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7 de março de 2012

Vídeos sobre monitoramento de grupos-alvo PPBio já estão disponíveis

(Fonte: http://ppbio.inpa.gov.br/Port/videosppbio)

A equipe PPBio produziu vídeos com a intenção de auxiliar pesquisadores e gestores ambientais nas técnicas de amostragem e monitoramento de grupos-alvo. Estes alvos foram selecionados tendo como base as metas a serem monitoradas pelas agências ambientais dentro de programas de pesquisas em UCs, acompanhamento de atividades de concessão madeireira, acompanhamento das atividades de implementação e funcionamento de obras de infra-estrutura e outras que prevêem o monitoramento da biodiversidade.

Inicialmente foram selecionados 5 grupos alvo para levantamento e monitoramento em módulos e grades RAPELD: samambaias, árvores comerciais, sapos, peixes e primatas. Espera-se que a longo prazo, sejam feitos levantamentos de todos os grupos em todos os sítios RAPELD, no entanto isto não é um objetivo viável a curto prazo.

Já estão disponíveis os vídeos: Árvores Comerciais, Samambaias, Sapos, Primatas.

Os vídeos foram narrados por Fernanda Coelho (Árvores Comerciais), Flávia Costa (Samambaias), Pedro Ivo Simões (Sapos), Fabio Rohe e Adriane Morais (Primatas), todos produzidos por William Magnusson.

Os vídeos podem ser vistos através do nosso canal no You Tube http://www.youtube.com/user/PPBioINPA e também podem ser baixados no site PPBio (links abaixo). Os arquivos disponíveis podem ser utilizados para qualquer fim, desde que sejam citados os créditos originais.





Assista no YouTube: Sapos diurnos - Parte 1




Assista no YouTube: Sapos diurnos - Parte 2




Assista no YouTube: Sapos diurnos - Parte 3






Assista no YouTube: Primatas - Parte 1




Assista no YouTube: Primatas - Parte 2







Assista no YouTube: Árvores Comerciais - Parte 1




Assista no YouTube: Árvores Comerciais - Parte 2






Assista no YouTube: Samambaias - Parte 1




Assista no YouTube: Samambaias - Parte 2



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12 de outubro de 2010

Os órfãos do Rio e a Sociedade Internacional para a Conservação de Fungos

Tradução livre do post Fungi: the orphans of Rio de David Minter*

4 de outubro de 2010

*Presidente da Associação Europeia de Micologia

É difícil exagerar na ênfase dada à importância dos fungos. Seu bem-estar é necessário para a vida sustentável neste planeta. Sem eles, estamos acabados. Para dar apenas um exemplo, os fungos são os recicladores da natureza. Como os coletores municipais de resíduos empregados para remover o lixo, nós não os notamos até que, por alguma razão, eles parem de trabalhar. Mas é assustador pensar que parar é algo que os fungos poderiam possivelmente fazer.

Os cientistas sabem há mais de 100 anos que, como animais e plantas, os fungos também são afetados pelas atividades destrutivas da humanidade. Já existem evidências de que as populações de muitas espécies estão em declínio: o impacto da poluição do ar sobre os fungos que formam líquenes é particularmente bem documentado. Embora ainda não haja informações suficientes sobre o estado de conservação de fungos, não há razão para supor que eles sejam menos vulneráveis do que outros grupos de organismos à perda de habitat e às mudanças climáticas.

Contudo, a consciência pública da importância dos fungos é muito baixa, até porque a biodiversidade - a diversidade plena e maravilhosa da vida - ainda é amplamente retratada como "flora e fauna" ou "animais e plantas". Estas descrições simplistas e enganosas podem ser encontradas até em sites de grandes instituições biológicas e sociedades científicas. A biodiversidade é muito mais do que os animais e as plantas. A classificação da vida em cinco reinos, que reconhece os fungos em um reino próprio, tem sido geralmente aceita pelos cientistas pelo menos desde 1970. Com uma estimativa de 1,5 milhão de espécies de fungos no planeta e uma presença em todos os principais ecossistemas de água doce, marinhos e terrestres, o reino dos fungos é megadiverso. Há muito mais
fungos do que todas as plantas e os vertebrados juntos. Ignorá-los não é uma opção sensata.

O movimento mais amplo de conservação, no entanto, permanece em grande parte sem conhecimento da necessidade de conservar os fungos. Habitats prioritários para conservação, tais como hotspots de biodiversidade, são quase sempre definidos com base em aves, mamíferos e na diversidade de plantas com flor. Os fungos não ganham nem uma lembrança. Isto significa que os habitats ricos em diversidade de fungos não são considerados e permanecem desprotegidos. A maioria dos planos de manejo de unidades de conservação não leva em conta os fungos. Os fungos são frequentemente tratados como parte do problema ao invés de serem reconhecidos como os que precisam de proteção. Em muitos países, não há proteção legal explícita para fungos.

