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7 de abril de 2010

Revistas de alto impacto adotam novas políticas de arquivamento de dados

Estudos científicos geram grande quantidade de dados passíveis de aplicação no futuro. Entretanto, a maioria dos trabalhos apresenta os resultados de forma sintética, inviabilizando a utilização por outros pesquisadores.


A questão de compartilhamento de dados tem sido muito discutida, embora ainda seja um assunto polêmico, principalmente na área da ecologia. Recentemente, dois periódicos científicos de alto impacto dedicaram-se a esse tema, reforçando a abrangência e atualidade do assunto (Nature - volume 461 e Biotropica - volume 41, ambas em 2009). Em 2010, periódicos de grande fator de impacto, como American Naturalist, Evolution, Journal of Evolutionary Biology, Molecular Ecology e Heredity, estão publicando em seus editoriais uma nova política para arquivamento de dados. De uma forma geral, a política assume como condição para a publicação que os dados utilizados no artigo sejam armazenados em arquivos públicos adequados, como GenBank, TreeBASE, Dryade, NCEAS, Knowledge Network for Biocomplexity, na forma de material complementar on-line associado ou em outro repositório de longo termo público e estável. É uma ótima alternativa para garantir a longevidade dos dados.

No Brasil, isso vem acontecendo desde 2004 com o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O programa PPBio disponibiliza em seu portal (http://ppbio.inpa.gov.br) um banco de dados dos levantamentos biológicos realizados nos sítios de coleta do PPBio e parceiros, além de dados de coleções biológicas. Cada conjunto de dados sempre está acompanhado pelos seus respectivos metadados, que são explicações detalhadas sobre como os dados foram coletados, onde, por quem e quando. De acordo com a política de dados do PPBio, os metadados devem estar disponíveis no site após 30 dias da viagem à campo e o conjunto de dados após 1 ano. Atualmente mais de 160 metadados e 110 conjuntos de dados estão disponíveis no site. No PPBio os metadados estão disponíveis no padrão EML (Ecological Metadata Language), desenvolvido pelo Knowledge Network for Biocomplexity (KNB), uma das redes indicadas na nova política para arquivamento de dados. O PPBio planeja adotar o sistema desenvolvido pelo KNB para aprimorar a disponibilização de seus dados: o servidor Metacat e o editor Morpho. Ambos são utilizados por diversas redes de pesquisas em todo o mundo, dentre elas o PELD internacional (LTER), o National Center for Ecological Analysis and Synthesis (NCEAS), Ecological Society of America (ESA), o Tropical Ecosystem Assessment and Monitoring (TEAM) e Conservation International (CI). Esse sistema também será utilizado para unificar o banco de dados do PELD Brasil.



Imagens obtidas em Nature: 461 (7261), 2010.



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23 de janeiro de 2010

Pesquisador, uma espécie rara

Para quem ainda não leu, ai vai um artigo do jornal "O Estado de São Paulo" veiculado há um tempo atrás, mas que aborda um tema extremamente atual das condições da produção científica na Amazônia brasileira.

Por Herton Escobar*

Rara e ameaçada de extinção: há apenas 1.500 doutores em atividade, metade deles perto da aposentaria

Museu de Zoologia da USP. Foto: Monalisa Lins/AE


MANAUS - Não faltam apenas soldados do Exército e fiscais do Ibama para proteger a Amazônia. Do ponto de vista científico, a floresta é também um tesouro biológico quase totalmente desguarnecido. Há mais doutores na Universidade de São Paulo (USP) que na Amazônia Legal inteira – com seus nove Estados, 23,5 milhões de habitantes, dez universidades federais, cinco estaduais, três institutos federais de pesquisa e 4,2 milhões de quilômetros quadrados de floresta recheados com a maior biodiversidade da Terra. Enquanto a USP tem 5.028 doutores, a Amazônia inteira tem apenas 3.435 – uma diferença de 32%.

“A soberania da Amazônia não é uma questão bélica, é uma questão de conhecimento”, resume o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Adalberto Luís Val. “O primeiro passo para proteger é conhecer.” Além de o número de doutores ser pequeno, metade deles está envolvida em atividades administrativas e não pesquisa em tempo integral. “Na bancada mesmo, devemos ter uns 1.500 doutores, na melhor das hipóteses”, estima Val.

Desse contingente, metade tem mais de 50 anos. Muitos estão perto de se aposentar e um bom número está defasado em relação às tecnologias mais modernas de pesquisa, como a biologia molecular. “Estamos chegando muito perto de uma situação dramática. Precisamos repor esse pessoal urgentemente, ou a capacidade da região de produzir informações sobre ela mesma será drasticamente reduzida”, afirma Val. O seu instituto, o Inpa, já perdeu cerca de 500 funcionários nos últimos 20 anos. O último concurso foi em 2002.

“Pesquisador é a espécie mais rara da Amazônia”, ironiza a ecóloga Albertina Lima, especialista em anfíbios e funcionária do Inpa há 27 anos. “E ameaçada também. Temos data marcada para desaparecer.”

O resultado aparece claramente nas estatísticas de produção científica: 70% dos trabalhos publicados sobre a Amazônia no mundo não têm um único autor com endereço brasileiro. Apesar de o Brasil ser dono de mais de 60% da Amazônia, quem produz a maior parte do conhecimento sobre ela são os estrangeiros. Só 30% dos trabalhos trazem o nome de alguma instituição nacional, e apenas 9% são assinados por algum pesquisador – brasileiro ou estrangeiro – que vive de fato na Amazônia. O restante é de pesquisadores de outros Estados que têm projetos na região, mas que não possuem vínculo direto com a Amazônia.

