26 de novembro de 2008

Ecólogos trabalham na recuperação do Parque Estadual Sumaúma

Estudantes participaram da ação plantando mudas de árvores nativas da Amazônia na área a ser recuperada em reserva ambiental urbana

Ecólogos que atuam no Projeto Pioneiras, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), juntamente com gestores da unidade de conservação Parque Estadual Sumaúma, no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus (AM), anunciaram atividades para melhorar as condições ambientais do parque, parcialmente degradado. O Projeto Pioneiras é coordenado por Rita Mesquita, membro do comitê de organização da Conferência Científica Amazônia em Perspectiva, que aconteceu semana passada no Studio 5 Centro de Convenções, no bairro Japiim, zona Sul da cidade.

Dentro do Sumaúma, de acordo com os ecólogos, existem pelo menos cinco hectares (um hectare equivale a um campo de futebol) de áreas que foram severamente degradadas pela extração de argila no passado. “Elas estão abandonadas há mais de 20 anos e a regeneração natural é inexistente”, explica Ana Catarina Jakovac, uma das organizadoras da atividade de regeneração do parque. Ela é membro do Projeto Pioneiras, que integra o Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), do Inpa.

Para revitalizar essas áreas, os pesquisadores querem trabalhar a recuperação do solo, uma vez que a regeneração da vegetação não acontece de forma natural. “Isso acontece porque as sementes provenientes da floresta do parque que chegam até essas áreas não conseguem germinar e se desenvolver sobre o solo pobre e compactado que foi deixado. Portanto, para que a floresta possa voltar a crescer ali, é preciso primeiramente trabalhar na melhoria desse solo”, avalia.

Ana Catarina afirmou que a ação de descompactação do solo para torná-lo mais permeável à água e fácil de ser penetrado pelas raízes das plantas é essencial. Segundo ela, é necessário
aumentar a fertilidade do local recompondo a camada de matéria orgânica que alimentará as plantas, e isso pode ser feito acrescentando qualquer material que seja orgânico, como composto, restos de podas e resíduos de serraria. “Adubos químicos são utilizados em medidas de recuperação, mas neste caso não seriam eficientes, pois, se não forem diretamente absorvidos pelas plantas, serão lavados pelas chuvas, e, portanto, não ajudarão a recompor a micro e macro faunas, responsáveis pela ciclagem de nutrientes e pela vida no solo”, complementou a pesquisadora.

A presença de vegetação é fundamental para a recuperação, pois ajuda a diminuir a velocidade de escoamento da água das chuvas sobre o solo. Isso impede que nutrientes e sedimentos sejam carregados. Se o solo estiver descoberto, as intensas chuvas podem causar erosão, chegando a formar voçorocas (grandes canais cavados pelas águas das chuvas) e a assorear igarapés”, explica Ana Catarina.

A ação. A primeira etapa do projeto de regeneração do Sumaúma contou com a participação de voluntários, que fizeram um mutirão para plantar mais de mil mudas de árvores nativas da Amazônia na área a ser recuperada. Dentre os voluntários, estavam alunos do ensino médio e fundamental de escolas da Cidade Nova, além de moradores de bairros adjacentes ao parque. O mutirão aconteceu em comemoração ao “Dia do Rio” e contou com outras atividades de lazer e educação ambiental.

“Com a fertilidade e permeabilidade do solo recuperadas, esperamos que as sementes de diversas espécies existentes no parque encontrem ali um lugar apropriado para germinar, se estabelecer e se desenvolver, formando aos poucos uma capoeira e depois uma floresta”, destacou Ana Catarina.

Fonte: Renan Albuquerque - Agência Fapeam

3 comentários:

Helder disse...

Parabéns pela bela iniciativa, Catarina! Além do plantio de mudas, alguma técnica de manejo direto do solo tem sido feita na área, pensando em reduzir escorrimento superficial e acelerar a recuperação?
Abraço.

Catá disse...

Além do plantio de mudas, que foi apenas uma parte do início da recuperação, conseguimos 5 toneladas de composto orgânico junto à prefeitura de Manaus e sementes de mucuna rajada junto ao setor de agroflorestas da Embrapa-Amazonia Ocidental. O composto vai ajudar a melhorar o solo a curto prazo e a mucuna (uma leguminosa rasteira de rápido crescimento)será a responsável pela formação de matéria orgânica e incorporação de nitrogênio no solo. Temos ainda muito trabalho pela frente!

Helder disse...

Maravilha, Catá. Tá rolando uma força tarefa bacana, hein?! Vai que vai. Parabéns. Na próxima atividade estarei presente. Abraço.