Esta falta de consideração dos fungos foi evidente na Convenção do Rio sobre a Diversidade Biológica (CDB). Notavelmente, a CDB estabeleceu o direito à proteção a todas as formas de vida - e "todas as formas de vida" inclui fungos - mas seu texto classifica a biodiversidade como "animais, plantas e microrganismos", ou seja, dois reinos taxonômicos e uma terceira categoria definida pelo tamanho. Os fungos não pertencem ao reino animal nem ao vegetal, mas eles não incluíram nos cálculos alguns dos maiores indivíduos que vivem na Terra. Uma colônia geneticamente uniforme do cogumelo Armillaria
ostoyae na Floresta Nacional de Malheur no estado de Oregon cobre uma área de quase nove quilômetros quadrados, tornando-se muito maior do que a baleia azul ou qualquer uma das grandes sequóias. O termo microrganismo - a terceira categoria - portanto, não parece adequado.

Fungos simplesmente não se encaixam nessas definições inadequadas da CDB e por isso estão sofrendo as consequencias. O direito à proteção foi estabelecido, mas a Convenção não fornece estrutura para garantir que isso aconteça. Muitos planos de ação nacionais para a biodiversidade produzidos em resposta à Convenção deixaram de considerar os fungos
absolutamente. Os poucos que costumam considerá-los, os tratam como 'plantas inferiores' - um canto obscuro da Botânica. O ano de 2010 foi designado pela CDB como o Ano Internacional da Biodiversidade, mas nenhum fungo aparece no logotipo, nem os fungos são mencionados no vídeo promocional. Esta é uma evidência convincente e pública do fracasso completo pela CDB para proteger estes organismos extremamente importantes. Como David Hawksworth, um dos maiores especialistas mundiais em fungos, falou de forma tão eloquente, os fungos são de fato "os órfãos do Rio".

Agora, finalmente, algo está sendo feito para cobrir esta lacuna enorme no mundo da conservação. No dia 6 de agosto de 2010 no Royal Botanic Garden, em Edimburgo, uma reunião especial foi organizada para analisar o problema. Cientistas de 21 países participaram, contando com mensagens de apoio e interesse de muitos outros, totalizando mais de 40
países representados. Além disso, havia mensagens de apoio de uma série de sociedades científicas, ONGs e representantes nacionais do Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e Tecnológico da CDB (os cientistas que aconselham a Convenção do Rio). Depois de uma discussão animada, houve consenso generalizado de que tinha chegado o momento de criar a Sociedade Internacional para a Conservação de Fungos.

Esta nova sociedade já criou um site, mas até que a Constituição seja aprovada e um sistema de governo seja criado, não pode haver uma política formal.

As notas
seguintes são ideias meramente especulativas e experimentais sobre rumos gerais. Elas estão longe de estar completas, mas já está claro que a sociedade terá que trabalhar em pelo menos quatro áreas: infra-estrutura, educação, ciência e política.

1. Infra-estrutura. A Sociedade terá de começar a angariação de fundos. Pouco pode ser alcançado sem recursos. A sociedade deve promover e apoiar os esforços para estabelecer uma rede de sociedades de conservação de fungos com atuação em diferentes níveis (continental, nacional e local). Em particular, deve envolver os cientistas que trabalham com fungos que formam líquenes, que em muitos aspectos têm mais experiência de conservação do que aqueles que trabalham com outros fungos. Atualmente, a conservação de fungos é apoiada principalmente por ecólogos, taxonomistas e amadores. A sociedade precisa sensibilizar os cientistas que trabalham em laboratório com fungos, por exemplo no campo da genômica, de que os seus conhecimentos e experiência são relevantes para o movimento e que eles também têm a responsabilidade de promover a conservação. A sociedade deve procurar sensibilizar os curadores de coleções de fungos do importante papel destas entidades para a conservação ex situ de fungos. A Sociedade poderá também estabelecer ligações com outras organizações que promovem a conservação de grupos ignorados e pouco valorizados de organismos, de modo que a experiência e os recursos possam ser agrupados.

2. Educação. A Sociedade terá de trabalhar com as sociedades científicas micológicas para sensibilizar o público em geral e os seus governos sobre a importância dos fungos, para promover o ensino da micologia em todos os níveis da educação, e desenvolver sites educativos e outros recursos adequados para este objetivo.

3. Ciência. A Sociedade vai trabalhar para identificar, classificar e divulgar ameaças aos fungos, e para identificar áreas importantes para fungos (coldspots e hotspots) e para organismos associados, e avaliar impactos na sociedade humana que podem ocorrer como resultado do declínio da população
e extinções de fungos. A Sociedade promoverá ainda a perspectiva de que, sem levar em conta os fungos, a abordagem de ecossistema para a conservação está severamente comprometida, a ponto de ser inválida. Isto implicará na sensibilização de que os fungos são componentes essenciais dos ecossistemas.

