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8 de setembro de 2010

Parque Nacional do Viruá no Globo Universidade

No dia 21 de agosto de 2010, foi ao ar um programa Globo Universidade sobre pesquisas taxonômicas e ecológicas no Parque Nacional do Viruá, tendo como temas um curso de identificação botânica com o pesquisador Mike Hopkins (INPA) e entrevistas sobre sapos, cobras e lagartos (Marcelo Gordo - UFAM, Rafael de Fraga - INPA), peixes (Julio do Vale - INPA) e aves (Thiago Orsi - ex-INPA, atual ICMBio). O resultado foi um excelente programa de popularização das pesquisas em biodiversidade na Amazônia!


O Parque Nacional do Viruá tem cerca de 230.000 ha e está localizado no município de Caracaraí (RR). Em 2011, o parque deve abrir suas portas para a visitação pública e já tem muito a oferecer. O Viruá possui uma grade de pesquisa do PPBio instalada desde março de 2006. Lá já foram feitas diversas pesquisas, com destaque para serpentes e lagartos, primatas, mamíferos de médio e grande porte, besouros, formigas, peixes, vários grupos de plantas (herbáceas, Zingiberales, pteridófitas e lianas), além de muitas variáveis ambientais e ecossistêmicas que ajudam a descrever ecologicamente os ambientes do parque.

Veja aqui as pesquisas feitas no PARNA Viruá na grade do PPBio.


Grade de 25 km2 no Parque Nacional do Viruá. As linhas representam as trilhas do sistema RAPELD, adotado pelo PPBio e parceiros, padronizadas e com marcação a cada 100m; os pontos pretos são parcelas terrestres, distribuídas regularmente a cada 1 km. As pesquisas são feitas tanto nas trilhas quanto nas parcelas.


Para conhecer mais, visite:

Contato no Parque Nacional do Viruá:

  • Antonio Lisboa (ICMBio)
+55 (95) 3623-9513 | lisboa.ibama@gmail.com


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11 de janeiro de 2010

PPBio lança Guia de Leguminosas Herbáceas – Grades de Savana em Roraima


O Guia das Leguminosas Herbáceas das Duas Grades de Savanas do PPBio foi originado a partir do interesse do grupo de pesquisa local (GP-CNPq / Ecologia e Manejo dos Recursos Naturais das Savanas de Roraima) em detectar a diversidade e o padrão de distribuição de plantas que habitam as áreas de savanas de Roraima. Das 32 espécies (25 nas parcelas e 7 nos arredores) identificadas por nosso grupo, não haviam novidades regionais. Entretanto, conseguimos montar um quebra-cabeça e estabelecer os padrões mínimos de ocorrência destas espécies a partir de variáveis edáficas e fitofisionômicas. Desde 1978 foram realizados apenas dois estudos que identificaram várias destas espécies localmente e, portanto, essa seria uma boa oportunidade de não só resgatar como também ampliar o nível de informações sobre este grupo taxonômico tão importante economicamente (fixador de nitrogênio, forrageiro, alimentício, farmacológico, etc). O guia nada mais é do que uma forma mais inteligente de dar visibilidade aos recursos naturais locais com o objetivo de auxiliar na formatação de políticas públicas de conservação destas áreas de vegetação aberta do extremo norte amazônico. Outra premissa de igual importância do guia é a facilitação de futuros inventários florísticos por parte de acadêmicos/professores interessados no grupo das herbáceas das savanas locais. A maioria desta clientela possui dificuldades em acessar/identificar o patrimônio genético deste grande ecossistema e, por isso, acaba apoiando ou buscando alternativas não sustentáveis para o uso de seus recursos naturais.

