20 de abril de 2009
Fungos: muitas espécies, pouco conhecimento e uma enorme importância
No mestrado, decidi fazer um estudo ecológico sobre um grupo de espécies de fungos de serrapilheira. Eu tinha interesse em saber quais fatores ambientais influenciavam a distribuição das espécies na paisagem e usei os cogumelos como indicativo da presença da espécie no espaço em dois momentos no tempo (estação seca / chuvosa).
Embora o eminente micólogo alemão Rolf Singer tenha coletado durante alguns anos dentro da Reserva Ducke os mesmos fungos que eu estava interessado, a identificação das espécies e possíveis descrições de novas espécies exige um conhecimento técnico específico, baseado na comparação de características macro e microscópicas com materiais herborizados (secos), com base na consulta de uma literatura vasta e fragmentada. Eu não poderia fazer isso em tempo hábil no mestrado e optei por agrupar em morfoespécies com base apenas no jeitão do fungo e deixei a identificação em banho-maria.
Na maioria dos casos, os cogumelos são bem diferentes e podem ser reconhecidos. Diferentes cogumelos coletados em locais e momentos diferentes foram agrupados em morfoespécies, esperando que algum interessado identificasse o material e permitisse avaliar se cada morfoespécie representa ou não uma espécie.
Assim, montei um guia de identificação de fungos de liteira da Reserva Ducke com informações e imagens das morfoespécies. Todo o material coletado foi depositado no herbário INPA e os números de acesso permitem aos interessados solicitar empréstimos de espécimes para identificação (veja o guia no link abaixo).
Depois de alguns anos, eis que surge um interessado disposto a encarar a batalha! Ele é Jair Putzke, um dos micólogos brasileiros mais ativos na última década, autor de alguns livros e grande estimulador da formação de diversos novos talentos nessa área.
Ele não só vai ajudar a identificar e descrever os fungos que encontrei na Reserva Ducke, como devolveu minha motivação para trabalhar com esse grupo tão curioso e importante para o funcionamento das florestas na Amazônia.
Espero que mais jovens estudantes percebam quão estimulante pode ser trabalhar com esses bichinhos tímidos, mas tão presentes em nossas vidas.
...enviado por ::
Saci
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3 comentário(s):
Que legal Saci! Agora senti firmeza e a coisa vai andar!
beijoca
Ana
Ai.. tenho uma professora que te mataria se ouvisse você chamar fungos de "bichinhos".. rsrs
Adorei o seu trabalho, sempre tive um interesse muito grande em fungos decompositores, e seu potencial biorremediador.. você tem algum material pra indicar sobre o assunto?
Abraços, e parabéns pelo blog!
Davi, não conta pra ela então!
E obrigado pelo incentivo... eu conheço pouca coisa sobre biorremediação, mas dá uma olhada sobre isso com o pessoal do IBt em São Paulo (Dácio Matheus) e também com um cara dos EUA, Paul Stamets.
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