Isso ajuda, mas não resolve. “Estudar a Amazônia de dentro da Amazônia é uma coisa; estudá-la de fora é outra, bem diferente”, diz a pesquisadora Ima Vieira, diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. É fundamental, dizem lideranças científicas e acadêmicas, que a região tenha seu próprio quadro de pesquisadores, formados e empregados dentro da Amazônia. Não só para estudar os bichos e as plantas da floresta, mas para entender o clima, planejar cidades, cuidar da saúde pública, modernizar a indústria, abrir negócios, tornar a agropecuária sustentável, ter idéias e criar oportunidades. “A Amazônia precisa de cérebros”, diz o professor Roberto Dall’Agnol, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Pará (UFPA). “Uma população que não é capaz de gerar conhecimento nunca vai ser independente, vai ser sempre uma colônia, de uma maneira ou de outra.”

“Importar conhecimento nunca é satisfatório”, reforça o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), o matemático Jacob Palis. Se fosse, dizem os cientistas, não precisaria existir pesquisa científica e tecnológica no Brasil – bastaria trazer tudo pronto de fora. O mesmo vale para a Amazônia: a região precisa de competência própria para se desenvolver de maneira ambiental e economicamente sustentável.

Mas o caminho é longo. A Região Norte tem o menor número de programas de mestrado e doutorado do País (93), e nenhum deles com nota máxima de qualidade (7), segundo a última avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O de melhor colocação é o de Geologia e Geoquímica da UFPA, com nota 6. A nota média da região é 3,34, a mais baixa do País.

Parte do problema é a inexperiência: a pós-graduação na Amazônia é ainda muito recente. Outra é a falta de recursos. A Amazônia abriga 12% da população e contribui com 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, mas recebe apenas de 2% a 3% dos investimentos federais em ciência e tecnologia. Atrair bons professores e pesquisadores do Sul e Sudeste é difícil: a infra-estrutura é precária, há poucas vagas e os salários não são competitivos.

A maior região territorial do País é a menor em quase todos os índices do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Capes, incluindo distribuição de bolsas, cursos de pós-graduação, número de professores qualificados e participação em editais de pesquisa. A situação só começou a melhorar nos últimos anos, em grande parte com a criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), versão local da poderosa Fapesp paulista, que deu maior competitividade ao Estado na disputa por recursos federais, além de canalizar parte da carga tributária local para investimentos em ciência e tecnologia.

Na virada de 2005 para 2006, houve uma surpresa: a Região Norte foi a única que cresceu em investimentos de fomento à pesquisa do CNPq – passou de R$ 11,6 milhões para R$ 22 milhões, um aumento proporcional de 5% para 10% do total nacional. Todas as outras perderam recursos, inclusive o Sudeste. O valor total das bolsas destinadas à região também aumentou de R$ 15 milhões para R$ 21 milhões. No total de investimentos, porém, a Amazônia ainda ocupa a última colocação.

Os recursos extras são bem-vindos, mas só resolvem o problema se houver gente capacitada para gastá-los. Mais uma vez, a formação e a qualificação dos pesquisadores é essencial. “Temos de formar gente na Amazônia, essa é a prioridade número 1”, diz o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antonio Raupp. “O instrumento básico da ciência é a cabeça. Você pode ter um laboratório sem equipamento nenhum, mas, se tiver boas cabeças trabalhando nele, alguma coisa sempre acontece. Se tiver infra-estrutura, mas sem cabeças, não acontece nada.”

Enquanto a região não consegue formar seus próprios especialistas em quantidade (e qualidade) suficiente, a solução tem sido o intercâmbio de professores e alunos com instituições do Sul e Sudeste, promovido pelo programa Acelera Amazônia, da Capes. A abertura de vagas também é essencial. A Academia Brasileira de Ciências apresentou recentemente uma proposta ao governo federal para a contratação de 2 mil a 3 mil doutores na região amazônica até 2010, com uma combinação de recursos federais e estaduais. Só a concessão de bolsas não basta, dizem os especialistas, pois não há garantia de emprego para o pesquisador. “Bolsa é uma ferramenta de formação, não de fixação”, alerta Adalberto Val. “É um paliativo.”

“O que nós queremos é uma USP na Amazônia. Será que é pedir demais?”, cobra Val, que há anos batalha pela valorização da pesquisa na região. “Se São Paulo consegue ter três instituições de grande porte (USP, Unicamp e Unesp, as três universidades estaduais), por que é que não conseguimos ter uma na Amazônia inteira? Estamos falando de metade do território brasileiro! É um desequilíbrio brutal.”

* Folha de São Paulo, 27 nov 2007

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22 de outubro de 2009

Etanol em Roraima: Licença prévia para nova usina em Roraima é contestada

Empresa Biocapital obteve do governo estadual licença prévia para se instalar em Bonfim, mesmo com graves falhas no Estudo de Impacto Ambiental. Pelas novas regras do Zoneamento Agroecológico da Cana, região é área proibida para expansão da cultura.

Leia a reportagem de Thaís Brianezi, publicada no Repórter Brasil (19/10/09) e Folha de Boa Vista (20/10/09).


Enviada por Ciro Campos (INPA/RR e Coletivo Ambiental do Lavrado).


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9 de fevereiro de 2009

Guia de Marantáceas da Reserva Ducke e da REBIO Uatumã – Amazônia Central

Novo guia de identificação traz informações sobre biologia, ecologia e evolução de espécies da família Marantácea, que inclui o arumã e várias espécies ornamentais

É inquestionável a importância que o meio ambiente exerce sobre o funcionamento do planeta e a qualidade de vida das pessoas. As florestas amazônicas abrigam uma grande parte dos ecossistemas florestais remanescentes no planeta, representando uma oportunidade única que a humanidade tem para conciliar conservação biológica com desenvolvimento sócio-econômico. Contudo, ao andar na mata, poucas pessoas realmente conseguem enxergar a diversidade presente na Amazônia, principalmente quando se fala em plantas, pois estas possuem diferenças menos nítidas que animais. As árvores chamam atenção por sua imponência, mas a camada rasteira da floresta - o sub-bosque - abriga uma diversidade de espécies, formas e estratégias evolutivas nem sempre óbvias para os visitantes.

