pelo menos quatro áreas: infra-estrutura, educação, ciência e política.

1. Infra-estrutura. A Sociedade terá de começar a angariação de fundos. Pouco pode ser alcançado sem recursos. A sociedade deve promover e apoiar os esforços para estabelecer uma rede de sociedades de conservação de fungos com atuação em diferentes níveis (continental, nacional e local). Em particular, deve envolver os cientistas que trabalham com fungos que formam líquenes, que em muitos aspectos têm mais experiência de conservação do que aqueles que trabalham com outros fungos. Atualmente, a conservação de fungos é apoiada principalmente por ecólogos, taxonomistas e amadores. A sociedade precisa sensibilizar os cientistas que trabalham em laboratório com fungos, por exemplo no campo da genômica, de que os seus conhecimentos e experiência são relevantes para o movimento e que eles também têm a responsabilidade de promover a conservação. A sociedade deve procurar sensibilizar os curadores de coleções de fungos do importante papel destas entidades para a conservação ex situ de fungos. A Sociedade poderá também estabelecer ligações com outras organizações que promovem a conservação de grupos ignorados e pouco valorizados de organismos, de modo que a experiência e os recursos possam ser agrupados.

2. Educação. A Sociedade terá de trabalhar com as sociedades científicas micológicas para sensibilizar o público em geral e os seus governos sobre a importância dos fungos, para promover o ensino da micologia em todos os níveis da educação, e desenvolver sites educativos e outros recursos adequados para este objetivo.

3. Ciência. A Sociedade vai trabalhar para identificar, classificar e divulgar ameaças aos fungos, e para identificar áreas importantes para fungos (coldspots e hotspots) e para organismos associados, e avaliar impactos na sociedade humana que podem ocorrer como resultado do declínio da população
e extinções de fungos. A Sociedade promoverá ainda a perspectiva de que, sem levar em conta os fungos, a abordagem de ecossistema para a conservação está severamente comprometida, a ponto de ser inválida. Isto implicará na sensibilização de que os fungos são componentes essenciais dos ecossistemas.

4. Política. A Sociedade desenvolverá políticas e competências políticas, sempre que possível, aprendendo com as experiências das sociedades de conservação. A Sociedade procurará sensibilizar a importância dos fungos entre os Pontos de Foco Nacional da CDB, e também buscará envolver os governos que não são signatários da CDB, tornando-os conscientes da importância da conservação de fungos. A Sociedade procurará levantar o perfil dos fungos, em parte através de uma campanha para incentivar as instituições e as sociedades científicas biológicas a garantir que a linguagem utilizada em seus materiais promocionais reflitam adequadamente a real importância dos fungos. Isto tenderá, por exemplo, a desencorajar o uso da linguagem que causa confusão dos fungos com as plantas (por exemplo, Botânica não inclui Micologia, fungos não são 'plantas inferiores', eles não são parte de uma 'flora', etc.). O uso do termo "biodiversidade" como uma abreviação para se referir a animais e plantas também será desencorajado.

A sociedade deverá, finalmente, trabalhar para promover a representação por micólogos em organismos envolvidos com biodiversidade e conservação. Se os fungos são os "órfãos do Rio", então a Micologia, como uma órfã, compartilha pouco da riqueza da família (micólogos ficam normalmente escondidos em departamentos obscuros de instituições botânicas, ficando com uma parte muito pequena dos recursos) e raramente é consultada sobre questões familiares pelas ciências biológicas. Iniciativas focadas em
biodiversidade deveriam envolver sempre micólogos como parceiros desde sua concepção. Atualmente, em geral isso não acontece.

Os desafios para a conservação de fungos são assustadores, mas o assunto é demasiado importante para ser ignorado. Quase que inacreditavelmente, a Sociedade Internacional para a Conservação de Fungos parece ser o primeiro grupo em todo o mundo exclusiva e expressamente dedicado à proteção dos fungos. O estabelecimento foi um acontecimento importante e histórico para o mundo da conservação, mas é
apenas um primeiro passo. A sociedade é nova, pequena e inexperiente, e tem um enorme trabalho a fazer. Ela agora precisa de ajuda consistente, entusiasta e generosa, e apoio de outros agentes de conservação e de todos os que entendem a necessidade urgente de proteger os "órfãos do Rio".

