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11 de janeiro de 2010

PPBio lança Guia de Leguminosas Herbáceas – Grades de Savana em Roraima


O Guia das Leguminosas Herbáceas das Duas Grades de Savanas do PPBio foi originado a partir do interesse do grupo de pesquisa local (GP-CNPq / Ecologia e Manejo dos Recursos Naturais das Savanas de Roraima) em detectar a diversidade e o padrão de distribuição de plantas que habitam as áreas de savanas de Roraima. Das 32 espécies (25 nas parcelas e 7 nos arredores) identificadas por nosso grupo, não haviam novidades regionais. Entretanto, conseguimos montar um quebra-cabeça e estabelecer os padrões mínimos de ocorrência destas espécies a partir de variáveis edáficas e fitofisionômicas. Desde 1978 foram realizados apenas dois estudos que identificaram várias destas espécies localmente e, portanto, essa seria uma boa oportunidade de não só resgatar como também ampliar o nível de informações sobre este grupo taxonômico tão importante economicamente (fixador de nitrogênio, forrageiro, alimentício, farmacológico, etc). O guia nada mais é do que uma forma mais inteligente de dar visibilidade aos recursos naturais locais com o objetivo de auxiliar na formatação de políticas públicas de conservação destas áreas de vegetação aberta do extremo norte amazônico. Outra premissa de igual importância do guia é a facilitação de futuros inventários florísticos por parte de acadêmicos/professores interessados no grupo das herbáceas das savanas locais. A maioria desta clientela possui dificuldades em acessar/identificar o patrimônio genético deste grande ecossistema e, por isso, acaba apoiando ou buscando alternativas não sustentáveis para o uso de seus recursos naturais.

O Field Museum de Chicago possui uma série de guias de identificação sobre plantas e animais de vários grupos taxonômicos, principalmente para regiões tropicais. A equipe do museu estimula a publicação desses guias fotográficos visando facilitar a identificação de espécies e a difusão de conhecimento para o público, uma grande carência na região amazônica. Esses guias são gratuitos e são feitos para serem usados no campo, basta salvar o arquivo, imprimi-lo e plastificá-lo. Para saber mais, clique:
http://www.fieldmuseum.org/

Para citar o guia: Cavalcante, C.O.; Barbosa, R.I.; Flores, A.S. 2009. Leguminosas (Fabaceae) Herbáceas – Grades de Savana do Programa de Pesquisas em Biodiversidade (PPBio), Roraima, Brasil. Field Museum Guide Plants – Web Version
(http://fm2.fieldmuseum.org/plantguides/guideimages.asp?ID=392)

Para conhecer os demais guias produzidos pelo PPBio:
http://ppbio.inpa.gov.br/Port/guias/.


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17 de setembro de 2009

O etanol de Roraima não é bom para o Brasil

Por Ciro Campos*


A nova usina de etanol da Amazônia não é boa para Roraima nem para o Brasil, e pode comprometer a conquista do selo verde que o etanol brasileiro precisa. A nova usina não ajudaria o Brasil porque tem tudo que o mercado internacional não quer: é uma nova usina, fica na Amazônia, vai gerar desflorestamento e disseminar o impacto da cana em uma das maiores bacias hidrográficas da Amazônia.

É uma nova usina: a nova usina ainda não existe e nem obteve autorização para começar as obras, ao contrário do que foi informado aos ministros Minc e Stephanes em agosto do ano passado. Os canaviais para a produção da usina ainda não foram plantados, e os plantios que existem ainda se destinam apenas à produção de mudas.

É na Amazônia: se for aprovada, a nova usina e os canaviais seriam implantados na maior savana do bioma Amazônia, que fica no estado de Roraima, na região conhecida como Lavrado. Segundo os cientistas e também o IBGE, o Lavrado faz parte do bioma Amazônia, que inclui não só florestas, mas também savanas, campinas, bambuzais, várzeas, etc.

Vai gerar desflorestamento: desflorestamento não significa apenas a derrubada de florestas, mas também a retirada de qualquer vegetação natural, seja floresta ou campo, seja na Amazônia ou em qualquer outra parte do Brasil. Se a usina for aprovada, seus canaviais seriam plantados sobre a vegetação nativa do Lavrado, considerado pelo governo federal como área prioritária para conservação da biodiversidade.