Com o intuito de ampliar a percepção da diversidade e de incentivar estudos sobre plantas do sub-bosque, está sendo lançado o
Guia de Marantáceas da Reserva Ducke e da REBIO Uatumã – Amazônia Central, produzido por Flávia R. C. Costa, Fábio Penna Espinelli e Fernando O. G. Figueiredo, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Segundo os autores, “nossa intenção com este livro é tirar as espécies do 'tapete verde' e trazê-las para os olhos de quem quiser vê-las.” O guia trata da família Marantaceae, que inclui espécies herbáceas importantes para a economia amazônica, como o arumã, cujas fibras são utilizadas na confecção de tapetes e cestos artesanais por grupos indígenas, além de várias espécies ornamentais.

A dificuldade que muitos estudantes têm em estudar ciências biológicas geralmente está relacionada com diferenças no vocabulário, que além de extenso é muitas vezes mal explicado. No Brasil, existe pouco material de consulta que sirva como uma introdução sucinta aos diferentes grupos biológicos e, ao mesmo tempo, trate de espécies que podem ser encontradas em ambientes próximos. Assim, muitos estudantes não apreciam a diversidade de vários grupos simplesmente por falta de acesso à informação. Segundo Flávia Costa, muitos de seus alunos não podiam imaginar que existissem tantas espécies de ervas na floresta, mas no momento em que as espécies ganharam nomes e suas características únicas foram destacadas, a floresta passou a ser mais povoada do que nunca.

O guia traz informações gerais sobre as marantáceas que ocorrem na Reserva Ducke e na Reserva Biológica do Uatumã, ambas no Amazonas. Ele conta com uma chave de identificação seguida de descrições cuidadosas sobre 31 espécies ou variedades de marantáceas, além de dicas para o reconhecimento em campo. Todas as plantas foram ilustradas por fotografias tal como as encontramos na natureza e também dos detalhes relevantes à identificação, com ênfase nas flores. 

Um grande diferencial é o esforço dos autores em apresentar as informações em linguagem simplificada, evitando jargões científicos sem, contudo, perder precisão. Como é a reprodução, qual seu papel ecológico, como ocorreu a evolução do grupo, qual sua utilidade para o homem e aspectos relacionados à conservação, são alguns dos temas abordados no guia, permitindo que seja usado como referência em cursos básicos de botânica. Ao final do guia, há um glossário ilustrado por Angela Midori que facilita a compreensão de alguns termos técnicos das estruturas das plantas.

Para dar uma olhada no Guia de Marantáceas, folheie as páginas ou clique no link abaixo.


Para baixar o Guia de Marantáceas em PDF, clique aqui [31,7 MB]. 

Por que produzir guias de campo?
Existem inúmeras razões para justificar a urgente necessidade de se investir na criação de guias de campo, desde a importância econômica dos organismos até a possibilidade de levar ao público o encanto de grupos biológicos fascinantes, estimulando a curiosidade que as pessoas têm sobre a natureza. Contudo, além de atingir um público amplo, guias são importantíssimos para facilitar a identificação das espécies que ocorrem na Amazônia, contribuindo para aumentar a qualidade de trabalhos técnicos (p.ex., Estudos de Impacto Ambiental) e de dissertações e teses de pós-graduação. “Reconhecer os organismos é a primeira etapa de qualquer estudo biológico”, afirmam os autores.

Para manejar a extração de recursos florestais de forma não predatória é necessário entender o funcionamento dos ecossistemas, o que exige um conhecimento básico de quais são as espécies de plantas que ocorrem na região. Os ecossistemas florestais na Amazônia são compostos de milhares de espécies desconhecidas pela ciência: estima-se que existam ainda cerca de 50.000 espécies de plantas para serem descritas na região. Além dessa enorme carência no conhecimento sobre a diversidade botânica, as informações acumuladas não estão disponíveis para a maioria das pessoas, pois estão contidas em trabalhos técnicos distribuídos de forma fragmentada em bibliotecas e herbários.

Segundo Mike Hopkins, pesquisador do Inpa, “enquanto outras partes do mundo contam com guias de campo já há algumas gerações, a Amazônia tem ficado para trás nesse aspecto”. Mike assina o prefácio do livro e tem uma vasta experiência em guias de campo, pois ajudou a coordenar o guia mais importante já feito na Amazônia brasileira, a Flora da Reserva Ducke - Guia da identificação das plantas vasculares de uma floresta de terra-firme na Amazônia Central, que se tornou referência no mundo todo.

O Guia de Marantáceas é o quarto de uma série de guias de campo bilíngües (português e inglês) produzidos com o incentivo do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio/MCT), sob os cuidados gráficos da Áttema Design Editorial. A série foi inaugurada pelo "Guia de Sapos da Reserva Ducke" e teve continuidade com o "Guia de Lagartos da Reserva Ducke" e o recém-lançado "Guia de Samambaias e Licófitas da REBIO Uatumã". Espera-se que os guias sirvam de incentivo para trabalhos de pós-graduação, de iniciação científica e de cursos de campo, assim como estimulem a percepção da biodiversidade amazônica em turistas e alunos de escolas do ensino médio. 

Além de disponíveis para download no Portal PPBio (http://ppbio.inpa.gov.br/Port/guias/), versões impressas desses guias foram ou serão distribuídas gratuitamente para escolas, universidades e bibliotecas em todo Brasil. 