4. Política. A Sociedade desenvolverá políticas e competências políticas, sempre que possível, aprendendo com as experiências das sociedades de conservação. A Sociedade procurará sensibilizar a importância dos fungos entre os Pontos de Foco Nacional da CDB, e também buscará envolver os governos que não são signatários da CDB, tornando-os conscientes da importância da conservação de fungos. A Sociedade procurará levantar o perfil dos fungos, em parte através de uma campanha para incentivar as instituições e as sociedades científicas biológicas a garantir que a linguagem utilizada em seus materiais promocionais reflitam adequadamente a real importância dos fungos. Isto tenderá, por exemplo, a desencorajar o uso da linguagem que causa confusão dos fungos com as plantas (por exemplo, Botânica não inclui Micologia, fungos não são 'plantas inferiores', eles não são parte de uma 'flora', etc.). O uso do termo "biodiversidade" como uma abreviação para se referir a animais e plantas também será desencorajado.

A sociedade deverá, finalmente, trabalhar para promover a representação por micólogos em organismos envolvidos com biodiversidade e conservação. Se os fungos são os "órfãos do Rio", então a Micologia, como uma órfã, compartilha pouco da riqueza da família (micólogos ficam normalmente escondidos em departamentos obscuros de instituições botânicas, ficando com uma parte muito pequena dos recursos) e raramente é consultada sobre questões familiares pelas ciências biológicas. Iniciativas focadas em
biodiversidade deveriam envolver sempre micólogos como parceiros desde sua concepção. Atualmente, em geral isso não acontece.

Os desafios para a conservação de fungos são assustadores, mas o assunto é demasiado importante para ser ignorado. Quase que inacreditavelmente, a Sociedade Internacional para a Conservação de Fungos parece ser o primeiro grupo em todo o mundo exclusiva e expressamente dedicado à proteção dos fungos. O estabelecimento foi um acontecimento importante e histórico para o mundo da conservação, mas é
apenas um primeiro passo. A sociedade é nova, pequena e inexperiente, e tem um enorme trabalho a fazer. Ela agora precisa de ajuda consistente, entusiasta e generosa, e apoio de outros agentes de conservação e de todos os que entendem a necessidade urgente de proteger os "órfãos do Rio".

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Tradução livre do texto original (Fungi: the orphans of Rio) por Ricardo Braga Neto

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23 de janeiro de 2010

Pesquisador, uma espécie rara

Para quem ainda não leu, ai vai um artigo do jornal "O Estado de São Paulo" veiculado há um tempo atrás, mas que aborda um tema extremamente atual das condições da produção científica na Amazônia brasileira.

Por Herton Escobar*

Rara e ameaçada de extinção: há apenas 1.500 doutores em atividade, metade deles perto da aposentaria

Museu de Zoologia da USP. Foto: Monalisa Lins/AE


MANAUS - Não faltam apenas soldados do Exército e fiscais do Ibama para proteger a Amazônia. Do ponto de vista científico, a floresta é também um tesouro biológico quase totalmente desguarnecido. Há mais doutores na Universidade de São Paulo (USP) que na Amazônia Legal inteira – com seus nove Estados, 23,5 milhões de habitantes, dez universidades federais, cinco estaduais, três institutos federais de pesquisa e 4,2 milhões de quilômetros quadrados de floresta recheados com a maior biodiversidade da Terra. Enquanto a USP tem 5.028 doutores, a Amazônia inteira tem apenas 3.435 – uma diferença de 32%.

“A soberania da Amazônia não é uma questão bélica, é uma questão de conhecimento”, resume o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Adalberto Luís Val. “O primeiro passo para proteger é conhecer.” Além de o número de doutores ser pequeno, metade deles está envolvida em atividades administrativas e não pesquisa em tempo integral. “Na bancada mesmo, devemos ter uns 1.500 doutores, na melhor das hipóteses”, estima Val.

Desse contingente, metade tem mais de 50 anos. Muitos estão perto de se aposentar e um bom número está defasado em relação às tecnologias mais modernas de pesquisa, como a biologia molecular. “Estamos chegando muito perto de uma situação dramática. Precisamos repor esse pessoal urgentemente, ou a capacidade da região de produzir informações sobre ela mesma será drasticamente reduzida”, afirma Val. O seu instituto, o Inpa, já perdeu cerca de 500 funcionários nos últimos 20 anos. O último concurso foi em 2002.

“Pesquisador é a espécie mais rara da Amazônia”, ironiza a ecóloga Albertina Lima, especialista em anfíbios e funcionária do Inpa há 27 anos. “E ameaçada também. Temos data marcada para desaparecer.”

O resultado aparece claramente nas estatísticas de produção científica: 70% dos trabalhos publicados sobre a Amazônia no mundo não têm um único autor com endereço brasileiro. Apesar de o Brasil ser dono de mais de 60% da Amazônia, quem produz a maior parte do conhecimento sobre ela são os estrangeiros. Só 30% dos trabalhos trazem o nome de alguma instituição nacional, e apenas 9% são assinados por algum pesquisador – brasileiro ou estrangeiro – que vive de fato na Amazônia. O restante é de pesquisadores de outros Estados que têm projetos na região, mas que não possuem vínculo direto com a Amazônia.

