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16 de julho de 2009

Assista à entrevista com Adalberto Val no Roda Viva

Segue abaixo um vídeo veiculado pela IPTV Cultura (http://www.iptvcultura.com.br/) com os melhores momentos da entrevista com o diretor do INPA, Dr. Adalberto Val, no programa Roda Viva de 06/07/09.


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7 de julho de 2009

Pesquisadores descobrem novo macaco na rota da BR-319

Rodovia, que liga Porto Velho a Manaus, corta ‘coração’ da floresta. Cientista teme que reforma da estrada prejudique animal recém-descoberto.

Por Iberê Thenório [Globo Amazônia, 07/07/09]

Uma nova subespécie de macaco acaba de ser descoberta no Amazonas e já corre risco. O pequeno primata, batizado cientificamente como Saguinus fuscicollis mura, foi encontrado entre os rios Madeira e Purus, justamente sob o traçado da rodovia BR-319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM). A rodovia, que hoje está abandonada e intransitável, tem a reforma prevista no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). A obra aguarda apenas a licença do Ibama para começar, e ambientalistas afirmam que a estrada poderá trazer uma devastação sem precedentes para a região.

O nome mura, dado pelo ecólogo Fábio Rohe, autor da descoberta, é uma homenagem aos índios muras, que viviam próximos ao lugar onde o macaco foi encontrado. A escolha, segundo o cientista, serve para dar um alerta. “Os mura foram muito prejudicados pelos brancos. De certa forma, eles representam a resistência da natureza ao mundo civilizado”, conta o cientista, que trabalha na WCS Brasil (Wildlife Conservation Society) dentro do Programa Conservation Leadership Programme (CLP).

Bicho versátil

A descoberta do novo macaco ocorreu em 2007 durante uma expedição de um grupo de cientistas ligados à rede Geoma. De acordo com Rohe, o bicho é conhecido pelos moradores da região, mas ninguém sabia que se tratava de uma nova subespécie, já que ele é semelhante a outros macacos amazônicos, todos chamados genericamente de sauim ou choim.

Depois de comparar cores, medidas e localização de pelo menos 13 parentes próximos do mamífero, o pesquisador comprovou que o animal era uma variação da espécie Saguinus fuscicollis, e a descrição da subespécie foi publicada na revista científica International Journal of Primatology em junho deste ano.

O novo macaco é pequeno. Tem em média 23 cm de altura, 31 cm de rabo e pesa 350 gramas. Segundo Rohe, o sauim é um bicho versátil, que consegue sobreviver tanto em matas densas quanto em florestas ralas, como as que margeiam os campos naturais ao longo da BR-319. Ele consegue se alimenta principalmente de insetos e de frutas.

Estradas, usinas e gasoduto

Não é apenas a reforma da rodovia que gera temor entre os biólogos que trabalham na Amazônia. A construção das usinas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, e o projeto do gasoduto Urucu-Porto Velho também assustam os estudiosos do meio ambiente, que preveem uma corrida de migrantes para o sul do Amazonas.

"Não sabemos ainda quais serão as consequências da obra [das usinas] para o curso do Madeira. Além do desmatamento, a obra vai fazer com que mais pessoas vão morar na região”, alerta o cientista da WCS. “Mas certamente, se não houver um trabalho de fiscalização sem precedentes no Brasil, a BR-319 será a veia de destruição da Amazonia central brasileira."

Nova gralha

Uma espécie de gralha também foi descoberta recentemente no traçado da BR-319, e corre ainda mais risco do que o macaco. Como ela consegue viver apenas nos ambientes de transição entre os campos naturais e a floresta, pode ser muito prejudicada pelas queimadas que passarão a ocorrer na região.

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26 de abril de 2009

De Humaitá a Manaus: audiências públicas sobre a rodovia BR-319

"Os pioneiros estão indo a pé, carregados de coragem e esperança. E estão transformando a Amazônia: a floresta está sendo vencida, as primeiras colheitas brotam no inferno verde, o ronco das máquinas marca o ritmo da integração nacional. E as estradas avançam: até dezembro, a ligação rodoviária estará completada e o primeiro veículo entrará por terra em Manaus. Qualquer que seja êsse veículo, estaremos nêle. Os pistões, pinos e bronzinas Metal Leve movimentam todos os motores que trabalham para o desenvolvimento nacional."

Transcrito de uma propaganda do início da década de 70, o trecho romantiza uma demanda antiga: a integração nacional da Amazônia através da rodovia BR-319. Entretanto, seu conteúdo transparece um desconhecimento crônico da região, como se o desenvolvimento nacional estivesse atrelado à conquista do inferno verde. Não, a floresta não é um inferno e nem precisa ser vencida para integrar os estados do Amazonas e de Roraima com o restante do Brasil. E nunca seria.

A história da BR-319 evidencia um processo interessante: a rodovia, concluída e liberada ao tráfego em meados de 1973, foi dissolvida pouco tempo depois pelas chuvas e pelo abandono. O asfalto acabou se tornando uma futilidade perecível, pois o fluxo de pessoas e mercadorias seguiu o curso do Rio Madeira, que corre paralelamente pela extensão da rodovia, de Porto Velho a Manaus. Como estradas acabam facilitando o desmatamento e a ocupação desordenada na Amazônia, as melhores consequências do abandono da BR-319 podem ser confirmadas pelas imagens de satélite: a maior parte do entorno da rodovia possui poucos ambientes desmatados.