Os autores do Guia de Marantáceas ainda não tem recursos para produzir uma versão impressa e por enquanto o guia estará disponível em formato eletrônico (PDF). 

Não deixe de conferir!

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Por Ricardo Braga-Neto e Gabriela Zuquim [Fonte: ULE, 09/02/09]

1 de fevereiro de 2009

Journal of Threatened Taxa: novo periódico sobre conservação e taxonomia

Com acesso aberto para o público, o periódico visa promover a publicação de artigos sobre táxons ameaçados

O Journal of Threatened Taxa foi criado recentemente com a intenção de promover a conservação biológica através da publicação de artigos sobre táxons ameaçados, oferecendo acesso online a todo seu conteúdo, sem custo nenhum. O periódico tem cobertura mundial, conta com um comitê editorial internacional que está em expansão e pretende ter uma tiragem mensal, com um processamento veloz das submissões, algo em torno de dois meses.

O conceito "ameaçado" é definido pelos editores como um termo geral que inclui não só as espécies e subespécies ameaçadas de extinção incluídas na Lista Vermelha da IUCN, mas também toda uma série de cenários que levaram ou poderão levar os táxons ou ecossistemas a estarem sob ameaça de extinção. Um táxon pode ser ameaçado de várias formas. A falta de conhecimento sobre uma espécie, subespécie ou população é uma ameaça potencial que pode ser justificada devido à deficiência de dados. Qualquer táxon pode estar ameaçado em um local, devido às alterações na dimensão ou na qualidade do habitat, mudanças no uso da terra, atividades sócio-econômicas degradantes, introdução de espécies exóticas, doenças emergentes, falta de planejamento político, deficiência na legislação ambiental, constantes mudanças na taxonomia, aquecimento global - em suma, qualquer fator local, regional e/ou global que podem afetar negativamente os táxons. 

É importante ressaltar que não há restrição taxonômica, permitindo a cobertura de todos os filos, grupos, famílias, ordens, espécies, subespécies, variedades, formas ou populações que estejam ameaçadas de extinção, seja sobre fauna, flora ou fungos.

As categorias de artigos publicados no Journal of Threatened Taxa incluem papers, comunicações, comentários, notas, opiniões e resenhas bibliográficas. 

No site do periódico (http://www.threatenedtaxa.org/) é possível se aprofundar na proposta e considerar a utilização do mesmo para comunicar e discutir a urgência de conservar táxons e processos ecossistêmicos, visando ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade no Brasil e a efetividade conjunta do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e de seus parceiros estaduais.

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O Eco: Do presidente para Roraima, com carinho

Por Aldem Bourscheit e Cristiane Prizibisczki [O Eco, 30/01/09]

A maioria dos jornais estampou esta semana a doação de 6 milhões de hectares federais de Amazônia para Roraima. Também pudera, a área é maior que a Paraíba. Como está claro e foi admitido pelo próprio presidente, trata-se de permuta política pela demarcação contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, com 1,7 milhão de hectares. Na capital Boa Vista, uma carreata comemorou ontem a conquista histórica.

Apesar do decreto publicado nessa quinta (29) excluir unidades de conservação instituídas ou em criação, além de outras áreas, e determinar que as terras transferidas “deverão ser preferencialmente utilizadas em atividades de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, de assentamento, colonização e de regularização fundiária”, movimentos governistas na área ambiental sempre merecem um pouco de atenção. Afinal, Roraima tem agora uma nova porção de Amazônia para usar...

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29 de janeiro de 2009

O Ocidente não deve impor a sua visão do mundo para outras culturas

Por Miguel Ángel Villena [El País, 29/01/09]

Philippe Descola tem esse ar inconfundível dos exploradores de boa vontade que vem para investigar sociedades primitivas, com um espírito de aprendizagem de outras culturas, sem o traje da superioridade. Nascido em Paris em 1949, discípulo do famoso Claude Lévi-Strauss e um dos melhores antropólogos culturais no mundo, vem de uma família hispânica em que seu avô lhe ensinou algo tão fundamental para a vida, como os nomes das flores e das estrelas. Fruto de seu conhecimento em espanhol e do seu amor pela natureza, o jovem antropólogo Descola rumou com apenas 25 anos para a Amazônia equatoriana para estudar uma sociedade de Jivaros que mal havia tido contato com o mundo exterior.

"Conheci uma sociedade muito primitiva", lembra Descola no Instituto Francês de Madri, onde deu uma palestra esta semana. "Só um rapaz falava algumas palavras em espanhol", prosegue, "depois de alguns meses eu aprendi alguma coisa da língua nativa e comecei a perceber que em sua maneira de ver as coisas não há separação entre cultura e natureza. Na verdade, elas não fazem a distinção entre humanos e não humanos porque as plantas e os animais também têm o que poderia ser entendido como alma. Por exemplo, muitos povos amazônicos não tratam as plantas com fins utilitaristas de cultivo ou produção, mas sim as mulheres têm um relacionamento de mãe e filha com as árvores ou as flores, enquanto os homens se relacionam com os animais como se fossem parte da família." Segundo o antropólogo, todas as cosmologias, desde as que abarcam tribos em matas isoladas até as que observamos nas sociedades da China ou da Índia na atualidade, integram cultura e natureza. Todas, exceto o Ocidente. Descola, um verdadeiro especialista sobre este tema sobre o qual publicou vários livros, argumenta que a revolução científica do século XVII na Europa significava o surgimento de invenções como o microscópio ou o telescópio, permitindo que a natureza se transformara em algo autônomo e observável. "Desde então", diz com seu tom didático, "nossa cosmologia tem servido como modelo para compreender as cosmologias de outros povos. No entanto, a nossa não pode ser uma cosmologia padrão e o Ocidente não deve impor a sua visão de mundo a outras culturas."