O Field Museum de Chicago possui uma série de guias de identificação sobre plantas e animais de vários grupos taxonômicos, principalmente para regiões tropicais. A equipe do museu estimula a publicação desses guias fotográficos visando facilitar a identificação de espécies e a difusão de conhecimento para o público, uma grande carência na região amazônica. Esses guias são gratuitos e são feitos para serem usados no campo, basta salvar o arquivo, imprimi-lo e plastificá-lo. Para saber mais, clique:
http://www.fieldmuseum.org/

Para citar o guia: Cavalcante, C.O.; Barbosa, R.I.; Flores, A.S. 2009. Leguminosas (Fabaceae) Herbáceas – Grades de Savana do Programa de Pesquisas em Biodiversidade (PPBio), Roraima, Brasil. Field Museum Guide Plants – Web Version
(http://fm2.fieldmuseum.org/plantguides/guideimages.asp?ID=392)

Para conhecer os demais guias produzidos pelo PPBio:
http://ppbio.inpa.gov.br/Port/guias/.


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22 de outubro de 2009

Etanol em Roraima: Licença prévia para nova usina em Roraima é contestada

Empresa Biocapital obteve do governo estadual licença prévia para se instalar em Bonfim, mesmo com graves falhas no Estudo de Impacto Ambiental. Pelas novas regras do Zoneamento Agroecológico da Cana, região é área proibida para expansão da cultura.

Leia a reportagem de Thaís Brianezi, publicada no Repórter Brasil (19/10/09) e Folha de Boa Vista (20/10/09).


Enviada por Ciro Campos (INPA/RR e Coletivo Ambiental do Lavrado).


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17 de setembro de 2009

O etanol de Roraima não é bom para o Brasil

Por Ciro Campos*


A nova usina de etanol da Amazônia não é boa para Roraima nem para o Brasil, e pode comprometer a conquista do selo verde que o etanol brasileiro precisa. A nova usina não ajudaria o Brasil porque tem tudo que o mercado internacional não quer: é uma nova usina, fica na Amazônia, vai gerar desflorestamento e disseminar o impacto da cana em uma das maiores bacias hidrográficas da Amazônia.

É uma nova usina: a nova usina ainda não existe e nem obteve autorização para começar as obras, ao contrário do que foi informado aos ministros Minc e Stephanes em agosto do ano passado. Os canaviais para a produção da usina ainda não foram plantados, e os plantios que existem ainda se destinam apenas à produção de mudas.

É na Amazônia: se for aprovada, a nova usina e os canaviais seriam implantados na maior savana do bioma Amazônia, que fica no estado de Roraima, na região conhecida como Lavrado. Segundo os cientistas e também o IBGE, o Lavrado faz parte do bioma Amazônia, que inclui não só florestas, mas também savanas, campinas, bambuzais, várzeas, etc.

Vai gerar desflorestamento: desflorestamento não significa apenas a derrubada de florestas, mas também a retirada de qualquer vegetação natural, seja floresta ou campo, seja na Amazônia ou em qualquer outra parte do Brasil. Se a usina for aprovada, seus canaviais seriam plantados sobre a vegetação nativa do Lavrado, considerado pelo governo federal como área prioritária para conservação da biodiversidade.

Vai disseminar a cana em nova uma bacia hidrográfica: a nova usina seria implantada às margens do rio Tacutu, formador do rio Branco, principal afluente do rio Negro. A bacia do rio Negro é uma das maiores, mais ricas e mais conservadas da Amazônia. A nova usina, portanto, seria instalada nas cabeceiras da bacia do rio Negro, elevando em muitas vezes o volume de insumos tóxicos aplicados nesta parte da Amazônia, e na vizinhança de terras indígenas. A densa rede de rios localizada nos arredores na nova usina tem pouca água no período seco, que coincide com o período de aplicação dos bilhões de litros de vinhoto e agrotóxicos, potencializando o impacto de uma possível contaminação.

Com essas características, essa nova usina coloca em risco o esforço do governo federal, empenhado em garantir ao mercado internacional que o etanol brasileiro não ameaça a Amazônia, o Pantanal, e não compromete as águas, a biodiversidade e a qualidade de vida dos povos. O custo-benefício se revela inviável, pois ela aumentaria em apenas um por cento a área plantada com cana, mas colocaria em risco o valor de todo o etanol que o país produz. O necessário esforço para reduzir as emissões de carbono não pode resultar em novos problemas ambientais, e não deve justificar a expansão do etanol sobre as savanas amazônicas. As riquezas naturais dessa região, assim como o petróleo do pré-sal, são ativos estratégicos que pertencem ao povo brasileiro e que, portanto, precisam servir ao conjunto da nação, e não apenas a este ou aquele estado da federação.

