24 de novembro de 2009

Saúvas: uma sociedade de formigas

As Saúvas - Uma sociedade de formigas (Jo Fava Alves)

As formigas habitam o planeta Terra há mais de cem milhões de anos. Apesar de pequenas e da aparente simplicidade, elas têm uma complexa organização social com um sofisticado sistema de divisão de tarefas. Este vídeo mostra fenômenos e comportamentos que retratam a biologia e a ecologia desses insetos sociais.

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11 de novembro de 2009

Turfeiras da Amazônia: um dreno desconhecido de carbono atmosférico e uma fonte em potencial

Por Outi Lähteenoja (adaptado de Lähteenoja et al. 2009)

Em ecossistemas de águas paradas e falta de oxigênio, as folhas e troncos de árvores que caem no chão não decompõem completamente, devido à ação apenas parcial microbiota decompositora. Consequentemente, uma parte da vegetação parcialmente decomposta fica acumulada sobre o solo formando um material chamado turfa. Uma vez que as plantas contêm carbono atmosférico obtido pelo processo de fotossíntese, o acúmulo de turfa reduz o efeito estufa e, a longo prazo, o aquecimento global, e, portanto, é benéfica ao meio ambiente.


A maioria das turfeiras do mundo está localizada em regiões de clima frio, cobertas por florestas temperadas, boreais ou tundras, mas nas últimas décadas, importantes áreas de turfeiras foram descobertas em florestas tropicais do sudeste da Ásia. Estas turfeiras podem ter até 20 metros de profundidade e acumulam turfa em taxas muito altas. Portanto, as turfeiras asiáticas são importantes reservas e drenos de carbono atmosférico (Page et al. 2004). É supreendente que as turfeiras da maior área de floresta tropical do mundo – a Amazônia – sejam praticamente desconhecidas e inexploradas (Schulman et al. 1999).


Em estudo feito por mim junto a colegas das Universidades de Helsinki, Turku e Iquitos (Universidad Nacional de la Amazonía Peruana), exploramos 17 áreas encharcadas na floresta Amazônica Peruana, em Loreto (perto de Iquitos). O objetivo foi determinar se os ecossistemas de águas paradas na Amazônia também são áreas de acúmulo de turfa. A resposta é sim, pois em 16 dos 17 sítios estudados, encontramos um importante acúmulo de turfa, em um dos sítios, essa camada atingiu quase 6 metros de profundidade. Nossos resultados, apresentados na tabela abaixo, mostraram, pela primeira vez, que a formação de turfa é muito comum na Amazônia.


Área de estudo

Profundidade média (em cm) da camada de turfa (mín. e máx entre parênteses)

Taxa média de acumulação de turfa (mm/ano)

Taxa média de acumulação de carbono (g m-2/ano)

Aucayo

5 (0-70)



Buena Vista

210 (0-300)

2.50±0.10


Charo

140 (0-210)

2.56±0.12


Chino

0 (0-30)



Ex Petroleros

110 (50-170)



Fundo Junior

260 (140-420)



Itaya 1

10 (0-30)



Itaya 2

0 (0)



Itaya 3

0 (0-20)



Pebas

55 (40-70)



Primavera

55 (10-150)



Quistococha

245 (0-490)

1.69±0.03

74±15

Riñón

370 (300-390)

2.32±0.12

39±10

San Jorge

250 (0-590)

1.92±0.05

85±30

San Nicolas

145 (0-270)



Santa Rosa

110 (10-150)



Tarapoto

145 (100-180)




Dados extraídos de Lähteenoja et al. (2009).


Um segundo passo foi medir a taxa de acumulação de carbono na camada de turfa destas áreas encharcadas. Com isso, pudemos estimar quanto carbono é removido da atmosfera durante o lento processo de desenvolvimento de uma turfeira. Isso foi possível através da datação do radiocarbono, que é feita com base na proporção entre o C12 e C14. Em nosso estudo, encontramos altas de taxas anuais de acumulação: de 0,94 a 4,88 mm de turfa e 26 a 195 g de carbono.


Porém, a existência de turfeiras é totalmente dependente da presença de água parada e, em condições de seca, tais turfeiras podem se tornar uma fonte de carbono para a atmosfera e contribuir para o aceleramento do aquecimento global e do efeito estufa. Isso aconteceu, por exemplo, em 1997, quando após um período de seca e fogos sucessivos, turfeiras na Indonésia emitiram entre 0,81 e 2,57 gigatoneladas de carbono para a atmosfera, o equivalente a 13 a 40 % da emissão anual mundial proveniente de combustíveis fósseis (Page et al. 2002).


Ainda que as turfeiras da Amazônia estejam relativamente bem conservadas e, portanto, não representem atualmente uma fonte de emissão de carbono, tais sistemas representam um importante dreno e estoque de carbono atmosférico. Segundo a estimativa feita por Schulman e colaboradores (1999), a Amazônia possui 150.000 km2 de turfeiras, uma área de escala semelhante à ocupada por turfeiras na Indonésia. Semelhante também são os diversos fatores que ameaçam a integridade dos ecossistemas amazônicos e indonésios – como, por exemplo, períodos de seca prolongados no futuro.


Considerando-se os atuais impactos da ação humana na Amazônia, aliados à experiência do que ocorreu na Indonésia, fica clara a urgente necessidade de se conservar estes ecossistemas pouco conhecidos.