Sem qualquer exibição de catastrofismo, mas com a firmeza de um cientista, Descola prevê que o planeta está a caminhar para um desastre se não se respeitar a natureza. "Temos que parar com esta louca corrida de atentados contra o ambiente", diz o autor do livro Más allá de la naturaleza y la cultura (Gallimard, 2005), que será publicado em breve na Espanha. Na sua opinião, a consciência ambiental que se desenvolveu nas últimas décadas tem contribuído, sem dúvida, a ressaltar preocupações com questões como a biodiversidade ou o aquecimento global. "No entanto, antropólogo francês qualifica, "a nossa maneira ocidental de conceber a natureza como algo além da sociedade e da cultura continua prevalecendo na mente da maioria das pessoas."

Para Philippe Descola, "temos que defender a diversidade biológica e a diversidade cultural, porque, em última análise, são o mesmo." "Para viver em um mundo onde valha a pena viver", diz ele, "devemos nos surpreender por uma grande diversidade de respostas a vários desafios. Essa aspiração de se deixar surpreender é o que dá sabor à vida e que serve como um antídoto para a uniformidade e a rotina". Quando consultado sobre o que aprendeu com os índios da Amazônia, Descola não hesita: "Que cada dia amanhece para eles com total virgindade".

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15 de janeiro de 2009

Minc e Mangabeira definem ações para agilizar o PAS

Por Suelene Gusmão [Fonte: MMA, 14/01/09]

Técnicos do Ministério do Meio Ambiente e da Secretaria para Assuntos Estratégicos da Presidência da República estiveram reunidos, para formar o primeiro grupo de trabalho que irá colocar em prática ações do Plano Amazônia Sustentável (PAS). A força-tarefa criada pelos dois órgãos do Governo Federal trabalhará em questões relativas ao extrativismo, às áreas degradadas e à infra-estrutura e meio ambiente já a partir da próxima semana. Lançado em maio de 2008, o PAS tem por objetivo promover um modelo de desenvolvimento para a região amazônica, em bases sustentáveis, valorizando a diversidade sociocultural e a redução das desigualdades regionais.

Continue a ler no site do MMA...

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11 de janeiro de 2009

Navegando e lendo: dôe livros para estimular a leitura na Amazônia

Na Amazônia, diariamente milhares de pessoas fluem pelos leitos dos rios em todas as direções, por muitos motivos e vontades. Como o transporte fluvial é lento e as distâncias são amazônicas, todas compartilham longos períodos a bordo de recreios e expressos. Como navegar é tão preciso quanto inevitável, esse tempo não deveria ser desperdiçado, mas sim usado para divertir, educar e estimular as pessoas. Contudo, o acesso a livros na região é muito restrito e na maior parte das vezes associado a escolas e bibliotecas nas comunidades e cidades. Até pouco tempo atrás isso era fato, mas uma idéia simples e genial vem mudando esse quadro.

O Projeto Navegando e Lendo, idealizado por Jorge Klein, consiste em incorporar pequenas bibliotecas nas embarcações que fazem a maior parte do transporte na Amazônia, através de doações de livros novos e usados. A intenção é difundir o hábito da leitura para os navegantes, facilitando o acesso aos livros e conscientizando a população da importância do ato de ler. Assim, é possível escolher alguns livros para ler durante a viagem e depois devolvê-lo para que outras pessoas possam usufruir e se divertir com a leitura.

O projeto abriga livros sobre muitos temas, voltados para os públicos infantil, juvenil e adulto. Atualmente, o Navegando e Lendo está em expansão e já incorporou livros a mais de uma dezena de embarcações que fazem trajetos a partir de Manaus pelos rios Solimões, Negro, Juruá, Amazonas, levando seus navegantes até cidades distantes como Tabatinga, Parintins, São Gabriel da Cachoeira, Tefé, Cruzeiro do Sul e Carauari.

Para quem está em Manaus e quiser doar alguns livros usados para o projeto, pode deixá-los na loja de conveniência do Posto BR no bairro Vieiralves (endereço: Rua João Valério, 230 – próximo à Av. Djalma Batista). O telefone de contato é :: (92) 8114-4100 [Jorge Klein].

Quem estiver fora de Manaus e também tiver interesse em ajudar, contato pelo email :: jorgeklein@navegandoelendo.com.br.

Para conhecer mais, visite o site :: http://www.navegandoelendo.com.br/.

Parabéns a todos envolvidos pela iniciativa!

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10 de janeiro de 2009

Estimativas de biomassa no arco do desmatamento: madeira menos densa implica em menor emissão de carbono

Por Fábio de Castro [Fonte: Agência FAPESP, 09/01/09]

Calcular a biomassa presente em uma floresta é fundamental para estimar a quantidade de carbono que seria emitida em caso de queimada e, consequentemente, para fazer avaliações ambientais e atribuir valor à floresta em pé. Mas, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), as equações utilizadas para fazer esses cálculos têm distorcido os dados na região do arco do desmatamento na Floresta Amazônica, superestimando sua biomassa.

Coordenado por Philip Martin Fearnside, o trabalho foi realizado por
Euler Melo Nogueira, Bruce Walker Nelson, Reinaldo Imbrozio Barbosa e Edwin Willem Hermanus Keizer. Os resultados foram publicados em setembro na revista Forest Ecology and Management. O artigo está entre os mais consultados da publicação desde então.

