

Para onde estão direcionados os esforços na Amazônia brasileira?

Olá! A ideia do blog da ULE - União Local de Ecólogos - é facilitar a interação de pesquisadores e alunos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) com interessados em ecologia e temas afins. Participe!
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7 comentários:
Valeu pela comentário/post Saci. Ótimo complemento. Só gostaria de adicionar mais uma coisa.
Como trabalho com ambientes aquáticos, posso afirmar que estudos que levam em consideração somente a area terrestres tentem a ser incompletos. Boa parte da biomassa vegetal não é degradada no ambiente terrestre. Esta é lixiviada para os ecossistemas aquáticos, onde é efetivamente respirada.
Desta forma, o balanço de carbono de um ambiente complexo como a amazônia tem que levar e consideração toda a matéria orgânica que supostamente estaria fixada no ambiente terrestre mas foi lixiviada para os ambientes aquáticos (pois como não foi respirada neste ambiente, não foi contabilizada neste balanço de carbono).
O breno escreveu um post sobre o trabalho do pessoal do LBA. O resultado é produção líquida negativa. E muito negativa.
http://discutindoecologia.blogspot.com/2009/01/importancia-dos-ambientes-aquaticos-no.html
Abraços e aguardo por futuras discussões no science blogs brasil :)
Realmente existe um transporte de matéria orgânica de ambientes terrestres para os rios na Amazônia, e para compreendermos o balanço de carbono nas florestas temos que quantificar melhor esse êxodo de nutrientes e a decomposição em ambientes aquáticos.
Como a maior parte dos solos amazônicos é pobre em nutrientes, as florestas apresentam uma série de adaptações (como rede de raízes superficiais e reciclagem direta através de fungos ectomicorrízicos) que minimizam essas perdas.
Em ambientes aquáticos, a complexidade aumenta pela mobilidade e pela decomposição de matéria orgânica poder gerar mais metano, um dos piores gases estufa, e não somente CO2.
Além disso, a taxa de decomposição pode variar entre os ambientes e dificultar os cálculos do balanço de CO2.
Se liberação de carbono associada com a decomposição em ambientes aquáticos for mais lenta que o balanço de CO2 em ambientes terrestres (aparentemente positivo), isso criaria um atraso na liberação de CO2 nos rios, levando a uma dificuldade de entender o saldo em ambientes terrestres.
Minha percepção é que as florestas não podem simplesmente exportar nutrientes ao infinito, pois os solos fortemente lixiviados já não permitem esse luxo.
Pense na floresta e nos ambientes aquáticos da Amazônia como um continuum. Um ambiente tão fortemente ligado a pulsos de inundação e seca não pode ser analisado de forma separada.
Não é só pela lixiviação que a matéria orgânica pode chegar ao ambiente aquático. Neste tipo de áreas alagáveis o ambiente aquático "vai" até a floresta. É claro que nem toda a amazônia é potencialmente uma área alagável, mas com certeza esta área é muito significativa.
Conceitualmente os ambientes aquáticos em geral e, mais ainda, os lagos e lagoas, formam a porção final da bacia de drenagem. Recebem toda a carga de nutrientes, carbono e materiais advindos de todo o sistema terrestre. Cada vez mais tem sido levantado na literatura o papel do material alóctone (de fora do ambiente aquático) para a teia trófica deste ambiente. Quanto mais estudamos ecossistemas tropicais, mais damos importância a heterogeneidade espacial e a importância das interfaces entre o ambiente terrestre e aquático.
Variando ou não a taxa de decomposição aeróbica e anaeróbica em ambientes aquáticos, padrões podem ser levantados. Levantamentos mundiais já foram feitos e mostram que a maior parte dos ecossistemas aquáticos do mundo é heterotrófico, exportando mais carbono do que fixa. É claro que todo este carbono não é autóctone.
De certa forma os ambientes aquáticos nos últimos anos foram vistos como "vilões", por emitirem muito CO2 e metano. Mas sabemos que a produção primária e secundária autóctone não sustentaria toda essa taxa de respiração. Grande parte da "culpa" dos ambientes aquáticos deve-se aos ambientes terrestres, mais especificamente as florestas. Parte deste carbono se acumula no sedimentos de lagos por milhares de anos, mas grande parte é rapidamente respirada, por bactérias e archeas sedentas por substrato.
Por muitos anos os ambientes aquáticos e terrestres foram encarados como caixas. Separados, sem conexão. A superexposição da ciência climáticos nos mostra que efeitos em escala local podem ter consequências globais.