Isso ajuda, mas não resolve. “Estudar a Amazônia de dentro da Amazônia é uma coisa; estudá-la de fora é outra, bem diferente”, diz a pesquisadora Ima Vieira, diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. É fundamental, dizem lideranças científicas e acadêmicas, que a região tenha seu próprio quadro de pesquisadores, formados e empregados dentro da Amazônia. Não só para estudar os bichos e as plantas da floresta, mas para entender o clima, planejar cidades, cuidar da saúde pública, modernizar a indústria, abrir negócios, tornar a agropecuária sustentável, ter idéias e criar oportunidades. “A Amazônia precisa de cérebros”, diz o professor Roberto Dall’Agnol, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Pará (UFPA). “Uma população que não é capaz de gerar conhecimento nunca vai ser independente, vai ser sempre uma colônia, de uma maneira ou de outra.”

“Importar conhecimento nunca é satisfatório”, reforça o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), o matemático Jacob Palis. Se fosse, dizem os cientistas, não precisaria existir pesquisa científica e tecnológica no Brasil – bastaria trazer tudo pronto de fora. O mesmo vale para a Amazônia: a região precisa de competência própria para se desenvolver de maneira ambiental e economicamente sustentável.

Mas o caminho é longo. A Região Norte tem o menor número de programas de mestrado e doutorado do País (93), e nenhum deles com nota máxima de qualidade (7), segundo a última avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O de melhor colocação é o de Geologia e Geoquímica da UFPA, com nota 6. A nota média da região é 3,34, a mais baixa do País.

Parte do problema é a inexperiência: a pós-graduação na Amazônia é ainda muito recente. Outra é a falta de recursos. A Amazônia abriga 12% da população e contribui com 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, mas recebe apenas de 2% a 3% dos investimentos federais em ciência e tecnologia. Atrair bons professores e pesquisadores do Sul e Sudeste é difícil: a infra-estrutura é precária, há poucas vagas e os salários não são competitivos.

A maior região territorial do País é a menor em quase todos os índices do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Capes, incluindo distribuição de bolsas, cursos de pós-graduação, número de professores qualificados e participação em editais de pesquisa. A situação só começou a melhorar nos últimos anos, em grande parte com a criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), versão local da poderosa Fapesp paulista, que deu maior competitividade ao Estado na disputa por recursos federais, além de canalizar parte da carga tributária local para investimentos em ciência e tecnologia.

Na virada de 2005 para 2006, houve uma surpresa: a Região Norte foi a única que cresceu em investimentos de fomento à pesquisa do CNPq – passou de R$ 11,6 milhões para R$ 22 milhões, um aumento proporcional de 5% para 10% do total nacional. Todas as outras perderam recursos, inclusive o Sudeste. O valor total das bolsas destinadas à região também aumentou de R$ 15 milhões para R$ 21 milhões. No total de investimentos, porém, a Amazônia ainda ocupa a última colocação.

Os recursos extras são bem-vindos, mas só resolvem o problema se houver gente capacitada para gastá-los. Mais uma vez, a formação e a qualificação dos pesquisadores é essencial. “Temos de formar gente na Amazônia, essa é a prioridade número 1”, diz o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antonio Raupp. “O instrumento básico da ciência é a cabeça. Você pode ter um laboratório sem equipamento nenhum, mas, se tiver boas cabeças trabalhando nele, alguma coisa sempre acontece. Se tiver infra-estrutura, mas sem cabeças, não acontece nada.”

Enquanto a região não consegue formar seus próprios especialistas em quantidade (e qualidade) suficiente, a solução tem sido o intercâmbio de professores e alunos com instituições do Sul e Sudeste, promovido pelo programa Acelera Amazônia, da Capes. A abertura de vagas também é essencial. A Academia Brasileira de Ciências apresentou recentemente uma proposta ao governo federal para a contratação de 2 mil a 3 mil doutores na região amazônica até 2010, com uma combinação de recursos federais e estaduais. Só a concessão de bolsas não basta, dizem os especialistas, pois não há garantia de emprego para o pesquisador. “Bolsa é uma ferramenta de formação, não de fixação”, alerta Adalberto Val. “É um paliativo.”

“O que nós queremos é uma USP na Amazônia. Será que é pedir demais?”, cobra Val, que há anos batalha pela valorização da pesquisa na região. “Se São Paulo consegue ter três instituições de grande porte (USP, Unicamp e Unesp, as três universidades estaduais), por que é que não conseguimos ter uma na Amazônia inteira? Estamos falando de metade do território brasileiro! É um desequilíbrio brutal.”