Os resultados mostram que a emissão de gases de efeito estufa proveniente da queima de biomassa florestal na Amazônia é bem inferior ao que se pensava. A estimativa de biomassa é feita com o auxílio de um modelo alométrico: uma equação matemática que relaciona algumas variáveis das árvores, como o diâmetro e a altura, com a biomassa. Mas essas equações, feitas com base nas características da floresta densa, não funcionam bem, segundo Fearnside, quando aplicadas à floresta aberta do arco do desmatamento – que corresponde a um terço da Amazônia e gera
80% das emissões por desmatamento.

As novas equações alométricas criadas pelos pesquisadores, mais adequadas à realidade da floresta aberta, indicam que a floresta emite anualmente 24 milhões de toneladas de carbono a menos do que se imaginava.

Agência FAPESP – O grupo do Inpa coordenado pelo senhor desenvolveu recentemente novas equações alométricas que permitem realizar estimativas mais precisas da biomassa da floresta no arco do desmatamento. O que havia de errado com as equações usadas até agora? Philip Fearnside – O problema dos cálculos feitos até agora é que eles se baseiam na extrapolação de dados obtidos exclusivamente na Amazônia central. Até hoje, todos os dados são das regiões de Manaus, Belém e de áreas de florestas densas perto do rio Amazonas. Mas no arco de desmatamento o que existe é um outro grupo de florestas, a floresta aberta.

Agência FAPESP – Trata-se de que tipo de dados? Fearnside – Dados como a densidade de madeira, forma e altura das árvores. Na falta desses dados, para calcular a biomassa no arco do desmatamento eram usadas equações com base nas áreas da Amazônia central. O inventário brasileiro sobre as emissões de carbono, por exemplo, utilizou equações que foram feitas aqui em Manaus, para florestas densas, e aplicou ao arco do desmatamento.

Agência FAPESP – E essa extrapolação dos dados induzia a erro? Fearnside – Sim, foi uma coisa que descobrimos em pesquisas anteriores: as árvores de lá são mais leves do que as da Amazônia central. A madeira é menos densa e, portanto, tem menos biomassa.

Agência FAPESP – Os cálculos feitos até agora estavam superestimados? Fearnside – Sim. O procedimento normal para as estimativas de biomassa começa ao se medir as árvores grandes de diversas parcelas de floresta. Com a equação alométrica, essas medidas são convertidas em volume de madeira. Para calcular a biomassa, multiplica-se o volume pela densidade. A partir daí se pode calcular a quantidade de carbono da floresta para estimar qual será a quantidade de emissões em caso de desmatamento. Mas, se a madeira é mais leve, com o mesmo volume de madeira temos menos biomassa e menos emissões.

Agência FAPESP – Quando se descobriu que as árvores da floresta aberta são mais leves do que as da Amazônia central? Fearnside – Em pesquisas feitas desde 1997 mostrávamos que as espécies mais leves apareciam com mais frequência no arco do desmatamento. O que descobrimos agora é que as árvores da mesma espécie também são mais leves por lá. Além disso, o teor de água na madeira é maior do que na área de floresta densa. Quando a madeira é mais leve, ela contém mais água. Então, quando se multiplicavam os valores por uma constante, para extrair o peso certo, sempre se usavam dados da área de Manaus. Além disso, observamos que as árvores de diâmetro semelhante nas duas regiões são mais curtas na área de floresta aberta. Tudo isso contribuiu para um grande exagero nas estimativas de biomassa.

Agência FAPESP – Qual foi a magnitude desse exagero? Fearnside – Cada fator desses que mencionei acrescenta uma redução de biomassa e, quando se soma tudo, a diferença é gritante. No caso do desmatamento de 2004, por exemplo, quando houve um pico de desmatamento de 27,4 mil quilômetros quadrados desmatados em um ano, a diferença de cálculo é de 24 milhões de toneladas de carbono. E é preciso lembrar que a parte mais considerável dessa devastação se deu no arco do desmatamento e, portanto, essa diferença se aplica.

Agência FAPESP – Os cálculos feitos até agora, então, estavam completamente errados? Fearnside – Sim, estavam errados. Houve um exagero considerável: 24 milhões de toneladas de carbono em um ano equivalem ao triplo das emissões na cidade de São Paulo. É impressionante. Mas temos que encarar isso como o processo contínuo, normal, do melhoramento dos números da ciência.

Agência FAPESP – A pesquisa conclui que a emissão potencial de carbono é muito menor do que se imaginava. Isso prejudica de alguma forma a argumentação contra o desmatamento? Fearnside – Ao contrário, os argumentos contra o desmatamento se fortalecem, porque os cálculos estão mais corretos. Por acaso, os valores de emissões eram mais baixos do que os previstos. Mas o importante é ter certeza se os dados são ou não confiáveis. O fato de sempre haver muita incerteza é um dos principais argumentos para não dar valor à floresta. O resultado da pesquisa joga a favor da preservação. Não tenho a menor dúvida disso.

Para ler o artigo
Estimates of forest biomass in the Brazilian Amazon: New allometric equations and adjustments to biomass from wood-volume inventories, de Euler Melo Nogueira e outros, clique aqui.

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15 de dezembro de 2008

Guia de Samambaias e Licófitas da REBIO Uatumã – Amazônia Central

Uma das maiores limitações para se desenvolver estudos básicos ou aplicados na Amazônia é ter material de referência para se identificar espécies em campo, com segurança e objetividade. Vista de fora, as florestas amazônicas podem parecer um mar verde, infinito e relativamente homogêneo em seus elementos constituintes. Mas quem se aprofunda no conhecimento sobre a biodiversidade da região descobre logo a insustentabilidade desse argumento. A Amazônia é extremamente heterogênea: a variação na composição de espécies, a diversidade beta, é imensa mesmo entre locais próximos. Compreender processos que influenciam essa taxa de mudança espacial é essencial para planejar a conservação biológica. Contudo, os pesquisadores interessados nesses temas se deparam inevitavelmente com a carência de guias de identificação.  