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Tradução livre do texto original (Fungi: the orphans of Rio) por Ricardo Braga Neto

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8 de setembro de 2010

Parque Nacional do Viruá no Globo Universidade

No dia 21 de agosto de 2010, foi ao ar um programa Globo Universidade sobre pesquisas taxonômicas e ecológicas no Parque Nacional do Viruá, tendo como temas um curso de identificação botânica com o pesquisador Mike Hopkins (INPA) e entrevistas sobre sapos, cobras e lagartos (Marcelo Gordo - UFAM, Rafael de Fraga - INPA), peixes (Julio do Vale - INPA) e aves (Thiago Orsi - ex-INPA, atual ICMBio). O resultado foi um excelente programa de popularização das pesquisas em biodiversidade na Amazônia!


O Parque Nacional do Viruá tem cerca de 230.000 ha e está localizado no município de Caracaraí (RR). Em 2011, o parque deve abrir suas portas para a visitação pública e já tem muito a oferecer. O Viruá possui uma grade de pesquisa do PPBio instalada desde março de 2006. Lá já foram feitas diversas pesquisas, com destaque para serpentes e lagartos, primatas, mamíferos de médio e grande porte, besouros, formigas, peixes, vários grupos de plantas (herbáceas, Zingiberales, pteridófitas e lianas), além de muitas variáveis ambientais e ecossistêmicas que ajudam a descrever ecologicamente os ambientes do parque.

Veja aqui as pesquisas feitas no PARNA Viruá na grade do PPBio.


Grade de 25 km2 no Parque Nacional do Viruá. As linhas representam as trilhas do sistema RAPELD, adotado pelo PPBio e parceiros, padronizadas e com marcação a cada 100m; os pontos pretos são parcelas terrestres, distribuídas regularmente a cada 1 km. As pesquisas são feitas tanto nas trilhas quanto nas parcelas.


Para conhecer mais, visite:

Contato no Parque Nacional do Viruá:

  • Antonio Lisboa (ICMBio)
+55 (95) 3623-9513 | lisboa.ibama@gmail.com


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28 de agosto de 2010

TEDx Amazônia : Qualidade de vida para todas as espécies do planeta

O TEDx Amazônia reunirá pensadores de diversas áreas de conhecimento para falar sobre suas melhores ideias em palestras de 5 a 15 minutos. O tema desta primeira edição do evento será 'Qualidade de Vida para todas as espécies do planeta'.

O TEDx Amazônia acontecerá em novembro de 2010 e será gratuito.




Para saber mais, acesse: http://www.tedxamazonia.com.br/


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4 de agosto de 2010

Franciscanos do século XXI

Por João Vitor Campos e Silva

Ei biólogo, quanto vale vosso serviço? Uma pergunta difícil não? E, no entanto, não deveria ser!

Deveríamos ter na ponta da língua a importância e o valor de nossas atribuições. Tanto o valor econômico quanto o valor técnico, já que se trata de uma profissão propulsora da ciência e que se tornou fundamental para o desenvolvimento desse País!

Acontece que o problema vem de longe e nas curvas do tempo enraizou-se. O polivalente naturalista Alexander Von Humboldt, por exemplo, descobridor de tantas espécies, responsável pela confecção de dezenas de mapas das florestas e rios sul-americanos, ganhador de centenas de prêmios acadêmicos, considerado um dos maiores cientistas pela Sociedade Real inglesa e aclamado por acadêmicos alemães deveria ser bem pago para executar suas fabulosas expedições não é verdade?