* Folha de São Paulo, 27 nov 2007

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14 de dezembro de 2009

As regras e o processo de aprendizagem na pós-graduação

Por Letícia Soares


O problema de aprendizagem dos alunos na pós-graduação pode ter origens na educação básica (ilustração: Paulo Henrique Soares)

Como já diziam os sábios, aprender dói. Há um considerável nível de engano para aqueles que pensam que o processo envolvido em aprender acerca de algum aspecto é indolor. Aprender exige que quem passa pelo processo de aprendizagem esteja ciente das próprias limitações e apresente dedicação e habilidade suficientes para que tais limitações não se tornem características inerentes. No entanto, existem vias mais suaves e não menos eficientes pelas quais o aluno pode passar para que as constatações e a superação de suas insuficiências sejam um processo menos traumático e de grande êxito. Uma dessas vias pode ser o estabelecimento, por parte dos educadores, de regras a serem seguidas pelos alunos durante o processo de aprendizagem. Entendem-se aqui como regras roteiros elaborados pelos educadores, que consistem em processos bem estabelecidos com um objetivo final definido. Aos intransigentes de plantão, não se preocupem. Neste caso, o estabelecimento de regras pode ser extremamente útil para resolver problemas como confusão mental, insegurança e falta de linearidade de raciocínio. Utilizando uma analogia simples, as regras funcionariam como uma caixinha dentro da qual o aluno estaria inserido. Toda vez que o aluno se deparasse com algumas das dificuldades ou erros que as regras tentam corrigir, ele esbarraria em algum ponto da caixinha. Este processo poderia ocorrer inúmeras vezes até o momento em que o aluno já conhecesse todos os pontos da sua pequena caixa de regras, as quinas, as arestas e as faces, e dessa maneira se limitasse a uma atuação segura, sem transgredir nenhum ponto da caixinha. O educador então poderia dar-se por parcialmente satisfeito ao constatar a existência de um limiar de atuações anti-erros por parte dos alunos. A parcialidade desse sucesso se justifica no sentido em que ninguém quer ser e/ou ter um aluno embrulhado num pacotinho de regras (o que significa em palavras cantadas “all in all you’re just another brick in the wall”). Além disso, o exercício da criatividade deve ser contínuo e intrínseco e a liberdade de pensamento deve ser sempre posta em prática. Justamente neste momento as regras podem se tornar tolhedoras e gerar profissionais desprovidos de criatividade. O pulo-do-gato para solucionar o problema causado pelas regras na prática criativa do aluno seria se o último saísse da sua caixinha de regras, sem, no entanto, jogá-la fora definitivamente. O ideal seria que a caixinha fosse colocada num lugar cotidianamente visível, como em cima da geladeira ou no móvel ao lado da cama. Dessa forma, o aluno sempre se lembraria das regras e do processo pelo qual ele passou para solucionar déficits de aprendizado e para adquirir algum conhecimento sem permanecer encaixotado dentro do processo.

Um exemplo da caixinha de regras é o roteiro proposto para a elaboração de relatórios no curso de campo Ecologia da Floresta Amazônica, fornecido pelo Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF). Nesses roteiros, os alunos do curso se deparam com um conjunto de regras específicas para construir cada seção dos relatórios dos projetos executados em campo, como a introdução, os métodos, os resultados e a discussão. Especificamente, o roteiro para a introdução dos relatórios sugere uma estrutura textual apelidada de ‘triângulo’. A introdução de acordo com as regras do triângulo requer que o aluno inicie seu texto com um embasamento teórico geral (base do triângulo) e vá especificando gradualmente a apresentação das informações necessárias para a compreensão do estudo (ápice do triângulo). Para quem está escrevendo seus primeiros textos, ou até mesmo para os ‘experientes de plantão’ que ainda encontram grandes dificuldades para introduzir um texto, as regras do triângulo podem ser consideradas como um ótimo roteiro para aprender a estruturar uma introdução coerente. No entanto, é importante que o aluno esteja ciente de que a estrutura do triângulo não é necessariamente adequada para elaborar toda e qualquer introdução. Neste caso, o pulo-do-gato para consolidar a eficiência da regra do triângulo seria que o aluno aplicasse o uso de tais regras, como proposto no curso de campo, mas posteriormente analisasse a aplicação das mesmas com senso crítico. Infelizmente, não só para a regra do triângulo como para a maioria das regras propostas, o pulo-do-gato não ocorre na freqüência desejada pelos educadores e, muitas vezes, os alunos sequer conseguem aplicar as regras. Aparentemente, uma ínfima parcela dos alunos compreende as regras, as exerce com sucesso e posteriormente as supera como parte de um todo um processo necessário de aprendizagem. Ainda não encontrei argumentos qualificados para questionar o uso de tais roteiros de aprendizagem e a estrutura de tais cursos, na sua maioria baseada na caixinha de regras. Porém, ao que parece ser, o problema de aprendizagem dos alunos espelhado na resistência da aplicação das regras pode ter origens pregressas aos métodos aplicados em tais cursos, podendo ter início na educação básica.