O Guia de Samambaias e Licófitas da REBIO Uatumã – Amazônia Central, de Gabriela Zuquim, Flávia Costa, Jefferson Prado e Hanna Tuomisto, é fruto dessa demanda. O guia representa um exemplo maravilhoso de colaboração entre ecólogos e taxonomistas, que essencialmente possuem visões complementares sobre a biodiversidade. Dentre os autores, Jefferson Prado (Instituto de Botânica, IBt-SP) é o mais experiente em taxonomia. Ele foi fundamental para sustentar o processo de identificação das espécies que ocorrem no Uatumã. Contudo, Gabriela Zuquim, Flávia Costa (ambas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Inpa) e Hanna Tuomisto (Universidade de Turku, UTU) são ecólogas na maior parte do tempo e possuem muita experiência em campo, fornecendo aos leitores informações únicas sobre como observar características das plantas, muitas das quais são diagnósticas. Muitas dessas características de campo, como cor, brilho e hábito, não são preservadas nos materiais depositados em herbário e, por isso, não são usadas nas descrições das espécies.

O guia trata de 120 espécies, ricamente ilustradas e acompanhadas de descrições e dicas para o reconhecimento em campo. Possui uma introdução sobre o grupo direcionada para o público em geral, mas seu conteúdo é completo, abrangendo aspectos sobre biologia, ecologia, evolução e conservação, o que permite que seja usado como referência em cursos básicos de botânica. Como os outros guias produzidos pelo Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) e pela Áttema Design Editorial, o guia foi escrito em Português e Inglês, em uma linguagem menos técnica o possível. O guia possui um glossário e uma chave ilustrada por Angela Midori, que facilita muito a compreensão de termos técnicos e das estruturas das plantas e a busca dos possíveis gêneros ao qual uma espécie pode pertencer.

O prefácio foi escrito por Alan Smith, botânico e especialista em samambaias (Universidade da Califórnia, Berkeley). Acima de tudo, espera-se que o guia possibilite a ampliação do estudo das samambaias na Amazônia e sirva de incentivo para a escolha deste grupo em trabalhos de iniciação científica, cursos de campo e trabalhos escolares. O guia poderá ser útil para um público amplo, formado por professores de escolas primárias e secundárias, guias turísticos, estudantes de biologia e pesquisadores.

Para baixar o Guia de Samambaias em PDF, clique aqui [19,5 MB].

Para dar uma olhada no Guia de Samambaias, folheie as páginas ou clique no link abaixo.


O livro estará disponível em versão impressa no começo de 2009, mas por ser derivada de uma doação do CNPq ao PPG7, ele não poderá ser comercializado. Os interessados em receber a versão impressa podem fazer pedidos para Gabriela Zuquim no e-mail: fernguide@gmail.com. Entretanto, como a tiragem será de apenas 1.000 exemplares, será dada prioridade de envio a instituições e profissionais que trabalham diretamente na área. Contudo, saber se há mais interesse no livro poderá ajudar a conseguir recursos para uma nova tiragem.

6 de dezembro de 2008

PNUMA lança Atlas sobre carbono e biodiversidade em Poznan

Por Ricardo Braga-Neto

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou ontem (5/12/08) em Poznan um Atlas sobre carbono e biodiversidade, com foco no desmatamento em países tropicais. Além de possuir uma série de mapas indicando regiões do planeta que compartilham grande densidade de carbono com hotspots de biodiversidade, o documento sugere como a redução de emissões de gases, causadas por desmatamento, pode ajudar não só a combater o aquecimento global, mas também a conservar a biodiversidade. O atlas traz um panorama mundial, mas examina alguns países em regiões tropicais para ilustrar diferentes realidades sócio-ambientais e políticas. A expectativa é de que o atlas ofereça um exemplo positivo de como orientar governos nas decisões sobre onde proteger as florestas. Contudo, efetivamente, qual é a aplicação desses resultados na formação de políticas públicas para a Amazônia?


O que está em discussão desde a COP 13 (Bali, 2007) é a criação de um mecanismo financeiro para estimular atividades de mitigação das causas das mudanças climáticas, baseado na conservação de biodiversidade e dos processos ecossistêmicos (desmatamento evitado), no manejo sustentável de florestas e no incremento dos estoques de carbono. No mapa acima, é possível ver que a densidade de Carbono (em marrom) é maior nos trópicos e em altas latitudes no hemisfério Norte, enquanto que a biodiversidade (em verde) é maior em baixas latitudes. Estima-se que o desmatamento esteja associado com 20% das emissões antrópicas mundiais e alguns países tropicais tem grande responsabilidade sobre essas emissões, dentre eles obviamente o Brasil (hoje, cerca de 75% dos gases de efeito estufa emitidos pelo Brasil provém de desmatamentos, a maioria na Amazônia).

A idéia é muito interessante: acoplar a proteção de áreas destinadas à conservação da biodiversidade com a proteção do Carbono estocado em sua biomassa. Contudo, priorizar exclusivamente áreas que conciliam alta densidade de Carbono e de espécies pode ser perigoso para a biodiversidade, pois não existe uma relação direta entre biomassa (estoques de carbono) e o número de espécies em um ecossistema. Existem tanto florestas pobres em espécies mas gordas em biomassa, quanto florestas riquíssimas em espécies, mas com baixa densidade de Carbono. Mais grave ainda, como nos trópicos a biodiversidade é pouco conhecida, o atlas subestima a importância de áreas imensas. Não é novidade que o conhecimento científico sobre a diversidade de espécies na bacia amazônica está altamente concentrado ao redor de grandes cidades, como Manaus e Belém. Isso foi bem caracterizado por dois pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Bruce Nelson [Nature] no início da década de 90 e Mike Hopkins [Journal of Biogeography] em 2007. Segundo Hopkins, na Amazônia ainda esperamos encontrar cerca de 50.000 novas espécies de plantas. 50.000 espécies!