O Rio amazonas, que já tem uma grande influência no próprio ecossistema amazônico, pode exportar nutrientes e matéria orgânica por extensões absurdas, chegando a influenciar a costa leste de grande parte da América do Sul. Fenômenos deste tipo mostram que muitas vezes a escala em que estamos fazendo uma análise pode nos trazer diferentes conclusões de uma determinada situação.
Concordo com suas observações sobre a conexão entre os ambientes e também com a questão da escala espacial.
Mas considerando o conhecimento fragmentado sobre a estequiometria do carbono entre florestas de terra-firme e florestas alagadas na Amazônia, acho prematura a colocação conclusiva do Breno no post A importância dos ambientes aquáticos no ciclo do carbono amazônico.
Conforme mais dados estiverem disponíveis, teremos mais subsídios para quantificar o transporte de carbono dos ambientes terrestres para os aquáticos e, assim, mais segurança para avaliar o balanço de carbono nas florestas de terra-firme, que com certeza ocupam a maior parte da bacia amazônica.
Bem, estamos vamos para o ambiente aquático. Concordo plenamente com o comentário do Breno e não acho prematuro de forma alguma. Ele não citou no post, mas o conhecimento sobre a passagem de carbono do ambiente terrestre para o aquático está longe de ser "fragmentada" na literatura, até para a Amazônia. Eu trabalho com lagoas costeiras, mas é só procurar um pouco que achamos bastante coisa para a Amazônia.
Um dos principais nomes desta área na amazônia é o Prof. Alex Krusche, do CENA-USP. Ele publicou um artigo na nature com outros autores especificamente sobre este tema. Você pode dar uma olhada aqui.
http://www.nature.com/nature/journal/v436/n7050/abs/nature03880.html
Ele não só descreve a "estequiometria do carbono", que na verdade é a relação da concentração de carbono relativa a outros nutrientes como faz uma coisa bem mais profunda e interessante. Ele mostra que a idade do carbono que é respirado nos rios (através de análise isotópica)é em grande parte de carbono novo, proveniente do ambiente terrestre. Além disso ele faz um bom levantamente da literatura sobre o tema.
Lembro que o trabalho é de 2005. Ele já faz um levantamento da literatura anterior, o que mostra que o conhecimento não é tão recente.
Estive na paletras do Prof. Krusche no Congresso de Ecologia do Brasil em 2007, onde ele divulgou, além deste resultado, outros dados bem interessantes. Você pode ler o resumo da palestra aqui.
http://www.seb-ecologia.org.br/viiiceb/palestrantes/alex.pdf
Um artigo geral, mas muito interessante foi um publicado no ano passado discutindo a importancia de lagos e rios como indicadores de alterações no ambiente terrestre. Ele foi publicado na Frontiers in Ecology and the Environment, do mesmo grupo da Ecology.
http://www.esajournals.org/doi/abs/10.1890/070140
Sendo assim, reforço novamente a importância de entendermos o ciclo do carbono em ambientes aquáticos em ecossistemas como a Amazônia. A análise somente do ecossistema terrestre pode ser tendenciosa em relação ao fluxo de carbono do ecossitema como um todo, principalmente na sua importância global.
Caro Saci,
O meu post sobre "A importância dos ambientes aquáticos no ciclo do carbono amazônico" nada tem sobre estequiometria (para melhor entendimento recomendo o livro Ecological Stoichiometry, do Prof. Sterner). O post diz exclusivamente sobre o balanço de carbono entre ambientes aquáticos e terrestre, além de como se dá o transporte deste carbono terrestre para o ambiente aquático.
Sobre a sua colocação de conhecimento fragmento sobre este assunto, sugiro que leia os trabalhos de Prof. Jonathan J. Cole, ele é um especialista no assunto. Ele publica trabalhos sobre o assunto em renomadas revistas desde o ínicio da década de noventa.
Abraços e parabéns pelo blog.
Luiz e Breno, não tive a intenção de ser indelicado.
Concordo com vocês que a integração entre os sistemas terrestre e aquático é imprescindível para entender o ciclo do carbono e suas nuances complexas na escala continental da Amazônia.
A perspectiva mais frutífera desse nosso diálogo de hoje reside exatamente nele. A discussão que tivemos foi bastante estimulante. Acho que só com integração teremos condições de superar nossas limitações individuais e caminhar juntos na direção da geração e divulgação de conhecimento científico aplicável à melhoria da nossa qualidade de vida enquanto cidadãos do mundo.
Obrigado pela oportunidade e até já.
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