Vai disseminar a cana em nova uma bacia hidrográfica: a nova usina seria implantada às margens do rio Tacutu, formador do rio Branco, principal afluente do rio Negro. A bacia do rio Negro é uma das maiores, mais ricas e mais conservadas da Amazônia. A nova usina, portanto, seria instalada nas cabeceiras da bacia do rio Negro, elevando em muitas vezes o volume de insumos tóxicos aplicados nesta parte da Amazônia, e na vizinhança de terras indígenas. A densa rede de rios localizada nos arredores na nova usina tem pouca água no período seco, que coincide com o período de aplicação dos bilhões de litros de vinhoto e agrotóxicos, potencializando o impacto de uma possível contaminação.

Com essas características, essa nova usina coloca em risco o esforço do governo federal, empenhado em garantir ao mercado internacional que o etanol brasileiro não ameaça a Amazônia, o Pantanal, e não compromete as águas, a biodiversidade e a qualidade de vida dos povos. O custo-benefício se revela inviável, pois ela aumentaria em apenas um por cento a área plantada com cana, mas colocaria em risco o valor de todo o etanol que o país produz. O necessário esforço para reduzir as emissões de carbono não pode resultar em novos problemas ambientais, e não deve justificar a expansão do etanol sobre as savanas amazônicas. As riquezas naturais dessa região, assim como o petróleo do pré-sal, são ativos estratégicos que pertencem ao povo brasileiro e que, portanto, precisam servir ao conjunto da nação, e não apenas a este ou aquele estado da federação.

Existem outros meios para o governo federal ajudar o povo de Roraima a viver com dignidade. Fortalecer a produção rural que já existe e investir em indústrias de beneficiamento aumenta a renda no interior, gera empregos nas cidades e fixa a família na sua terra, para que ela não seja vendida ou arrendada em favor da nova usina. Aproveitar o cenário favorável ao comércio internacional e a vocação natural para o turismo também pode gerar divisas. A copa de 2014 será uma boa oportunidade para firmar o estado como potência sócio-ambiental e abrir as portas para o turismo internacional. A produção de biodiesel a partir do inajá, palmeira nativa que é praga na região, pode ser interessante. O Lavrado de Roraima também é campeão amazônico em potencial de geração de energia a partir do sol e dos ventos, potencial que pode ser aproveitado. Além disso, ainda podemos receber a compensação ambiental pela água, o carbono e a biodiversidade, compensação que não é esmola, mas justo pagamento para quem protege os tesouros da nação.

As iniciativas do governo federal para desenvolver Roraima, como a Zona de Processamento de Exportação, a Área de Livre Comércio, a ligação Brasil-Guiana e a regularização das terras, devem ajudar na criação de um modelo de desenvolvimento realmente novo, com democracia econômica e fundiária, aonde a terra cumpra o seu papel de melhorar a vida do povo e esse povo cumpra o seu papel de contribuir para a grandeza do país. Não é cobrindo a paisagem natural de savanas amazônicas com cana e soja que o estado estará dando sua melhor contribuição ao país. O principal papel de Roraima para a grandeza e o futuro do país é proteger e usar com sabedoria as riquezas naturais que podem fazer do Brasil a potência do século vinte e um. Essa é a maior contribuição que, com muito orgulho, Roraima pode dar ao Brasil.

* Coletivo Ambiental do Lavrado – Roraima. ciro.roraima@yahoo.com.br. (95)9902-9067.


Fonte [Folha de Boa Vista, 17/09/09]


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18 de fevereiro de 2009

Conheça o Parque Nacional do Viruá em Roraima

Por Fabrício Baccaro

O Parque Nacional do Viruá foi criado com o objetivo de preservar os ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica que ocorrem ao sul de Roraima, permitindo também a realização de pesquisas científicas, o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e de turismo ecológico. O parque está localizado no município de Caracaraí (RR) e desde 1998 protege mais de 200.000 ha de um tipo de vegetação de transição entre a floresta densa e o cerrado, conhecido como lavrado na região.


O nome do parque vem do igarapé que nasce em seu interior. A área compreende uma vasta superfície praticamente plana, com predomínio de solos arenosos e mal drenados, com grande quantidade de lagoas. Na parte norte existe alguns morros com altitudes modestas, de aproximadamente 300 m. Ao longo da extensão oeste, delimitada pelo Rio Branco, há ocorrência de planícies inundáveis, situação observada também na porção sul, ao longo do Rio Anauá. O clima é quente e úmido na maior parte do ano, mas apresenta uma estação seca entre os meses de setembro a março.

