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Saiba mais sobre as Zingiberales
Zingiberales é um grupo de plantas que faz parte da linhagem das monocotiledôneas (milho, arroz, cana-de açúcar, capins, bromélias, palmeiras e orquídeas, por exemplo). As Zingiberales são amplamente cultivadas nas regiões tropicais de todo mundo, tanto para fins ornamentais, como as helicônias, quanto para fins alimentícios, como a banana e o gengibre (ou mangarataia, como é chamada na região amazônica). Na Amazônia destaca-se o arumã, uma espécie com grande importância econômica para muitas comunidades indígenas e ribeirinhas, pois é a principal fonte de fibras utilizadas na confecção de tapetes e cestos artesanais por grupos indígenas.
Veja algumas fotos e ilustrações que compõe o Guia de Zingiberales
A dificuldade que muitos estudantes têm em estudar ciências biológicas geralmente está relacionada ao vocabulário, que além de extenso é muitas vezes mal explicado. No Brasil, existe pouco material de consulta que sirva como uma introdução sucinta aos diferentes grupos biológicos e, ao mesmo tempo, trate de espécies que podem ser encontradas em ambientes próximos. Assim, muitos estudantes não apreciam a diversidade de vários grupos simplesmente por falta de acesso à informação. Segundo Flávia Costa, muitos de seus alunos não podiam imaginar que existissem tantas espécies de ervas na floresta, mas no momento em que as espécies ganharam nomes e suas características únicas foram destacadas, a floresta passou a ser mais povoada do que nunca.
Um grande diferencial do guia é o esforço dos autores em apresentar as informações em linguagem simplificada, evitando jargões científicos sem, contudo, perder precisão. Como é a reprodução, qual seu papel ecológico, como ocorreu a evolução do grupo, qual sua utilidade para o homem e aspectos relacionados à conservação, são alguns dos temas abordados na primeira parte do guia, permitindo que seja usado como referência em cursos básicos de botânica. A segunda parte é composta por pranchas ilustrativas de cada umas das 67 espécies nativas encontradas nas áreas de estudo, fotografadas tal como as encontramos na natureza. As pranchas são acompanhadas de descrições das principais características morfológicas, notas sobre o ambiente em que ocorrem, história natural, distribuição geográfica e dicas de campo. Ao final, o leitor terá a oportunidade de usar um glossário ilustrado que facilita a compreensão de alguns termos técnicos das estruturas das plantas e uma chave dicotômica de identificação das famílias e espécies tratadas no guia, construída preferencialmente sobre as características vegetativas das plantas.

Por que produzir guias de campo?
Existem inúmeras razões para justificar a urgente necessidade de se investir na criação de guias de campo, desde a importância econômica dos organismos até a possibilidade de levar ao público o encanto de grupos biológicos fascinantes, estimulando a curiosidade que as pessoas têm sobre a natureza. Contudo, além de atingir um público amplo, guias são importantíssimos para facilitar a identificação das espécies que ocorrem na Amazônia, contribuindo para aumentar a qualidade de trabalhos técnicos (p.ex., Estudos de Impacto Ambiental), de dissertações e teses de pós-graduação e auxiliar no manejo e extração de recursos florestais. "Reconhecer os organismos é a primeira etapa de qualquer estudo biológico", afirmam os autores.
Os ecossistemas florestais na Amazônia são compostos de milhares de espécies desconhecidas pela ciência: estima-se que existam ainda cerca de 50.000 espécies de plantas para serem descritas na região. Além dessa enorme carência no conhecimento sobre a diversidade botânica, as informações acumuladas não estão disponíveis para a maioria das pessoas, pois estão contidas em trabalhos técnicos distribuídos de forma fragmentada em bibliotecas e herbários. A identificação das espécies do guia contou com um intenso levantamento bibliográfico, pesquisa nos principais herbários da região Norte e a colaboração de especialistas no grupo. Mesmo assim, segundo
José Eduardo Ribeiro, pesquisador da Universidade de Londrina (UEL), "a presença de vários táxons determinados somente até o nível genérico, por exemplo, em nada diminui a qualidade do trabalho, apenas confirma, como os próprios autores apontam, nossa grande ignorância quanto à diversidade de plantas amazônicas, além da urgente necessidade de estudos taxonômicos e amostragens mais intensas que permitam que essas espécies sejam adequadamente levantadas, delimitadas e descritas". José Eduardo assina o prefácio do livro e tem uma vasta experiência em guias de campo, pois ajudou a coordenar o guia mais importante já feito na Amazônia brasileira, a Flora da Reserva Ducke - Guia da identificação das plantas vasculares de uma floresta de terra-firme na Amazônia Central, que se tornou referência no mundo todo.
Espera-se que os guias sirvam de incentivo para trabalhos de pós-graduação, de iniciação científica e de cursos de campo, assim como estimulem a percepção da biodiversidade amazônica em turistas e alunos de escolas do ensino médio. Além de disponíveis para download no Portal PPBio (
http://ppbio.inpa.gov.br/Port/guias/), versões impressas desses guias foram ou serão distribuídas gratuitamente para escolas, universidades e bibliotecas em todo Brasil.
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Um comentário:
PARABÉNS Nando, Penna e Flávia! O guia está demais e também muito bonito!!! Estamos torcendo para que a versão impressa esteja disponível logo logo!
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