Contudo, há alguns anos a recuperação da rodovia tem sido o prato principal do ministro Alfredo Nascimento, de quem dizem ter grande apetite pela eleição estadual do Amazonas. Armados com promessas vazias sobre um suposto benefício econômico em transportar mercadorias do Pólo Industrial de Manaus, o defensores da recuperação da BR-319 ignoram alternativas (i.e., ferrovia e hidrovia) e menosprezam os impactos negativos que a recuperação da rodovia poderá trazer ao interflúvio Madeira-Purus. Não existem estudos de viabilidade que justifiquem que os benefícios compensarão os custos, e segundo Marcelo Leite o empreendimento não pode ser justificado economicamente, nem se desconsiderados os custos ambientais.

Audiências públicas para discutir impactos ambientais da BR-319
O Ibama programou uma série de encontros para discutir o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) das obras da BR-319. Manaus será a última cidade a sediar uma audiência, no dia 28 de abril, às 19h no Studio 5. Vamos participar das discussões dos resultados do EIA/RIMA, pois ainda serão planejados as medidas e programas ambientais para mitigação de possíveis impactos. 

Como contra-ponto da reconstrução da rodovia BR-319, podemos usar uma justificativa funcional bastante sólida, baseada em serviços ambientais e exemplificada pela íntima relação da floresta com as chuvas e pelo carbono contido na biomassa florestal. Por outro lado, sabemos que existem muitas espécies únicas desses ambientes, mas o acesso a esse conhecimento é restrito. Muitas espécies endêmicas ocorrem na área de influência da BR-319, muitas das quais ainda nem descritas. As informações sobre a distribuição e ocorrência das espécies estão muito menos organizadas, e muitas vezes não publicadas. Por isso mesmo é importantíssimo que participemos da audiência. 

Rodovia BR-319, km 220

Eu conheço uma espécie de fungo bioluminescente que ocorre na área e nunca o encontrei em outro local.  As campinas e campinaranas do interflúvio Madeira-Purus abrigam um monte de espécies endêmicas, como uma espécie de gralha (Cyanocorax sp.) encontrada por Mário Cohn-Haft, ornitólogo do Inpa. Segundo análise de Marcelo Augusto dos Santos Jr (o Brasa) e Mário Cohn-Haft (veja aqui), por ter uma distribuição restrita a esses ambientes, a gralha está ameaçada mesmo antes de ter sido descrita pelos cientistas. Com certeza, temos mais cartas na manga. Vejam o que Isabel Reis disse: 

"Galera do geoma 2007, reforçando o recado do Mário Cohn-Haft, o interflúvio Madeira-Purus será cortado pela BR, logo é hora de contribuir para embasar o debate. Como sou Botânica, vou bem puxar a sardinha... No interflúvio Madeira-Purus registramos a ocorrência de uma nova FAMÍLIA botânica para o Brasil, agora temos não só 217 famílias de Angiospermas no Brasil, mas 218!!!!!!!! Será que a obra apresenta estratégias para conservação destas espécies que mal conhecemos, das já descritas e daquelas que ainda nem mesmo foram descobertas...?" 

Uma família de angiospermas! Incrível, não? Podemos contribuir, compareçam.

Seguem as datas das audiências públicas sobre a BR-319:

22/04 : Humaitá (AM)
23/04 : Porto Velho (RO)
27/04 : Careiro (AM)
28/04 : Manaus (AM) - Studio 5, 19h

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Imagem do inferno verde (sic) por: Sérgio 'Bogão' Marques de Souza

12 de fevereiro de 2009

Entrevista com Dilma Rousseff sobre as hidrelétricas na Amazônia

Dilma Rousseff é a provável candidata à presidência da República pelo PT em 2010. Atual ministra-chefe da Casa Civil e ex-ministra de Minas e Energia, ela exerce grande influência sobre os caminhos que o governo tem tomado em relação ao meio ambiente. Idealizadora do PAC, a ministra foi a entrevistada do programa Jogo do Poder do jornalista Alon Feuerwerker em 11/02/09. 

Questionada sobre o potencial hidrelétrico da Amazônia e os custos ambientais das usinas, Dilma defendeu a instalação das hidrelétricas e enfatizou a vantagem estratégica que elas podem trazer ao país. Segundo a ministra, o Brasil tem um baixo aproveitamento do potencial hidrelétrico, sustentando a necessidade de gerar soluções emergentes para evitar excessos do passado (como a UHE Balbina) e do presente (dificuldade para licenciar as obras).

Apesar do benefício das hidrelétricas em comparação com as termoelétricas, o discurso de Dilma Rousseff é bastante enviesado, pois menospreza e pontualiza os impactos ambientais da instalação das usinas nos rios da Amazônia.

Qual sua opinião sobre o posicionamento de Dilma Rousseff?

O que podemos fazer para alimentar o debate de forma construtiva, considerando que o desenvolvimento do país é necessário e inevitável?




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