Partindo da premissa de que a caixinha de regras é um método eficiente e de que apontei corretamente a origem do problema da inadequação dos alunos à caixinha, este é o ponto em que surge um embate: como lidar na pós-graduação com problemas de aprendizado oriundos na educação primária? Uma forma pessimista (ou realista) é de considerar este um problema sem solução. Afinal, falhas na educação básica são difíceis de corrigir já que o aluno aceita há anos como adequados, conceitos e perspectivas errôneas. No entanto, nós vivemos num país que soluciona seus problemas, incluindo os educacionais, com medidas a curto prazo. Nesse contexto, porque não utilizar uma forma imediatista – e especialmente neste caso não menos eficiente – para solucionar esta questão? A estratégia seria oferecer aos alunos noções sobre didática. Uma vez dado o conhecimento das razões pelas quais uma ou outra regra esteja sendo aplicada, o processo de aprendizagem torna-se dedutivo e não somente um cumprimento de normas. Basicamente, o aluno deveria ser incitado a fazer questionamentos como “porque eu estou fazendo isto desta forma?” ou “aonde o professor gostaria que eu chegasse ao sugerir isto?”. Uma vez que as regras tenham sido interpretadas, a execução dessas ganha sentido para o aluno, que sucumbe eventuais resistências a respeito do cumprimento das mesmas, facilitando a fluência do processo tanto para o aluno como para o educador. Além disso, o maior ganho poderia ser percebido ao fim de toda a jornada, no momento em que o aluno deveria sair da caixinha e analisá-la com bom senso. Outra maneira de fazer com que os alunos tenham noções de didática é o exercício da prática de ensino. Monitorias ou qualquer outra prática de ensino feita por um aluno pode exercer uma quebra de paradigmas extremamente positiva na maneira com a qual o aluno-professor lida com o seu próprio processo de aprendizagem.

Em suma, as regras podem ser uma excelente estratégia educacional. No entanto, o uso das regras pode apresentar resultados insatisfatórios como limitação da criatividade do aluno ou a aplicação inadequada das regras. Uma alternativa razoável seria oferecer noções de didática aos alunos ou incitar que os mesmos participem de práticas de ensino. Finalmente, é de grande importância que antes mesmo de analisar as conseqüências que envolvem o uso das regras nas práticas de ensino, as causas da aplicação de tais métodos não sejam negligenciadas. As ideologias, neste caso o uso da caixinha de regras, não devem ser desligadas da realidade nas quais foram originárias. De fato, é a realidade nas quais surgem tais soluções que torna compreensíveis as ideologias elaboradas (Chaui 1982).

Citação
Chaui, Marilena. 1982. O que é ideologia? Ed. Brasiliensis S.A., 127 pp.



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22 de outubro de 2009

5 de outubro de 2009

Como escrever de trás pra frente

Segue uma tradução livre de um artigo de William Magnusson (INPA) sobre como escrever textos científicos. 
 
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Como escrever de trás pra frente
 
Lertzman (1995) apresentou muitas sugestões úteis para escrever artigos e teses. Muitas dessas aparentemente estão relacionadas com a forma, mas escritores experientes perceberão que a maioria está intimamente relacionada com a função.  O artigo sintetizou muitas idéias interessantes que podem ser encontradas em livros sobre como escrever textos científicos, e como tais podem ser mais acessíveis para escritores iniciantes. Entretanto, em uma década ensinando comunicação científica, eu percebi que até mesmo cinco páginas de texto, com uma dúzia de sugestões gramaticais, são demais para um escritor inexperiente tentando colocar no papel seu primeiro manuscrito, especialmente se Inglês não for sua língua materna. Se o escritor for capaz de captar bem o conteúdo é relativamente fácil corrigir o manuscrito em relação ao estilo, usando textos como o de Lertzman, ou indicar  falhas no caso de um escritor experiente.

As seguintes regras tem ajudado muitos escritores inexperientes a começar a escrever, assim como ajudaram muitos escritores experientes, como eu mesmo, a sair de um desesperado emaranhado de observações e inferências.

Regra 1: Escreva as conclusões do seu artigo. Mesmo artigos extensos ou capítulos de teses não possuem mais que cinco ou seis conclusões substanciais. Cada conclusão deve ser sucinta e ocupar apenas uma sentença e menos de duas linhas. As conclusões escritas aqui não farão parte da versão final do trabalho, de modo que elas não precisam de expressões como "contudo" e "que é".

Regra 2: Escreva somente os resultados necessários para fazer as conclusões que você apresentou.

Regra 3: Escreva somente os métodos necessários para entender como os resultados foram obtidos.
 
Regra 4: Escreva a discussão, que deveria apresentar somente informações adicionais (com base na literatura) que modificam, estendem, confirmam ou contradizem as conclusões baseadas nos seus resultados.

Regra 5: Escreva a introdução, a qual deve ter somente informações necessárias para apresentar as questões para as quais as conclusões são as respostas.