Existem outros meios para o governo federal ajudar o povo de Roraima a viver com dignidade. Fortalecer a produção rural que já existe e investir em indústrias de beneficiamento aumenta a renda no interior, gera empregos nas cidades e fixa a família na sua terra, para que ela não seja vendida ou arrendada em favor da nova usina. Aproveitar o cenário favorável ao comércio internacional e a vocação natural para o turismo também pode gerar divisas. A copa de 2014 será uma boa oportunidade para firmar o estado como potência sócio-ambiental e abrir as portas para o turismo internacional. A produção de biodiesel a partir do inajá, palmeira nativa que é praga na região, pode ser interessante. O Lavrado de Roraima também é campeão amazônico em potencial de geração de energia a partir do sol e dos ventos, potencial que pode ser aproveitado. Além disso, ainda podemos receber a compensação ambiental pela água, o carbono e a biodiversidade, compensação que não é esmola, mas justo pagamento para quem protege os tesouros da nação.

As iniciativas do governo federal para desenvolver Roraima, como a Zona de Processamento de Exportação, a Área de Livre Comércio, a ligação Brasil-Guiana e a regularização das terras, devem ajudar na criação de um modelo de desenvolvimento realmente novo, com democracia econômica e fundiária, aonde a terra cumpra o seu papel de melhorar a vida do povo e esse povo cumpra o seu papel de contribuir para a grandeza do país. Não é cobrindo a paisagem natural de savanas amazônicas com cana e soja que o estado estará dando sua melhor contribuição ao país. O principal papel de Roraima para a grandeza e o futuro do país é proteger e usar com sabedoria as riquezas naturais que podem fazer do Brasil a potência do século vinte e um. Essa é a maior contribuição que, com muito orgulho, Roraima pode dar ao Brasil.

* Coletivo Ambiental do Lavrado – Roraima. ciro.roraima@yahoo.com.br. (95)9902-9067.


Fonte [Folha de Boa Vista, 17/09/09]


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23 de agosto de 2009

Projeto Jaguar: uso de hábitat e estrutura genética da onça-pintada

Por Cláudia Keller e Denise Prado

O Projeto Jaguar é uma parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, a Estación Biológica Doñana - EBD, da Espanha e a Universidad Nacional Autónoma de México - UNAM, com o objetivo de comparar o uso de hábitat e a estrutura genética de populações de onça-pintada, Panthera onca, no centro (Amazônia) e no limite setentrional (México) de sua área de distribuição. O projeto, que tem duração de 2006 a 2009, é financiado pela Fundación BBVA, da Espanha, dentro de um edital anual para projetos de conservação da biodiversidade entre instituições espanholas e da América Latina.

Globalmente a onça-pintada é classificada como “quase ameaçada” (nearly threatened) pela lista vermelha de espécies ameaçadas da IUCN. Atualmente a espécie ainda ocorre em 46% de sua área de distribuição original, que se estendia desde a Argentina até o sudeste dos Estados Unidos. A caça predatória e a alteração do habitat são as principais causas da redução populacional da espécie.

A Amazônia brasileira corresponde à maior extensão de floresta tropical primária contínua ainda existente no planeta e é a única região onde onças-pintadas, que podem chegar a ter áreas de vida de mais de 200 km², ainda são amplamente distribuídas, localmente abundantes e com estrutura e dinâmica populacionais não, ou apenas minimamente, impactadas pelo homem. Regionalmente, a espécie é considerada não ameaçada na Amazônia.

Já no México, a alta densidade populacional humana e intensa fragmentação do habitat reduziram drasticamente as populações de onça-pintada. A espécie é considerada ameaçada de extinção em nível nacional, restando apenas pequenas populações locais com baixo potencial de crescimento, dispersão e viabilidade genética.