Este gráfico sobre a região Neotropical indica o total de Carbono ou total em área particionados por regiões que tem grande concentração de Carbono e/ou de biodiversidade. Note que a proporção total dos dois parâmetros avaliados em que existe congruência entre alta densidade de Carbono e de espécies é muito baixa, o que reforça o temor em usar esse raciocínio sem outros critérios complementares para orientar políticas públicas. Para quantificar a biodiversidade em escala global, o PNUMA se baseou em poucas fontes [Hotspots da Conservation International, Ecorregiões da WWF, Birdlife International Endemic Bird Areas (EBAs), WWF/IUCN Centres of Plant Diversity (CPDs) e Amphibian Diversity Areas]. Nos mapas do atlas, as áreas com alta biodiversidade são aquelas em que três ou mais dessas fontes confirmaram esse padrão. Segundo esse critério, a Amazônia não tem grande biodiversidade, pois apenas duas das fontes possuem informações sobre a região, o que obviamente não reflete a realidade.

Acoplar a redução das emissões do desmatamento com retorno para a conservação biológica é um processo que renderá frutos suculentos em um futuro próximo. Porém, generalizar a relação do Carbono com a biodiversidade sem existir informações suficientes sobre QUAIS são e ONDE estão as espécies, pode ser prematuro. Como o processo de acúmulo de conhecimento da biodiversidade é lento e depende do número de pessoas envolvidas, é imprescindível que sejam direcionados recursos com urgência para atrair e fixar pesquisadores na Amazônia. De outro modo, nunca existirão dados disponíveis para subsidiar políticas públicas para o meio ambiente. É bom acordar, pois no mercado de Carbono, temos muito a ganhar.

5 de dezembro de 2008

Políticas públicas (ou privadas?) para o meio ambiente

A ausência de discussão razoável sobre a reformulação do Código Florestal traz à tona o descaso do Ministério da Agricultura com a manutenção dos fluxos de energia que sustentam a mesma produtividade agrícola que defendem a todo custo. A visão parcial desse ministério é a demonstração de uma das características compartilhadas pela grande maioria dos seres humanos (incluindo eu): cada um defende o seu e os seus. Pena que os caras sejam tão nó cegos a ponto de não perceberem o tiro nó pé que estão dando ao negligenciar os cuidados mínimos com o meio ambiente.

Para entender melhor, visite o site
Amazonia.org.br.

4 de dezembro de 2008

Guia de Sapos da Reserva Ducke (Amazônia Central): nova versão com vídeos dos cantos

Para reverter a grande carência de materiais didáticos sobre a biodiversidade na Amazônia, o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) tem incentivado a produção de guias de identificação de espécies, visando formar  uma série de guias para diversos grupos biológicos em um futuro próximo. Estão previstos guias sobre samambaias, ervas terrestres, peixes, formigas, fungos macroscópicos e escorpiões, dentre outros. Esses guias, produzidos em excelente qualidade gráfica pela Áttema Design Editorial, são escritos em uma linguagem simples, permitindo atingir um público amplo, formado tanto por cientistas e alunos do ensino médio e superior, quanto por turistas e outros admiradores da natureza. Além disso, por serem escritos em formato bilíngue (Português e Inglês), esses guias interessam muito ao público internacional. O guia de sapos foi o primeiro da série.

O Guia de Sapos da Reserva Adolpho Ducke - Amazônia Central, de Albertina Lima, William Magnusson, Marcelo Menin, Luciana Erdtmann, Domingos Rodrigues, Cláudia Keller e Walter Hödl, foi lançado em 2006. O conteúdo do guia já era suficientemente completo para permitir que qualquer interessado realizasse identificações seguras e se aprofundasse na biologia, história evolutiva e ecologia desses extraordinários sapinhos amazônicos. Mas não se contentem com tão pouco! Recentemente, os autores lançaram uma nova versão eletrônica com uma incrível ferramenta: o guia vem acompanhado de pequenos vídeos com o canto da maioria das espécies. Os créditos dos vídeos pertencem a Karl Mokross, a menos que esteja indicado outro autor.

Para baixar o Guia de Sapos em PDF com os vídeos dos cantos, clique aqui. Todo conteúdo foi condensado em um arquivo ZIP ('guia-sapos-mpeg.zip'). Ao baixar esse arquivo ZIP [89 MB], deixe a pasta contendo os vídeos na mesma pasta do arquivo PDF. Os vídeos poderão ser acessados de dentro do arquivo PDF através do ícone de vídeo na descrição de cada espécie.

Para dar uma olhada no Guia de Sapos, folheie as páginas ou clique no link abaixo.


Quem trabalha com anfíbios, poderá fazer amplo uso desse conteúdo para aprender a identificar as espécies pelo canto, um processo muito útil em estudos ecológicos, levantamentos de fauna e estudos de impacto ambiental (EIA). Dentre centenas de espécies que ocorrem na região, Atelopus spumarius (Bufonidae) pode ser encontrado com facilidade tanto visual quanto auditivamente nas margens dos igarapés que formam as microbacias do Tinga, Uberê e Ipiranga na Reserva Ducke. Contudo, espécies difíceis de ser observadas podem ser registradas pelo canto, como Synapturanus mirandariberoi (Microhylidae) que canta com frequência antes de chuvas fortes. Essa versão do guia incorporou ainda uma atualização nomenclatural das espécies.

Para conhecer mais guias, visite o Portal PPBio: http://ppbio.inpa.gov.br/Port/guias/