Quando você tiver isso pronto, a estória está contada. Você pode ir mais a fundo para corrigir erros de estilo, como os indicados por Lertzman (1995). Se o seu orientador principal quiser que você inclua outras coisas, como revisões da literatura sobre espécies ou ecossistemas, especulações não baseadas nos seus resultados, etc., coloque-as em capítulos, seções ou apêndices à parte. Depois de defender a tese, essas poderão ser descartadas e o resto submetido para publicação. Este processo é direto, o estudante aprende a escrever uma tese e publicar ao mesmo tempo. Isto evita ter que desaprender todas as técnicas adquiridas durante a preparação da tese, de modo que é possível aprender a ser um pesquisador e a publicar.

Agradecimentos 
Eu agradeço todos meus estudantes que, quando tudo mais deu errado, adotaram essas regras e fizeram suas teses coerentes.

William E. Magnusson
Coordenação de Pesquisas em Ecologia
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
Manaus, AM - Brasil


Fonte: [Magnusson, W.E. (1996). How to write backwards. Bulletin of the Ecological Society of America vol 77(2):88.]


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18 de fevereiro de 2009

Conheça o Parque Nacional do Viruá em Roraima

Por Fabrício Baccaro

O Parque Nacional do Viruá foi criado com o objetivo de preservar os ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica que ocorrem ao sul de Roraima, permitindo também a realização de pesquisas científicas, o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e de turismo ecológico. O parque está localizado no município de Caracaraí (RR) e desde 1998 protege mais de 200.000 ha de um tipo de vegetação de transição entre a floresta densa e o cerrado, conhecido como lavrado na região.


O nome do parque vem do igarapé que nasce em seu interior. A área compreende uma vasta superfície praticamente plana, com predomínio de solos arenosos e mal drenados, com grande quantidade de lagoas. Na parte norte existe alguns morros com altitudes modestas, de aproximadamente 300 m. Ao longo da extensão oeste, delimitada pelo Rio Branco, há ocorrência de planícies inundáveis, situação observada também na porção sul, ao longo do Rio Anauá. O clima é quente e úmido na maior parte do ano, mas apresenta uma estação seca entre os meses de setembro a março.

A área do parque abriga espécies características de ambientes alagados, como palmeiras buriti, açaí, jauari e outras como a bacaba e o inajá que ocorrem em áreas de igapó. A fauna apresenta espécies migratórias de aves como o tuiuiú (chamado de passarão no estado de Roraima) e a águia pescadora, aves de ambientes encharcados como a garça-branca e a jaçanã, além de espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, a suçuarana e a anta.

Infra-estrutura para turismo ecológico

O Parque Nacional do Viruá conta com dois alojamentos, com capacidade para 30 pessoas instaladas confortavelmente, cozinha equipada, água encanada e energia elétrica proveniente de gerador. O acesso é feito por via fluvial, pelo Rio Branco, e por via terrestre, pela Rodovia BR-174, a 60 km ao Sul de Caracaraí, denominada de Estrada Perdida. O acesso ao Parque é muito fácil, mesmo para quem não tem carro. Para quem sai de Manaus, é só comprar uma passagem de ônibus para Caracaraí e descer na Vila Petrolina. A estrada de terra que dá acesso ao parque é transitável em qualquer época e fica a menos de 10 km da vila.

A melhor época para visitar o parque é durante o período menos chuvoso (abril a agosto) quando as áreas de vegetação aberta ficam mais secas, o que facilita o deslocamento. Como em qualquer Unidade de Conservação a natureza é quem manda, então para aqueles que têm alergias a picadas de insetos e carrapatos é bom levar os medicamentos e estar com as vacinas obrigatórias (febre amarela e tétano) em dia.

Infra-estrutura de pesquisa no Parque

O PN do Viruá abriga um dos sítios permanentes de pesquisas do Programa de Pesquisa em Biodiversidade – PPBio/MCT. O sítio de pesquisa é composto por um sistema de trilhas e acampamento de campo que facilitam o acesso e minimizam os custos de pesquisas ecológicas. 

O sistema de trilhas forma uma grade de 5 por 5 km. Ao longo das trilhas leste-oeste, a cada 1 km, existem parcelas permanentes de 40 x 250 m, onde os pesquisadores coletam informações sobre o ambiente e as espécies. A grade de trilhas, além de servir para deslocamento, pode ser utilizada para pesquisar os animais e plantas que não podem ser amostrados nas parcelas. 

Todas as informações coletadas pelos pesquisadores e pela equipe do PPBio, por exemplo sobre os solos, estrutura da vegetação, altitude e inclinação do terreno, são disponibilizadas no Portal PPBio na internet.

No centro da grade de coleta existe um acampamento de apoio, com capacidade para 15 pessoas, equipado com fogareiro a gás, botija, utensílios completos para cozinha, chuveiro e bomba de água movida a gasolina. O telhado do acampamento funciona como um grande funil que direciona a água da chuva para 3 caixas d’água. A bomba a gasolina só é acionada quando a água da chuva não é suficiente.

Integração com a Comunidade do entorno

A falta de pessoal qualificado é um dos principais desafios da região amazônica, portanto, envolver técnicos, pesquisadores locais e a comunidade do entorno do parque com profissionais de outros núcleos de pesquisas é muito importante. 