Armadilhas fotográficas geram muitas informações sobre ocorrência, horário de atividade e identidade de indivíduos de Panthera onca

A onça-pintada é o maior felídeo das Américas, com comprimento médio do corpo de 133 cm e peso médio de 61 kg. No entanto, e apesar de seu grande porte, é difícil de estudar, especialmente em ambientes florestais tropicais como os amazônicos e meso-americanos. Isso se deve a que as onças são geralmente solitárias, de habitos predominantemente noturnos e muito esquivas em relação à presença humana. Por essa razão, e também devido ao alto custo e dificuldades logísticas associadas à captura e monitoramento de indivíduos de onça, o projeto está baseado em métodos de amostragem não invasivos. Os principais métodos empregados em ambos países são a amostragem por pegadas, a amostragem visual e auditiva de espécies-presa, e a coleta de excrementos de onças para análise molecular.

O registro das pegadas fornece informações sobre a identidade e ocorrência da espécie a baixo custo

No México, além dos métodos listados, também houve captura de indivíduos para marcação e monitoramento por radio-satélite, porque é importante conhecer a área de vida e a dinâmica de uso do espaço das onças que habitam unidades de conservação neste país, para melhor planejamento de estratégias de manejo da espécie.

No Brasil, as amostragens foram realizadas em quatro unidades amostrais padronizadas de 25km2 do
Programa de Pesquisa em Biodiversidade – PPBio, localizadas na Reserva Ducke (Manaus – AM), Reserva Biológica do Uatumã (Presidente Figueiredo – AM), Parque Nacional do Viruá (Caracaraí – RR) e Estação Ecológica do Maracá (Alto Alegre – RR), distribuídas em uma área de aproximadamente 300 x 1200 km de extensão entre a margem norte do Rio Amazonas, na altura de Manaus, e a fronteira entre Roraima e a Venezuela. As unidades amostrais são representativas de diferentes tipos de habitat amazônico, desde floresta tropical úmida de terra firme, até transição entre campinarana e savana, passando por um mosaico de floresta e campinarana sazonalmente inundada.

Em função da parceria com o PPBio, um dos objetivos do projeto no Brasil é o de colaborar para o desenvolvimento de um protocolo para amostragem de grandes felinos e suas presas em sítios de amostragem PELD e RAPELD, que formam a infraestrutura de amostragem do PPBio.

As amostragens no Brasil foram realizadas na época seca de 2007/2008 e 2008/2009 no Amazonas e Roraima. Os dados de amostragem de pegadas e de registro de espécies-presa estão sendo analisados. A análise genética dos excrementos está sendo realizada no Laboratório de Ecologia Molecular da EBD, que tem extensa experiência no uso e aprimoramento de técnicas de isolamento e análise de DNA degradado, como o que ocorre em fezes. Os objetivos são os de aperfeiçoar marcadores diagnósticos para as espécies de felinos silvestre da Amazônia central, além do uso de microsatélites para identificação individual.

Os resultados preliminares indicam que os métodos utilizados são adequados para a amostragem de onças-pintadas, onças-pardas e jaguatiricas, que parecem usar as trilhas das unidades amostrais para seus deslocamentos habituais. As amostragens de pegadas são eficientes para estudos de detecção de presença das espécies. Para estudos de monitoramento populacional, no entanto, o mais promissor dos métodos testados parece ser o da análise molecular de excrementos, pois as coletas são logisticamente mais simples que as amostragens de pegadas e podem ser feitas por membros de outras equipes que estejam trabalhando nas áreas de amostragem. Além disso, a análise do DNA contido nos excrementos é muito mais informativa do que a de pegadas.

Abaixo segue um vídeo do Jornal Hoje da Rede Globo que abordou algumas atividades em campo da equipe do Projeto Jaguar no Parque Nacional do Viruá.


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30 de junho de 2009

Desmatamento tira Belém da Copa do Mundo. Bom para Roraima?

Por Ciro Campos [Folha de Boa Vista, 30/06/09]

Belém perdeu pra Manaus por razões técnicas, políticas, econômicas, geográficas, etc. É nesse ‘etc’ que entra o desmatamento. Pará e Amazonas são bons de infra-estrutura, mas pra sede amazônica da Copa o importante era a natureza. Nesse quesito o Amazonas deu de goleada, jogando com sua floresta conservada, contra um Pará que já entrou em campo com todo aquele desmatamento.

