Os esforços para a conservação da Amazônia são grandes, no entanto, ainda maior é a falta de conhecimento sobre vastas áreas deste bioma. De Manaus ou de Brasília e debruçados sobre mapas decisões vão sendo tomadas, mas vastas áreas da Bacia Amazônica o conhecimento sobre as espécies que ali vivem e as densidades em que ocorrem é pouco ou nulo. Em alguns locais, os dados disponíveis se resumem a listas de espécies de alguns grupos biológicos coletados em uma única excursao organizada por uma ONG, Instituto de pesquisas, Universidade ou Secretaria do Governo. Em outros casos, nem esse dado está disponível, e temos que adivinhar o tipo de ambiente e conseqüentemente as espécies que lá ocorrem com base em imagens de satélite. Ou seja, a verdade é que não sabemos o que vive em diversas áreas da Amazonia e dada à extensão do bioma e a dificuldade de acesso à maioria das regiões, dificilmente saberemos. Isto quer dizer que a distribuição espacial de muitas espécies amazônicas continuará pouco conhecida.
Na tentativa de preencher esta lacuna do conhecimento, a abordagem mais utilizada é a da modelagem da distribuição de espécies. Com base nas espécies que ocorrem em uma área, tenta-se prever o que deve ocorrer em áreas desconhecidas adjacentes e com condições ambientais similares. Em um exemplo simplificado podemos citar a Samaumeira (Ceiba petandra), que é uma espécie de árvore que freqüente em florestas de várzea, mas raramente ocorre em florestas de igapó e nunca em terra-firme (a não ser que plantada). Portanto, ainda que não possamos acessar todas as várzeas da Amazônia, é razoável planejarmos o manejo desta espécie enfocando ambientes de várzea.
Para se entender a distribuição das espécies é importante entender e classificar o habitat em que vivem. Classificações grosseiras como igapó, várzea, terra firme, campina etc., são um primeiro passo, porém existe uma grande variedade de ambientes dentro destas categorias que devem ser levados em consideração. Um dos desafios é compreender a heterogeneidade de ambientes que existe debaixo do que vemos como um tapete verde, como as florestas de terra firme.
Na Amazônia, trabalhos sobre modelagens em larga escala são feitos utilizando-se amostragens em campo aliadas às bases de dados disponíveis na internet. Veja abaixo uma compilação de bancos de dados públicos freqüentemente utilizados:
Tipo de informação | |
Distribuição de espécies | Fonte |
Dados de ocorrência de diversos organismos em diversas regiões do mundo | |
Dados de ocorrência de diversos organismos com ênfase no Brasil | |
Clima | |
Superfícies climáticas interpoladas para o mundo todo (resolução de 1km) | |
Cenários para o futuro do clima no mundo | |
Reconstruções do paleoclima | |
Topografia | |
Modelos de Elevação Digital e variáveis relacionadas para o mundo todo (resolução de 1km) inclusive usando SRTM | |
Sensoriamento remoto | |
Várias bases de dados de cobertura | |
Imagens da terra e atmosfera usando MODIS (Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer) | |
Série histórica de imagens LANDSAT do Brasil | |
Solos | |
Tipos de solo no mundo |

Objetivo do estudo | Referência |
Orientar estudos de campo que visam encontrar populações de espécies conhecidas | Bourg et al. 2005, Guisan et al. 2006 |
Orientar estudos de campo para acelerar o descobrimento de novas espécies | Raxworthy et al. 2003 |
Projetar os potenciais impactos das mudanças climáticas | Iverson and Prasad 1998, Berry et al. 2002, Hannah et al. 2005; revisão: Pearson and Dawson 2003 |
Prever chegada e estabelecimento de espécies invasoras | Higgins et al. 1999, Thuiller et al. 2005; revisão: Peterson 2003 |
Explorar mecanismos de especiação | Kozak e Wiens 2006, Graham et al. 2004b |
Dar suporte à seleção de reservas e de áreas prioritárias à conservação | Araújo e Williams 2000, Ferrier et al. 2002, Leathwick et al. 2005 |
Entender os impactos de mudanças do uso da terra na distribuição de espécies | Pearson et al. 2004 |
Testar teorias ecológicas | Graham et al. 2006, Anderson et al. 2002b |
Comparar paleodistribuição e filogeografia | Hugall et al. 2002 |
Orientar a reintrodução de espécies ameaçadas de extinção | Pearce e Lindenmayer 1998 |
Acessar os riscos à saúde | Peterson et al. 2006, 2007 |
Baseado em Guisan e Thuiller 2005 e Pearson 2007 |

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