Pois saibam que o que financiou sua mega viagem pela América Latina foi a estrondosa herança que recebeu por ser filho de um aristocrata! Assim foi também com Charles Darwin que, provavelmente, só conseguiu sistematizar sua revolucionária teoria por ser membro da burguesia! Isso jamais arranharia sua genialidade, mas nos faz compreender um pouco a situação do biólogo contemporâneo. Somos os sucessores desses antigos devotos da natureza que estruturaram grande parte do conhecimento científico, muitas vezes, à custa de suas fortunas particulares!

Mas e os que não possuíam as estrondosas heranças? Ora... passavam as mesmas dificuldades que passamos hoje enquanto bolsistas! Vejamos o caso de Alfred Russel Wallace. O biólogo britânico passou por ácidos momentos em sua carreira, dependendo as vezes da venda de insetos que coletava para garantir o sagrado pão do dia a dia (se fosse hoje seria preso por biopirataria!).

Em pleno século XXI o cenário é outro obviamente, mas no âmago da situação observamos particularidades muito semelhantes. O curso de Ciências biológicas ainda é um curso bastante elitista onde grande parte dos alunos recebe uma forte ajuda familiar para finalizar os estudos. E os que não possuem uma família abastada, sobrevivem não vendendo insetos, mas se virando!

Lembro-me que quando fazia parte do Centro Acadêmico organizava diversos eventos onde expoentes da Academia brasileira eram convidados para palestrar. Na esmagadora maioria das ocasiões os palestrantes cobravam apenas a passagem e a estadia. Quando indagados sobre essa nobre benevolência, eles disparavam: “Não recebo nada mas posso conhecer lugares e pessoas diferentes”. Ora ora ora... Quantos advogados, engenheiros, médicos ou administradores estão por aí palestrando de graça? Realmente não faz parte de nossa formação o pensamento mercadológico, sequer conseguimos valorar nossas atividades. Frente ao mercado andamos como antigos franciscanos subsistindo com nossa valiosa informação acerca do mundo.

Isso é ruim? Depende!

É muito louvável um conjunto de valores que questionam o atual modelo de desenvolvimento, de consumo e até de felicidade. Mas se quisermos enfrentar o mercado, temos que nos preparar para isso. Os alicerces com essa gama de valores que acreditamos ser essencial para um mundo melhor devem ser mantidos, mas devemos nos munir com algumas “armas” do mundo capitalista também. A questão não é de entrar no jogo sujo do dinheiro, mas sim de luta por uma qualidade de vida melhor!

Devemos investir na divulgação do que somos capazes, na Universidade temos que trabalhar por disciplinas que nos abram a visão para o mercado. A academia deve romper a barreira do preconceito e da prepotência e protagonizar um diálogo com o setor empresarial e governamental. Em todos os setores existem pessoas boas sonhando com um mundo mais justo e mais agradável. Devemos unir forças, já que muitas vezes nossos objetivos têm a mesma diretriz.

O biólogo será mais valorizado quando os muros das universidades e instituições de pesquisas forem transpostos para que a sociedade, em geral, possa reconhecer a importância e a nobreza dessa profissão. Podemos começar assumindo o compromisso de publicar nossas teses e dissertações não apenas em revistas científicas especializadas, mas também em outros veículos de informação populares, para que a dona de casa, o pedreiro ou o gari, também tenham acesso aos nossos mirabolantes resultados.

Tempos atrás me deparei com uma questão que me deixou abismado com nossa classe. Um conhecido me confessou que estava feliz da vida, pois estava bem financeiramente a custa de consultorias, eis que num determinado momento da conversa o segredo de sua ascensão financeira foi revelado: “o negócio é juntar os biólogos e pechinchar... muitos deles trabalham quase de graça, aí o grosso da grana vem pro meu bolso!” Pasmem pessoal!!!! Ele também é um biólogo! Essa falta de cooperação e auto-desvalorização endossa o caldo da amargura enfrentada pelos colegas de profissão desvalorizados. Devemos ser fortes ao negar pseudo-salários provenientes de consultorias sujas! Não devemos aceitar com apatia um salário de 400 reais! Alguns professores de biologia ganham isso!

Realmente se quisermos ver nossa profissão valorizada, devemos, primeiramente, valorizar o profissional que há dentro de nós!



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