A Copa é uma vitrine onde o país exibe ao mundo o que tem de melhor, e os olhos do mundo estão voltados para a Amazônia. O desmatamento, portanto, é o tipo de coisa que o anfitrião gostaria de esconder embaixo do gramado, se pudesse. Agora o Brasil vai investir bilhões em Manaus e nas outras sedes, mas vai ter que investir outros bilhões em projetos sustentáveis na Amazônia toda, se não quiser chegar em 2014 com a floresta queimando o nosso filme.

Manaus ter sido a escolhida pode ser bom para Roraima. Se o ingresso não for coisa de rico o povo vai poder assistir, e a movimentação pode ajudar a projetar o estado como destino turístico. Potencial não falta, mas pra isso acontecer é preciso mais que atrativos e estrutura, é preciso saber vender o que o mundo do turismo quer comprar e usar a usar a propaganda certa. É seguir mais o exemplo do Amazonas, e menos o do Pará.

Roraima entrou recentemente na lista negra do desmatamento e, assim como o Pará, tenta amolecer suas leis ambientais. Tudo indica que o destino de nossos campos naturais, o Lavrado, é virar uma grande plantação de cana e grãos. Os planos de desenvolvimento são enormes, arriscados, com pouco zelo pelos mananciais e com mais investimento nos grandes produtores que nos pequenos.

Não existe propaganda melhor nos dias de hoje que ser um dos estados mais conservados da Amazônia e o que tem o maior percentual de áreas protegidas. O que falta é tirar proveito disso em benefício do povo. Temos florestas em bom estado, o Lavrado com os maiores campos da Amazônia, as montanhas, as águas limpas, a biodiversidade, as fronteiras, a tradição dos migrantes, a memória dos pioneiros e a cultura dos índios. Isso pode não apenas gerar empregos no turismo, mas também lançar um ‘verniz verde’ sobre tudo que o estado produz, abrir mercados e atrair outros tipos de investimento. Mas pra isso dar certo Roraima não pode, em hipótese nenhuma, ganhar a fama de destruidor das matas e dos campos.

Seguir o exemplo do Pará não vai trazer a torcida para o nosso lado. Eles tem muito pasto, soja, madeira e minério, mas nada disso impressionou os homens da Fifa nem melhorou a vida do povo de lá. A gente não pode ir pelo mesmo caminho. Se Roraima quiser bater um bolão na copa, tem até 2014 pra mudar de tática. Ainda é tempo de virar o jogo.

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18 de fevereiro de 2009

Conheça o Parque Nacional do Viruá em Roraima

Por Fabrício Baccaro

O Parque Nacional do Viruá foi criado com o objetivo de preservar os ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica que ocorrem ao sul de Roraima, permitindo também a realização de pesquisas científicas, o desenvolvimento de atividades de educação ambiental e de turismo ecológico. O parque está localizado no município de Caracaraí (RR) e desde 1998 protege mais de 200.000 ha de um tipo de vegetação de transição entre a floresta densa e o cerrado, conhecido como lavrado na região.


O nome do parque vem do igarapé que nasce em seu interior. A área compreende uma vasta superfície praticamente plana, com predomínio de solos arenosos e mal drenados, com grande quantidade de lagoas. Na parte norte existe alguns morros com altitudes modestas, de aproximadamente 300 m. Ao longo da extensão oeste, delimitada pelo Rio Branco, há ocorrência de planícies inundáveis, situação observada também na porção sul, ao longo do Rio Anauá. O clima é quente e úmido na maior parte do ano, mas apresenta uma estação seca entre os meses de setembro a março.

A área do parque abriga espécies características de ambientes alagados, como palmeiras buriti, açaí, jauari e outras como a bacaba e o inajá que ocorrem em áreas de igapó. A fauna apresenta espécies migratórias de aves como o tuiuiú (chamado de passarão no estado de Roraima) e a águia pescadora, aves de ambientes encharcados como a garça-branca e a jaçanã, além de espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, a suçuarana e a anta.