Esse texto está baseado na seguinte publicação:


Lähteenoja, O, Ruokolainen K, Schulman L, Oinonen M (2009) Amazonian peatlands: an ignored C sink and potential source. Global Change Biology 2009, 15:2311–2320.


Outros trabalhos citados:


Page SE, Siegert F, Rieley JO, Boehm HDV, Jaya A, Limin S (2002) The amount of carbon released from peat and forest fires in Indonesia during 1997. Nature, 420, 61-65.


Page SE, Wüst RAJ, Weiss D, Rieley JO, Shotyk W, Limin SH (2004) A record of Late Pleistocene and Holocene carbon accumulation and climate change from an equatorial peat bog (Kalimantan, Indonesia): implications for past, present and future carbon dynamics. Journal of Quaternary Science, 19, 625-635.


Schulman L, Ruokolainen K, Tuomisto H (1999) Parameters for global ecosystem models. Nature, 399, 535-536.


Agradeço a Gabriela Zuquim pelo incentivo e pela tradução ao português.



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30 de outubro de 2009

Diversidade em atividade: o papel dos fungos em florestas tropicais

Muito pode ser escrito a respeito da importância dos fungos em florestas tropicais. Porém, mesmo para o mais hábil dos narradores, descrever a diversidade de fungos em pleno funcionamento é uma tarefa utópica.

O ideal seria produzir uma série de vídeos como esse abaixo da série Planeta Terra da BBC, sobre as florestas tropicais. Ele foi editado pelo Prof. Toid para enfatizar os fungos. São 10 minutos fascinantes, conduzidos por David Attenborough com legendas em português. Ele ilustra de uma forma maravilhosa muito do que eu consegui transmitir através do programa Globo Ecologia (17/10/09). Excelente complemento.




No vídeo é possível ver várias espécies de fungos em atividade na floresta. A maioria das espécies é saprófita, se alimentando de troncos ou folhas, mas algumas atacam animais, como espécies do gênero Cordyceps que são parasitas de artrópodes, atacando formigas, grilos, aranhas, mariposas e bichos-pau. O vídeo mostra muito bem o crescimento dos corpos de frutificação de várias espécies, como Phallus indusiata e Polyporus tenuiculus, entre outras.

Observação: No início, aparece um "fungo" mixomiceto amarelo que a legenda pode confundir (vale lembrar que os mixomicetos não são fungos verdadeiros). Esse fungo foi legendado como "Ameba", mas o nome indicado é "fungos" mixomicetos (slime moulds em inglês). Esses organismos tem um comportamento amebóide (ameba-like) em uma das etapas do ciclo de vida, mas se comportam de uma maneira semelhante aos fungos, por isso são estudados pelos micólogos também.

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28 de outubro de 2009

Congresso Brasileiro de Zoologia de 2010 (Belém)

Opa! Parece que tem outro congresso com o prazo estourando.

O Congresso Brasileiro de Zoologia de 2010 vai ser em Belém e seu prazo acaba no dia 31 de outubro.



O congresso ocorrerá em fevereiro de 2010. A pesquisadora Ana Lúcia Tourinho (INPA) vai coordenar o simpósio "Integração de inventários e programas de Biodiversidade: bases e estratégias para o conhecimento e conservação da fauna de aracnídeos brasileiros" que vai abordar ações como o PPBio e outros projetos na Amazônia.

Vale a pena conferir a programação do congresso.


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II Congresso internacional de biodiversidade do Escudo Guianês

Está chegando ao fim o prazo de envio de resumos para o encontro sobre a biodiversidade das Guianas em Macapá (AP), que vai acontecer entre 1 e 4 de agosto de 2010 no Campus da Universidade do Estado do Amapá – UEAP. Os resumos devem ser enviados até 31 de outubro (poster ou apresentação oral).

O
II Congresso internacional de biodiversidade do Escudo Guianês tem como objetivo debater os avanços no estudo da biodiversidade do Escudo das Guianas e compartilhar as experiências desenvolvidas na região.

Os temas são abrangentes, cobrindo flora, fauna, ecossistemas, serviços da biodiversidade, impactos e restauração, biologia e gestão da conservação além de propostas comunitárias de conservação e manejo.

Alguns artigos serão indicados para publicação
depois de um processo de seleção.

É possível se inscrever até 15 de dezembro de 2009 (valor da inscrição: US 100,00 para profissionais e US 50,00 para estudantes).

Esse valor inclui livro de resumos, tradução das conferências para o português, o inglês, o espanhol e o francês, refrescos regionais durante o horário do lanche e coquetel de boas vindas.

Maiores informações podem ser obtidas através do email: guianasnaea@gmail.com

Especificações do Resumo
250 palavras com palavras chaves em Word Office, tamanho da letra 12; o título deve ser em letra 14, maiúscula e negrito.


***

Curioso é esse texto que abre o texto do comunicado oficial do comitê organizador do congresso:

"Em Macapá, no estado do Amapá, na região das Guianas e também junto ao rio Amazonas, onde o amapazeiro (Parahacornia amapa) jorra seu látex ou leite branco, que é usado para fins medicinais pelas populações tradicionais desta cidade e estado."


Crédito da imagem da Serra do Aracá: André Nogueira (o Francês).


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