A área do parque abriga espécies características de ambientes alagados, como palmeiras buriti, açaí, jauari e outras como a bacaba e o inajá que ocorrem em áreas de igapó. A fauna apresenta espécies migratórias de aves como o tuiuiú (chamado de passarão no estado de Roraima) e a águia pescadora, aves de ambientes encharcados como a garça-branca e a jaçanã, além de espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, a suçuarana e a anta.

Infra-estrutura para turismo ecológico

O Parque Nacional do Viruá conta com dois alojamentos, com capacidade para 30 pessoas instaladas confortavelmente, cozinha equipada, água encanada e energia elétrica proveniente de gerador. O acesso é feito por via fluvial, pelo Rio Branco, e por via terrestre, pela Rodovia BR-174, a 60 km ao Sul de Caracaraí, denominada de Estrada Perdida. O acesso ao Parque é muito fácil, mesmo para quem não tem carro. Para quem sai de Manaus, é só comprar uma passagem de ônibus para Caracaraí e descer na Vila Petrolina. A estrada de terra que dá acesso ao parque é transitável em qualquer época e fica a menos de 10 km da vila.

A melhor época para visitar o parque é durante o período menos chuvoso (abril a agosto) quando as áreas de vegetação aberta ficam mais secas, o que facilita o deslocamento. Como em qualquer Unidade de Conservação a natureza é quem manda, então para aqueles que têm alergias a picadas de insetos e carrapatos é bom levar os medicamentos e estar com as vacinas obrigatórias (febre amarela e tétano) em dia.

Infra-estrutura de pesquisa no Parque

O PN do Viruá abriga um dos sítios permanentes de pesquisas do Programa de Pesquisa em Biodiversidade – PPBio/MCT. O sítio de pesquisa é composto por um sistema de trilhas e acampamento de campo que facilitam o acesso e minimizam os custos de pesquisas ecológicas. 

O sistema de trilhas forma uma grade de 5 por 5 km. Ao longo das trilhas leste-oeste, a cada 1 km, existem parcelas permanentes de 40 x 250 m, onde os pesquisadores coletam informações sobre o ambiente e as espécies. A grade de trilhas, além de servir para deslocamento, pode ser utilizada para pesquisar os animais e plantas que não podem ser amostrados nas parcelas. 

Todas as informações coletadas pelos pesquisadores e pela equipe do PPBio, por exemplo sobre os solos, estrutura da vegetação, altitude e inclinação do terreno, são disponibilizadas no Portal PPBio na internet.

No centro da grade de coleta existe um acampamento de apoio, com capacidade para 15 pessoas, equipado com fogareiro a gás, botija, utensílios completos para cozinha, chuveiro e bomba de água movida a gasolina. O telhado do acampamento funciona como um grande funil que direciona a água da chuva para 3 caixas d’água. A bomba a gasolina só é acionada quando a água da chuva não é suficiente.

Integração com a Comunidade do entorno

A falta de pessoal qualificado é um dos principais desafios da região amazônica, portanto, envolver técnicos, pesquisadores locais e a comunidade do entorno do parque com profissionais de outros núcleos de pesquisas é muito importante. 

Essa filosofia faz parte da conduta do PPBio e do ICMBio no Parque Nacional do Viruá, que dão preferência para contratação de brigadistas, mateiros e auxiliares de campo da comunidade local. A relação entre pesquisadores e moradores do entorno do parque proporciona oportunidades de trabalho, geram renda, formam pessoas e estreitam os vínculos entre o parque, a pesquisa científica e a comunidade.

Assista ao vídeo sobre o PPBio no PN do Viruá

O vídeo abaixo mostra uma pequena parte das pesquisas desenvolvidas no parque. Além de plantas (árvores e ervas), cobras, lagartos e sapos mostrados aqui, muitos outros grupos biológicos já foram estudados, como peixes, formigas, ácaros, vespas, abelhas, macacos, grandes mamíferos e aves. 

Para mais informações sobre as pesquisas desenvolvidas no PN do Viruá, visite o Portal do PPBio.


Contatos do Parque Nacional do Viruá:
  • Antonio Lisboa - lisboa.ibama@gmail.com 
  • Beatriz Ribeiro Lisboa - belisboa@gmail.com
Créditos das imagens:
Mapa Parque Nacional do Viruá - Juliana Schietti
Fota da onça-pintada - Luis Claudio Marigo
Foto das pessoas - Julio do Vale

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