Essa filosofia faz parte da conduta do PPBio e do ICMBio no Parque Nacional do Viruá, que dão preferência para contratação de brigadistas, mateiros e auxiliares de campo da comunidade local. A relação entre pesquisadores e moradores do entorno do parque proporciona oportunidades de trabalho, geram renda, formam pessoas e estreitam os vínculos entre o parque, a pesquisa científica e a comunidade.

Assista ao vídeo sobre o PPBio no PN do Viruá

O vídeo abaixo mostra uma pequena parte das pesquisas desenvolvidas no parque. Além de plantas (árvores e ervas), cobras, lagartos e sapos mostrados aqui, muitos outros grupos biológicos já foram estudados, como peixes, formigas, ácaros, vespas, abelhas, macacos, grandes mamíferos e aves. 

Para mais informações sobre as pesquisas desenvolvidas no PN do Viruá, visite o Portal do PPBio.


Contatos do Parque Nacional do Viruá:
  • Antonio Lisboa - lisboa.ibama@gmail.com 
  • Beatriz Ribeiro Lisboa - belisboa@gmail.com
Créditos das imagens:
Mapa Parque Nacional do Viruá - Juliana Schietti
Fota da onça-pintada - Luis Claudio Marigo
Foto das pessoas - Julio do Vale

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23 de janeiro de 2009

Pesquisadores do Inpa levam Richard Rasmussen para conhecer a Reserva Ducke

A pesquisadora Albertina Lima (Inpa), junto com Pedro Ivo Simões e Luciana Erdtmann, alunos de doutorado do instituto, levaram Richard Rasmussen para conhecer a Reserva Ducke (AM). Richard, apresentador do programa Selvagem ao Extremo da Rede Record, é um apaixonado pela natureza e ficou surpreso com a existência de uma reserva tão bem conservada próximo à cidade de Manaus.

Ele se divertiu com várias espécies de animais, como sapos, cobras e aranhas, e apresentou o conteúdo de forma educativa. Richard usou Guia de Sapos da Reserva Ducke para identificar algumas espécies, tendo o privilégio de contar com a presença de Albertina e Luciana, ambas autoras do guia.


O programa foi ao ar no último domingo (18/01/09).

Para conhecer mais guias produzidos pelo PPBio, clique aqui.

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15 de janeiro de 2009

Ecoturismo: entrevista com Helio Hintze (ESALQ) sobre a utilização do prefixo 'eco'

Fonte: [Rádio CBN, 11'20"].

Ouça a entrevista com Helio Hintze sobre "Ecoturismo na cultura de consumo: possibilidade de educação ambiental ou espetáculo?", tema de sua dissertação de mestrado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP).

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11 de janeiro de 2009

Navegando e lendo: dôe livros para estimular a leitura na Amazônia

Na Amazônia, diariamente milhares de pessoas fluem pelos leitos dos rios em todas as direções, por muitos motivos e vontades. Como o transporte fluvial é lento e as distâncias são amazônicas, todas compartilham longos períodos a bordo de recreios e expressos. Como navegar é tão preciso quanto inevitável, esse tempo não deveria ser desperdiçado, mas sim usado para divertir, educar e estimular as pessoas. Contudo, o acesso a livros na região é muito restrito e na maior parte das vezes associado a escolas e bibliotecas nas comunidades e cidades. Até pouco tempo atrás isso era fato, mas uma idéia simples e genial vem mudando esse quadro.

O Projeto Navegando e Lendo, idealizado por Jorge Klein, consiste em incorporar pequenas bibliotecas nas embarcações que fazem a maior parte do transporte na Amazônia, através de doações de livros novos e usados. A intenção é difundir o hábito da leitura para os navegantes, facilitando o acesso aos livros e conscientizando a população da importância do ato de ler. Assim, é possível escolher alguns livros para ler durante a viagem e depois devolvê-lo para que outras pessoas possam usufruir e se divertir com a leitura.

O projeto abriga livros sobre muitos temas, voltados para os públicos infantil, juvenil e adulto. Atualmente, o Navegando e Lendo está em expansão e já incorporou livros a mais de uma dezena de embarcações que fazem trajetos a partir de Manaus pelos rios Solimões, Negro, Juruá, Amazonas, levando seus navegantes até cidades distantes como Tabatinga, Parintins, São Gabriel da Cachoeira, Tefé, Cruzeiro do Sul e Carauari.

Para quem está em Manaus e quiser doar alguns livros usados para o projeto, pode deixá-los na loja de conveniência do Posto BR no bairro Vieiralves (endereço: Rua João Valério, 230 – próximo à Av. Djalma Batista). O telefone de contato é :: (92) 8114-4100 [Jorge Klein].

Quem estiver fora de Manaus e também tiver interesse em ajudar, contato pelo email :: jorgeklein@navegandoelendo.com.br.

Para conhecer mais, visite o site :: http://www.navegandoelendo.com.br/.

Parabéns a todos envolvidos pela iniciativa!

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