Infra-estrutura para turismo ecológico

O Parque Nacional do Viruá conta com dois alojamentos, com capacidade para 30 pessoas instaladas confortavelmente, cozinha equipada, água encanada e energia elétrica proveniente de gerador. O acesso é feito por via fluvial, pelo Rio Branco, e por via terrestre, pela Rodovia BR-174, a 60 km ao Sul de Caracaraí, denominada de Estrada Perdida. O acesso ao Parque é muito fácil, mesmo para quem não tem carro. Para quem sai de Manaus, é só comprar uma passagem de ônibus para Caracaraí e descer na Vila Petrolina. A estrada de terra que dá acesso ao parque é transitável em qualquer época e fica a menos de 10 km da vila.

A melhor época para visitar o parque é durante o período menos chuvoso (abril a agosto) quando as áreas de vegetação aberta ficam mais secas, o que facilita o deslocamento. Como em qualquer Unidade de Conservação a natureza é quem manda, então para aqueles que têm alergias a picadas de insetos e carrapatos é bom levar os medicamentos e estar com as vacinas obrigatórias (febre amarela e tétano) em dia.

Infra-estrutura de pesquisa no Parque

O PN do Viruá abriga um dos sítios permanentes de pesquisas do Programa de Pesquisa em Biodiversidade – PPBio/MCT. O sítio de pesquisa é composto por um sistema de trilhas e acampamento de campo que facilitam o acesso e minimizam os custos de pesquisas ecológicas. 

O sistema de trilhas forma uma grade de 5 por 5 km. Ao longo das trilhas leste-oeste, a cada 1 km, existem parcelas permanentes de 40 x 250 m, onde os pesquisadores coletam informações sobre o ambiente e as espécies. A grade de trilhas, além de servir para deslocamento, pode ser utilizada para pesquisar os animais e plantas que não podem ser amostrados nas parcelas. 

Todas as informações coletadas pelos pesquisadores e pela equipe do PPBio, por exemplo sobre os solos, estrutura da vegetação, altitude e inclinação do terreno, são disponibilizadas no Portal PPBio na internet.

No centro da grade de coleta existe um acampamento de apoio, com capacidade para 15 pessoas, equipado com fogareiro a gás, botija, utensílios completos para cozinha, chuveiro e bomba de água movida a gasolina. O telhado do acampamento funciona como um grande funil que direciona a água da chuva para 3 caixas d’água. A bomba a gasolina só é acionada quando a água da chuva não é suficiente.

Integração com a Comunidade do entorno

A falta de pessoal qualificado é um dos principais desafios da região amazônica, portanto, envolver técnicos, pesquisadores locais e a comunidade do entorno do parque com profissionais de outros núcleos de pesquisas é muito importante. 

Essa filosofia faz parte da conduta do PPBio e do ICMBio no Parque Nacional do Viruá, que dão preferência para contratação de brigadistas, mateiros e auxiliares de campo da comunidade local. A relação entre pesquisadores e moradores do entorno do parque proporciona oportunidades de trabalho, geram renda, formam pessoas e estreitam os vínculos entre o parque, a pesquisa científica e a comunidade.

Assista ao vídeo sobre o PPBio no PN do Viruá

O vídeo abaixo mostra uma pequena parte das pesquisas desenvolvidas no parque. Além de plantas (árvores e ervas), cobras, lagartos e sapos mostrados aqui, muitos outros grupos biológicos já foram estudados, como peixes, formigas, ácaros, vespas, abelhas, macacos, grandes mamíferos e aves. 

Para mais informações sobre as pesquisas desenvolvidas no PN do Viruá, visite o Portal do PPBio.


Contatos do Parque Nacional do Viruá:
  • Antonio Lisboa - lisboa.ibama@gmail.com 
  • Beatriz Ribeiro Lisboa - belisboa@gmail.com
Créditos das imagens:
Mapa Parque Nacional do Viruá - Juliana Schietti
Fota da onça-pintada - Luis Claudio Marigo
Foto das pessoas - Julio do Vale

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